COMENTÁRIO
BIBLIOGRÁFICO |
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HOBSBAWN,
Eric. Sobre História. Tradução
Cid K. Moreira. São Paulo: Cia das Letras, 1998. 336 p.
Eric Hobsbawn é um dos maiores historiadores
ingleses da segunda metade deste século. Seu campo de estudo, ao longo
de sua vida acadêmica, tem sido o da ascensão do capitalismo e as
transformações do mundo a partir do fim da Idade Média, com o
interesse especial pelas modificações políticas, econômicas e
sociais do século XIX. Suas obras principais são: A Era das Revoluções,
A Era do Capital, A Era dos Impérios, A Era dos Extremos: o breve século
XX (1914-1991). Sobre História é uma coletânea de ensaios, alguns
inéditos, escritos durante 30 anos de carreira acadêmica, apresentados
em congressos
e simpósios, em diversas Universidades da América e Europa.
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Os
ensaios versam sobre reflexões ou abordagens gerais a acerca da história
e do papel do historiador em seu campo de trabalho. Analisa as questões
metodológicas e conceituais da disciplina, levando em consideração
alguns problemas que fazem parte da perspectiva da historiografia
contemporâneo como, por exemplo, dos usos e abusos da
história, seja na sociedade ou na política, e com a compreensão e
transformação do mundo; o valor da história em relação as outras ciências
sociais; avaliação crítica das várias tendências em história (como
o Positivismo); à interpretação
histórica. Dentro destas linhas gerais, nos 22 capítulos que
compõem o livro, Hobsbawm aborda as seguintes questões: as relações
entre passado, presente e futuro; movimentos populares; a contribuição
da abordagem marxista para a história, os 150 anos do Manifesto do
Partido Comunista, o desenvolvimento da historiografia ou, em outras
palavras, a noção de progresso da disciplina histórica, dentre
outras.
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A
história progrediu, conclui Hobsbawm. Eis as principais mudanças que
alteraram substancialmente o conhecimento do processo histórico: a
transição de uma história “ortodoxa” ou positivista ( abordagem
tradicional rankeniana ) fundamentada na descrição e narrativa dos
grandes homens ( os heróis ), de eventos políticos e diplomáticos
para uma história total com modelos metodológicos e explicativos, uma
história-problema, cujos critérios de cientificidade que respaldam à
pesquisa histórica foram elaborados ao longo deste século por vários
escolas e movimentos historiográficos
como os Annales, na França e o movimento marxista inglês da década
de 50. O materialismo histórico analisa e considera o progresso histórico
– as transformações – da sociedade como um todo, constituindo-se
como uma das abordagens ou modelos teóricos para a história. |