NORTON GODOY
(Matéria retirada da revista: ISTO É/1432-12/3/97)
Antes de morrer, Barba Negra havia contado a seus homes que a maior parte dos objetos de valor de seus saques estava enterrada dentro de um baú. Mas não revelou a ninguém o local. O verdadeiro nome do Barba Negra era Edward Teach, um marinheiro inglês nascido em 1690, que antes de se tornar pirata foi empregado pela rainha Anne da Inglaterra na guerra naval contra a Marinha francesa. Na passagem do século XVII para o XVIII, as grandes potências da época usavam o expediente de empregar mercenários do mar para atacar e saquear navios inimigos. Com o fim da guerra, estes bucaneiros oficiais perderam um emprego rentável, já que costumavam desviar parte do saque. Muitos, como Teach, passaram a atuar de forma independente, formando bandos de piratas. Investindo na sua fama de violento, o pirata inglês adotou um visual mais ameaçador: fez trancinhas na longa barba negra, vestiu roupas escuras e enfiou cinco pistolas e duas espadas na sua farta cintura. Barba Negra começou a atuar na costa atlântica dos Estados Unidos e da Jamaica em 1716. O vapor do butim era tão alta que, por mais de um ano, o pirata fez uma sociedade clandestina com o governador da Carolina do Norte, então uma colônia britânica.
Em 1718, Londres decidiu banir de vez a pirataria, concedendo uma anistia geral a todos os piratas. Teach chegou a apreciar a vida em terra, casando-se pela 14ª vez. Mas o apelo do mar e da aventura do saque foi irresistível. Barba Negra voltou à ativa. Para combatê-lo, o governo da colônia na América usou os serviços de um espião, que denunciou o esconderijo do pirata. Surpreendido por uma emboscada, Barba Negra foi morto com mais de nove tiros de pistola e mosquetão e uma facada no pescoço. Robert Maynard, o tenente da Marinha britânica que fiou a ação, cortou a cabeça de Teach e pendurou-a no mastro principal de seu navio para provar a todos que a legendária figura não existia mais.