A Laje de Santos é o point mais famoso
dos paulistas, e o mais próximo da capital.
Matéria enviada por: Maicon FS.
Foto: Laje de Santos Vista por um turista comum, a Laje de Santos é só uma rocha esbranquiçada, desprovida de vegetação e atrativos. Tem 550 metros de comprimento por 185 metros de largura máxima e um farol no ponto mais alto - 38 metros acima no nível do mar. Ao circundá-la, o visitante não verá nenhuma praia e nem mesmo um lugarzinho que facilite o desembarque. Para complicar, a geografia isolou a Laje a 21 milhas de Santos (SP) - cerca de 40 quilômetros -, obrigando o turista a enfrentar mais de 1 hora a bordo de lancha potente para chegar até lá. É provável que um visitante menos afeito aos prazeres marinhos se decepcione na chegada, embora, eventualmente, tenha visto golfinhos ou até mesmo baleias-de-bryde durante o trajeto. Ele ficará frustrado ao descobrir que as fortes correntezas desestimulam o inocente "banho de mar".
Retratada assim, a Laje de Santos parece um lugar ermo, sem atributos para atrair turistas. No entanto, a "pedrona" tem muitos fãs - e põe fã nisso. A procura pela Laje é tamanha que o governo do Estado de São Paulo resolveu transformá-la na parte central de um Parque Estadual Marinho, criado no dia 27 de setembro de 1993 - e estabelecido dentro de 5 hectares - para selecionar visitantes e preservar o meio ambiente. O decreto 37.537 proibiu qualquer tipo de pesca e também a caça submarina, mas liberou sem restrições o mergulho de contemplação - para alívio das operadoras que transportam turistas para a área. O certo é que a lei, se espantou pescadores e caçadores, em nada afetou o interesse dos mergulhadores autônomos. Ele permanece forte e crescente. Tanto é assim que quatro operadoras - ATM Divers, Centralmar, Orion e Winner Sub - resolveram se unir em uma entidade, a Ampel (Associação das Escolas e Operadoras de Mergulho do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos), criada no ano passadom entre outras razões para atender melhor à demanda.
O motivo de tanto interesse dos mergulhadores pode ser resumido em cinco palavrinhas: um tremendo fundo do mar.
"É o melhor point não só do Estado, mas de toda a região sul do país", aponta João Paulo "Johnny" Pavani, que trabalhou oito anos como divemaster e instrutor na Laje. De fato, quem desce por ali em um bom dia verá tartarugas, arraias-chita e garoupas, nas águas claras e no fundo de areia. Sem esquecer das tentosas arraias-jamanta, algumas com 3 metros de envergadura e, ainda assim, dóceis a ponto de permitirem que o mergulhador "pegue uma caroninha". Se não bastasse, a Laje tem águas quentes (média de 23 graus) e profundidade que, na face norte, não ultrapassam os 25 metros. Para Luiz Antonio Dal Poggetto, dono da ATM Divers, a "pedrona" é um divisor de águas na transformação do mergulhador eventual em um apaixonado pelo mergulho. "Depois de algumas descidas em pontos abrigados, o sujeito vai à Laje e encontra aquilo que só conhecia de fotos de revista: visibilidade de 20 metros e peixes grandes", analisa. "Nesse momento, o mergulho ganhou mais um apaixonado."
Foto: Frade A fauna da Laje e seus arredores realmente impressiona.
"Se contarmos apenas os peixes, chegaremos a cerca de 150 espécies", informa Rodrigo Leão de Moura, biólogo do Museu de Zoologia da USP. Ainda mais impressionante é saber que essa uxuberância já foi ainda maior. "A água era tão limpa no começo dos anos 60, quando desci pela primeira vez, que tive vertigem de altura", recorda Claudio Guardabassi, um dos pioneiros do mergulho em São Paulo. Embora a limpidez não seja a mesma, ainda assim a Laje reúne uma das melhores amostragens de animais marinhos da região. "Exatamente por isso foi transformada em Parque Marinho", diz o biólogo Rodrigo, que trabalhou como consultor do Governo do Estado na instalação do Parque.


Reportagem completa:
Revista Mergulho ANO II - Nº 18 (Págs. 30, 31, 32, 33, 34 e 35).
Por Walterson Sardenberg Sº e Paul Bouffis
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