Dados retirados da Reportagem NAUFRÁGIO EM ANGRA  de Maurício Borges de Carvalho e Ricardo M. Rodrigues - Fotos Ary Amarante - Revista  MERGULHO - ANO 1 - Nº 1
Dados enviados por: Ciça.

PONTA DA PARNAIOCA 
Nesta região repousa um dos naufrágios menos freqüentados da região de Angra dos Reis, principalmente pelo fato de estar numa posição desabrigada na Ponta Alta da Parnaioca (latitude 23°11’07" S, longitude 44°15’04" W), o que torna o acesso bem mais difícil. Quando as condições do mar são favoráveis é possível encontrar águas claras e vida marinha abundante. São poucas as informações sobre o navio. Alguns pesquisadores acreditam tratar-se de JAPURÁ,  afundado em 1897. Os seus destroços, contudo, revelam um navio bem mais novo. A identificação correta só será possível com a divulgação de documentos confiáveis. O que até agora não aconteceu. Dessa forma, a embarcação continua sem nome, mas nem por isso deixa de ser uma grande aventura visitá-la no fundo. Mesmo estando bastante mal tratado pelo mar e despedaçado em boa parte, trata-se de um naufrágio belíssimo.  O mergulhador ainda pode observar o eixo, o leme, o mastro com gávea, cabeços de amarração e guincho, entre outras partes. Existem alguns pontos de penetração, mas como as condições do navio são  precárias, é melhor não se aventurar. Contente-se em tirar boas fotos de peixes grandes como garoupas e meros, que costumam freqüentar o lugar.  

AQUIDABÃ
É um dos naufrágios mais culturais da região de Angra, devido à história que cerca o afundamento deste encouraçado da Marinha Brasileira, lançado ao mar em 1885. Hoje, é difícil conseguir imaginar como foi a embarcação a partir dos escombros, que descansam próximos à Ponta de Leste, na Baía de Jacuacanga (latitude 23°02’05" S, longitude 44° 15’ 12" W). Só há destroços. Mesmo assim, vale a pena conhecer o navio de guerra, mas a visita é complicada e perigosa. No fundo, a visibilidade não ultrapassa os 2 metros. Para piorar, há muitas pontas e chapas cortantes, além de locais com linha de pesca e redes enroscadas. È comum a água estar limpa na superfície e bastante suja abaixo dos 10 metros. A maior parte dos destroços encontra-se em profundidades que variam entre 10 e 18 metros. Durante o tempo de permanência no fundo, encontra-se poucos peixes, como badejetes, garoupetas, sargos e alguns pequenos cardumes.
Não é o que se pode chamar de um mergulho agradável, mas certamente é muito instrutivo - principalmente quando a visibilidade no fundo ultrapassa os 3 metros. A história envolvendo o naufrágio do Aquidabã, ocorrido na noite do dia 21 de Janeiro de 1906, ainda reserva alguns mistérios. As causas que levaram os navio ao fundo do mar ainda são desconhecidas, mas existem algumas versões. Especula-se, por exemplo, sobre uma possível avaria na instalação elétrica, o que teria provocado um incêndio a bordo. Outros acreditam na explosão espontânea da cordite (explosivo), provocada pela elevação de temperatura, fazendo com que tudo fosse pelos ares. O que mais impressiona são os relatos sobre as explosões sucessivas causadas pelo fogo que atingiu o paiol de munição dos canhões. Os jornais da época destacaram com letras garrafais os estrondos que levaram o barco e sua tripulação à pique. Poucos sobreviveram.
 

INFORMAÇÕES ESTÃO DOCUMENTADAS

Encontrar documentos precisos sobre os naufrágios no Brasil não é tarefa fácil.  Por isso, os mergulhador tem motivos de sobra para comemorar a criação do Sinau - SISTEMA DE INFORMAÇÕES DE NAUFRÁGIOS, o primeiro banco de dados do país sobre o assunto. Para ter acesso, basta adquirir o SINAU I, a primeira versão do programa, carregado com dados sobre cerca de 500 navios afundados.
É possível também acrescentar informações ao banco. Quando houver uma certa quantidade de dados novos, deve-se enviar uma cópia ao núcleo  organizador. Será feita, então, uma checagem do material recebido para garantir maior confiabilidade. A cada seis meses, passará a ser gerada uma nova versão (Sinau II, III, etc).
O Sinau enviará a versão atualizada das informações a todos os participantes sem custos adicionais. Assim, quanto maior for o número de pessoas envolvidas, maior será o volume de dados coletados. Em pouco tempo, será possível conhecer de forma mais precisa e completa a história dos naufrágios no Brasil.

Os interessados em adquirir a primeira versão do banco e começar a participar do sistema devem entrar em contato com Maurício Carvalho, Tel (021) 286.9006.


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