PREFÁCIO:
Os atiradores brasileiros passam por sérias dificuldades, devido à atual legislação que vigora no país. Remanescente da ditadura militar instaurada em 1964, as leis que regem armas e munições, continuam exatamente as mesmas conforme decretadas à época.
Isto implica em que os atiradores brasileiros sejam obrigados a registrar suas armas como peças de coleção, tornando-se COLECIONADORES de armas sem o serem efetivamente. Mesmo assim, estarão sujeitos ao critério da autoridade militar (comandante da Região Militar do Exército) para concessão ou não das Guias de Tráfego que permitem os atiradores trafegar com suas "armas de coleção". Caso o atirador brasileiro não se registre como colecionador, estará sujeito às limitações de somente poder possuir armas calibres 22LR, 6.35mm, 7.65mm, 38SPL, .380ACP, e no máximo 44-40. Se for praticante de IPSC, e requerer seu Certificado de Atirador de Tiro Prático ao Exército, poderá possuir uma pistola em calibre .45ACP. De todos os calibres citados, somente o calibre 22LR serve para a prática efetiva do esporte especificamente nas Silhuetas Metálicas. De forma bastante sofrível o calibre .38SPL é utilizado, e devido à sua deficiência, tem acarretado inúmeros acidentes, pois na ânsia de melhores resultados (que facilmente são obtidos por calibres mais adequados não permitidos no Brasil), alguns atiradores tem exagerado em suas cargas.
As autoridades competentes deviam estudar a liberação de calibres e armas, pelo menos para os praticantes do Tiro Desportivo, cadastrados nas Federações, Confederações e SFPC's, para proporcionar a participação dos atletas nacionais, em igualdade de condições com seus concorrentes no exterior.
Muito se tem falado em estudos para liberações de armas e calibres para atletas, porém até hoje nada de concreto foi feito. De modo geral, as armas utilizadas pelos praticantes de Silhueta Metálica são de tiro único (com excessão dos revolveres), como a Thompson Contender e Remington XP100. São armas que pela sua própria característica não se prestam para defesa ou ataque, devido aos tamanhos das armas e às suas capacidades de carga (uma bala por vez).
ARMAS CURTAS (SMALL BORE) - No Brasil, as únicas pistolas em calibre .22LR que foram produzidas para a modalidade de Silhuetas Metálicas e caça esportiva foram a CBC 622 e 722, cuja produção foi paralizada. No caso de revólveres, a Taurus tem em sua linha de produção o modelo 96 (TA22), porém com comprimento de cano de seis polegadas. A Rossi produziu o modelo 483, também de 6 polegadas. Armas com comprimento de cano de seis polegadas não são ideais para o tiro na distancia máxima de 100 metros, porque o agrupamento dos impactos é bastante inferior ao de um revolver com comprimento de cano maior, 8 polegadas por exemplo. É bom lembrar que o regulamento permite comprimento de cano de até dez polegadas.
Recentemente, passamos a dispor no mercado nacional do revolver Smith & Wesson, no calibre .22LR, modelo 617, com comprimento de cano de oito polegadas, que se enquadra na categoria Revolver - Small Bore.
Dentre as armas curtas importadas, uma das melhores construidas, devido à sua versatilidade e acabamento, é a Thompson Contender. Partindo-se de um frame (armação) padronizado, pode-se optar por 18 calibres, do .22 LR até o .45/70 GOV'T. A Contender, oferece ainda canos com 10, 12, 14, 16 e 21 polegadas de aço carbono ou inox, todos intercambiáveis no mesmo frame. Nas categorias Production, o comprimento máximo permitido de cano é de 10.3/4", já nas Unlimited, o comprimento máximo permitido é de 15". Assim, os canos podem ser rapidamente trocados pelo próprio atirador, habilitando-o a participar de todas as categorias para armas curtas (exceto as de revolver). Para passar as Contender atuais, de fogo central para circular basta mudar a posição do seletor localizado no cão. É um sistema bastante simples, robusto e de atuação imediata.
A mais perfeita e equilibrada para a categoria Unlimited - Small Bore é a Anschutz Exemplar (disponível com canos de 10 e 14 polegadas). É dotada de um aparelho de pontaria e gatilho perfeitos. Permite um grupamento, sem estativa, em torno de uma polegada à 50 metros. As Pistolas Livres usadas na modalidade olímpica, se enquadram como pistola Unlimited. Para a categoria Production, qualquer pistola no calibre .22 (originais de fabrica) que estejam de acordo com os critérios e especificações das regras UIT para Pistola Esporte poderá ser utilizada. As empunhaduras ou cabos ajustáveis conforme fornecidos pelo fabricante nas pistolas de UIT são permitidos, desde que nenhum ajuste seja feito após iniciado o curso de tiro.
