Quando pensamos nas histórias de naufrágios sempre vêm à nossa imaginação muitos mistérios. Elas sempre são relatadas com diversas versões, impedindo que se tenha uma única versão para o fato. Quem procura a nossa ilha para prática de mergulho esportivo vai se deparar com um lugar privilegiado pelos antigos navios afundados. Os motivos podem ser os mais diversos como uma simples visitação para uma sessão de fotos sub-aquáticas, seja para ver a enorme cadeia de vida que se cria a partir de uma embarcação naufragada, (com diversos peixes fazendo seus abrigos nos vários espaços vazios dos navios) ou pelo simples prazer de ir atrás de um tesouro. Há milênios a humanidade vem "rapinando" o mar em busca de riquezas perdidas, peças de arte, ou simplesmente um pouco de história. São tantas as razões do homem continuar a busca no fundo do mar que não nos cabe enumerá-las.
A costa de Ilhabela vem sendo visitada desde o início do século XVI e a partir daí os barcos passaram a fazer parte de seu cotidiano, sendo que a fluência de barcos de grande porte começaram neste século, onde são registrados dezenas de naufrágios. Os registros são falhos, e há pouco tempo ´e que se começou a levantar a localização precisa das embarcações. Muita coisa deve ter se perdido nos séculos anteriores, pois até hoje há divergências quanto as datas e locais de diversos naufrágios. Mas com ou sem precisão os barcos estão aí, e para quem gosta de emoção e aventura temos vários navios que podem ser visitados. Alguns só por profissionais experientes, pois estão a profundidades grandes que exigem treinamento e cuidados especiais.
Aqui há naufrágios para todos os gostos, de veleiros de madeira, barcos de pesca, rebocadores, cargueiros, até um transatlântico de luxo do início do século, o Príncipe de Astúrias.
Há na cidade operadoras de mergulho que oferecem equipamentos , treinamento, e que levam os aventureiros a diversos naufrágios, desde o mergulhador iniciante até os mais experientes.
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O Príncipe de Astúrias é um dos de acesso mais difícil. Seu naufrágio completou 80 anos no ano passado. É o navio naufragado com maior número de vítimas na costa brasileira. Trazia na época grande quantidade de minérios como cobre, chumbo e estanho, além de estátuas que seriam encaminhadas ao governo argentino.
Comenta-se também que em seu cofre possuía mias de 40.000 libras esterlinas que até hoje não foram resgatadas. A carga de minério foi possível resgatar, mas a sua exploração é complicada, pois está numa região de difícil acesso (Ponta da Pirabura) entre 22 e 28 metros de profundidade, com uma visibilidade de água normalmente comprometida.
Outro naufrágio espanhol de grande destaque é o Concar, que naufragou em outubro de 1959 entre a Pirabura e a Ponta da Piraçununga, onde está a uma profundidade de 6 a 22 metros, com visibilidade boa por ser um naufrágio recente.
Para os menos experientes há o Dart um dos primeiros naufrágios que se tem registro (uns falam em 1884 outros 1894), mas o que se sabe é que este navio inglês de 100 metros de comprimento que inaugurava a nova rota Santos - Nova York, carregado de sacas de café, soçobrou em frente ao morro do Simão.
Como o navio na ocasião não afundou de todo, muita louça do serviço de bordo foi retirada pelos caiçaras. Como se vê as histórias são muitas, sempre cheias de emoções e desespero, pois antes de virar paraíso de mergulhadores estes fatos foram sempre carregados de sofrimento, pois trata-se de vidas humanas, impotentes diante da grandiosidade do mar e do tempo.
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