Os Rebreathers tem uma longa e definida história, que remonta ao ano de 1680, quando o italiano Giovanni Borelli criou o primeiro Rebreather de circuito
fechado (RCF).
Em 1878 um rebreather de oxigênio puro foi patenteado pelo fabricante Siebe Gorman e em 1880 Henry Fleuss realizou o primeiro mergulho com Nitrox,
num rebreather.
Mais recentemente, Hans Hass utilizou com freqüência o Rebreather em seus mergulhos, bem antes que Jacques Cousteau tivesse criado o sistema
Scuba de circuito aberto.
Muitas páginas poderiam ser preenchidas, com datas e a evolução verificada nos Rebreathers, mas o que realmente tem interesse para o leitor é saber
o que vem a ser o Rebreather e como ele funciona.
Hoje em dia, há no mundo, cerca de quase uma centena de marcas diferentes de Rebreathers que utilizam os circuitos semi - fechados, fechados e
de oxigênio. Para facilitar a compreensão do leitor, nos reportaremos aqui ao Rebreather mais popular de circuito semi - fechado, o Atlantis I/Dolphin,
que há três anos foi introduzido para o mergulho recreativo.
1. Boquilha: Deve estar sempre fechada quando fóra da boca. Tem válvulas anti - retorno em suas extremidades.
2. Traquéias: Feitas de material específico e compatível, chamado EPDM, são conectadas nos dois pulmões, um de inspiração e o outro de exalação.
3. Bolsa de Exalação: É para onde segue o gás exalado, seu tamanho é menor que o da inspiração. Contém uma válvula de pressão ajustavel.
4. Cartucho Depurador ( Canister ): Tem capacidade para cerca de 2,5 quilos de absorvente ( Cal Sodada ). Nele acontecem as reações químicas que eliminam o Dióxido de Carbono ( CO2 ) do gás exalado.
5. Absorvente Molecular ( Cal Sodada ): Produz uma reação química cujo resultado é água, sal fino e calor.
6. Bolsa de Inspiração: Onde há o encontro do gás depurado e do gás fresco vindo do cilindro. É injetado a fluxo contínuo, pela segunda etapa do
regulador, colocado na mesma bolsa de inspiração .
7. Regulador ( 1° e 2° etapas ): A primeira etapa está conectada ao cilindro de quatro litros e reduz os 200 bares a uma pressão intermediária de 16.5
bares. A segunda etapa, também chamada de ¨by - pass ¨ está conectada à bolsa de inspiração. Contém uma válvula de demanda e quatro injetores
cambiáveis, de fluxo contínuo calibrados para Nitrox 60 % , 50 % , 40 % e 32 % .
8. Manômetro: É de 200 bares.
9. Cilindro: Tem capacidade para quatro litros a 200 bares , para EANx (Nitrox ), com grifo de rosca.
10. Válvula de Pressão: Ajustavel para a capacidade pulmonar do mergulhador, sendo que o seu raio de ajuste é de 18 a 25 cm de coluna de água,
( 18 a 25 milibares ).
Além dos componentes acima citados ainda temos o Colete Equilibrador, com bolsos integrados para os pesos e um cilindro de emergência de dois
litros com ar comprimido.
Como definir um Rebreather ?
Ao ¨ pé - da - letra ¨ , diríamos que é um Re - recirculador, ou ainda melhor traduzindo, um Reciclador do gás exalado, onde o Dióxido de Carbono
( CO2 ), resultante da metabolização do oxigênio é ¨jogado¨ no anel circulatório ( Loop ) e será retido pelo absorvente molecular ( Cal Sodada ), através
de uma reação química produzida no cartucho depurador, que é o veículo de comunicação entre os pulmões, de inspiração e exalação. Esse sistema
proporciona uma grande economia de gás que chega a ser de 90 % em relação ao circuito aberto, já que apenas uma em cada cinco respirações é
liberada para o meio exterior . Um dos pontos importantes ao se mergulhar com um Rebreather, e mais especificamente, no caso o Atlantis I/Dolphin,
é o de saber qual é o VRM ( Volume Respiratório por Minuto ) e o VO2 ( Oxigênio Metabolizado ), que varia de mergulhador para mergulhador, são
inter-relacionados e ainda dependem de outras variáveis tais como, a taxa de trabalho a ser exercida durante a imersão, a temperatura da água, a
visibilidade, o grau de experiência do mergulhador , etc . etc.
Suponhamos, por exemplo, que um mergulhador possua um consumo respiratório de 20 litros por minuto em superfície. Destes 20 litros, temos 4 litros
de oxigênio, já que há na composição do ar 21 % dêste gás, e deles, apenas 0.7 litro é consumido metabolicamente em repouso. Normalmente assume
- se a taxa de 1 litro a nível prático, para as atividades normais, que não requeiram esforço.
Pois bem, para cada litro de oxigênio consumido haverá, ao exalar-se , a liberação de cerca de 0.8 litro de Dióxido de Carbono ( CO2 ). Como o Atlantis I
/Dolphin utiliza o Nitrox como mescla, veremos que o gás inspirado é uma mescla do gás fresco saido do cilindro, misturado com o gás que foi depurado.
Logicamente esta mescla será mais fraca do que a do cilindro e é determinada por uma fórmula própria que é ensinada nos cursos. O absorvente
molecular, responsável pela reação química que retira o CO2, tem uma duração pré-determinada e que depende da profundidade da imersão, da
temperatura da água, da taxa respiratória, umidade, etc. etc. mas normalmente, cada carga no Atlantis I/ Dolphin dura de 2 a 4 horas de mergulho.
A cada nova imersão uma série de testes devem ser feitos e que se tornam rotineiros, após algum tempo de experiência com o equipamento.
Em linhas gerais esse é o funcionamento básico do rebreather Atlantis I / Dolphin, que foi projetado, numa primeira fase, para mergulhos recreativos
a profundidades inferiores a 40 metros e que apresenta inúmeras vantagens sobre os equipamentos de circuito aberto, sendo as principais:
Maior tempo de imersão devido a uma melhor utilização da mescla.
Equilíbrio térmico mais prolongado , graças ao calor gerado no cartucho depurador.
Melhor hidratação por ser o ar bem mais úmido.
Facilidade no transporte por ser mais compacto.
Melhor e mais harmonioso contacto com a vida marinha, pela emissão de poucas bolhas.
Todas as vantagens da fisiologia EANx ( Nitrox ).
Então, por que tendo tantas vantagens sobre o circuito aberto, os Rebreathers ainda não se popularizaram no mergulho recreativo ?
Primordialmente, porque a sua introdução é recente, apenas três anos e também pelo preço, que até pouco tempo era totalmente inacessível.
Com a queda do preço no mercado internacional, o Rebreather Atlantis I / Dolphin começou a ser mais difundido e já foram vendidas mais de duas mil
unidades. Em futuro próximo, quando os preços se nivelarem aos dos equipamentos de circuito aberto, por certo haverá um ¨boom ¨ mundial e o circuito
aberto será utilizado apenas pelos saudosistas, já que nenhum mergulhador deixará de usufruir de uma imersão de alta tecnologia.
Alertamos finalmente, de que o mergulho com circuito semi-fechado, assim como qualquer outro tipo de mergulho requer um treinamento sério,
disciplinado e uma visão ampla do mecanismo que está sendo utilizado.
Este treinamento é oferecido por diversas agências certificadoras de mergulho técnico, tais como a TDI, IANTD, ANDI, SNSI, RAB, SUSV, etc.