ARMAS CURTAS (BIG BORE) - Apesar do Brasil ser um dos maiores produtores e exportadores de armas convencionais, os atiradores enfrentam grandes dificuldades para usar calibres superiores ao .38 SPL e .44-40, nos estandes de tiro. As restrições existentes impedem a melhoria da técnica e da qualidade do atirador nacional, relativamente aos competidores de outros paises. As armas importadas, de calibres adequados à prova podem ser adquiridas apenas por colecionadores registrados. Por entendimentos mantidos entre a CBTP e o Ministério do Exército, são liberadas guias de tráfego com validade apenas para o período das competições oficiais como o Campeonato Brasileiro e Regionais. Com isso, o treino com armas Big Bore fica irremediavelmente comprometido e restrito a alguns dias antes da competição.
Para a categoria Field Pistol (até 100 metros), dispomos no mercado nacional, dos revolveres Taurus modelos 889 e 86, Rossi modelos 853 e 719 e ultimamente dos Smith & Wesson 586-5, e 14 , todos com seis polegadas de cano.
Para as categorias Production, Revolver e Unlimited, infelizmente não existem armas no mercado nacional que possibilitem o tiro para distâancias acima de 100 metros, apesar da Taurus ter em sua linha de produção modelos em .357 e .44 Magnum, para o mercado externo. Nestas categorias, os calibres internacionalmente mais usados são: ..357 Magnum, .357 Maximum. .44 Magnum para revolveres e pistolas. Os calibres 7 mm. TCU (Thompson Contender Ugaldi) e 7 mm. BR são somente para pistolas de tiro unitário. Os revolveres mais utilizados nos campeonatos internacionais são: o Ruger Super Redhawk (ação simples e dupla) e Super Blackhawk (ação simples), Freedom, Colt, Dan Wesson, Smith & Wesson entre outros.
Os calibres 7 mmTCU (Thompson Center Ugaldi e 7 mmBR (Bench Rest) foram criados especificamente para as prova de Silhuetas Metálicas e para as respectivas armas: Thompson Contender e Remington XP-100.
ARMAS LONGAS (SMALL BORE) - A CBC participa no mercado nacional com os modelos 122 e Sniper 122.2, e produzia as Impalas em dois modelos, nos quais a 422 era a mais usada. A Imbel com o modelo MD1 e a Urko com modelo Urko .22LR, são armas com um padrão de acabamento considerado bom. Dentre as importadas, a mais conhecida dos brasileiros e com um acabamento excepcional seriam as BRNO (CZ) modelos 1, 2 e 2E. Estas armas tem conquistado praticamente todas as provas de Silhueta Metálica a nível estadual, regional e brasileiro nos últimos tempos. São perfeitas em termos de cano, aparelho de pontaria e coronhas, proporcionando um resultado excelente aos atiradores de bom nível técnico.
ARMAS LONGAS (BIG BORE) - Nas categorias de armas longas de fogo central, para o tiro nas distancias de até 100 metros, existem dois fabricantes nacionais, a Rossi com a Puma nos calibres .38 SPL e .44-40 W (apesar de serem exportadas nos calibres .357 e .44 Magnum); e a Urko modelo Eibar no calibre 38 SPL. Com relação às importadas, vários são os fabricantes com tantos calibres que realmente ficaria dificil escolher, caso os atiradores tivessem disponibilidade para adquirir.
Nas provas com distancias de até 200 metros, o que tem acontecido, é os praticantes utilizarem munição calibre .38 SPL, com cargas acima das especificadas pelos fabricantes. Tal procedimento, coloca em risco tanto o atleta que se utiliza deste recurso, como aquele que participa ao seu lado em uma prova ou treinamento.
Não é raro presenciar cápsulas no calibre .38 SPL serem degoladas, após o disparo, obrigando o atirador a remover parte da cápsula que ficou retida na câmara das carabinas, quando não danificam ou explodem o conjunto do ferrolho. Várias são as notícias de tambores de revolveres se desmanchando em pedaços devido a sobrecarga.