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Virou “moda” na atual conjuntura política internacional
atribuir o termo “emergente” ao país que consegue desenvolver uma
política econômica de acordo com a Nova Ordem Mundial. O
desenvolvimento ou a estabilidade econômica de um país periférico que
segue as políticas neoliberais, conjunto de medidas do liberalismo econômico
adaptadas as atuais circunstâncias
do capitalismo financeiro, impostas pelos países centrais (O
G-7) é apenas ilusório. Nesta nova ordem, apenas os “grandes
sobrevivem”.
O Brasil é um exemplo bem próximo dessa realidade. No cenário
internacional, o Brasil é visto como um país emergente. Cabe-nos, então,
indagarmos: em que direção, em que rumo o Brasil está avançando?
O desenvolvimento econômico brasileiro nos quatro anos de
governo FHC é altamente questionável. Segundo Nali de Jesus de Souza,
“desenvolvimento econômico se define, portanto, pela existência de
crescimento econômico continuo, em ritmo superior ao crescimento demográfico,
envolvendo mudanças de estruturas e melhoria de indicadores econômico
e sociais per capita. É um fenômeno de longo prazo, emplicando o
fortalecimento da economia nacional, a ampliação da economia de
mercado e a elevação geral da produtividade”1. Em outras
palavras, significa a elevação do PNB per capita concomitantemente com
o aumento progressivo dos níveis de vida e dos serviços essenciais
para a população, que se expressa em forma de indicadores sociais
classificados pela ONU para mensurar o nível de desenvolvimento de cada
país, tais como: melhoria na distribuição de renda nacional, no índice
de mortalidade infantil, na expectativa de vida, no sistema educacional
de saúde, no nível de industrialização, etc.
Em vista
disso, podemos fazer uma análise sumária de alguns aspectos do governo
FHC, na tentativa de desmistificar o seu título de “emergente”.
Não
houve nesses quatro anos de governo um fortalecimento da economia
nacional. Pelo contrário, houve um desaquecimento da economia que se
refletiu no fechamento de milhares de |
pequenas
e médias empresas em todo o país, gerando como efeito o elevado nível
de desemprego, que nas seis maiores regiões metropolitanas do país
ultrapassa, segundo o IBGE, a taxa de 8%2. Outro dado
importante é sobre a mortalidade infantil. No Brasil, a taxa chega a
42%, sendo que na Argentina, Uruguai e Chile as taxas são,
respectivamente, 22%, 18% e 12%3. Este dado mostra que a
inserção do Brasil no grupo dos países de alto desenvolvimento
humano, divulgado pela ONU meses atrás, não passa de uma grande
mentira.
Conjunturalmente, a economia brasileira encontra-se na pior crise
de sua história, com sucessivos déficits nas finanças públicas. Em
1994, a dívida externa era de 121,1 bilhões de dólares4.
Hoje, está em mais 300 bilhões. A dívida interna, em 1994, era de 62
bilhões de dólares. Atualmente, este número evoluiu para 305 bilhões5.
Neste ano, em julho, as reservas internacionais eram de 74 bilhões de dólares.
Um mês depois, as reservas diminuíram para 44 bilhões6,
devido a fuga do capital especulativo.
Em 1997, o país cresceu cerca de 3% (do PIB). Neste ano, segundo
as estimativas mais otimistas, o crescimento econômico não chegará a
1%. A crise econômica surgiu em outubro de 1997, com a queda das bolsas
de valores na Ásia. Atualmente, agravou-se com a crise Rússia.
Diante deste quadro, o efeito “bola de neve” obrigou o Brasil
a aumentar a taxa de juros para 49,75%, com o objetivo de reter o
capital especulativo no mercado financeiro. Ademais, para tentar sair da
crise, o Brasil receberá um “apoio” financeiro do FMI de trinta
bilhões de dólares. Para isso, é preciso seguir a cartilha do FMI,
cortando gastos públicos e aumentando os impostos. As medidas, em suma,
afetam a União, Estados e Municípios. Os serviços sociais, como a
educação e saúde, serão os mais afetados. O país “emergente”,
levando em consideração as informações citadas acima,
entrou em estado de
emergência. Dentro dessa perspectiva, o Brasil esta avançando
para a dependência econômica total em relação aos grandes órgãos
financeiros internacionais e países desenvolvidos, ao produzir o
enriquecimento destes, cuja origem encontra-se no endividamento e
empobrecimento constante da sociedade, em detrimento da riqueza e
soberania nacional. Jairo C. do Nascimento, acadêmico de História e Coordenador de Pesquisa e
Extensão do C.A de História. NOTAS:
(1).
SOUZA, N. de J. de. Desenvolvimento
Econômico. São Paulo: Atlas, 1993. P. 17.
(2).
Revista Época, 12 de outubro de 1998. (3).
Gazeta Mercantil Latino-Americano, 26 de outubro à 1º de novembro de
1998. (4).
Internet: www.liceuasabin.br (5).
Revista Época, 12 de outubro de 1998. (6).
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