Sobre a ética
Giordano Maçaranduba
- Diversos foram os autores que versaram sobre ética: ética política, ética profissional, ética comunitária, ética platônica, ética aristotélica, (meu Deus!!! Como eu gostaria de ter lido mais Baruch Espinoza!), ética plural, ética singular, ética nacional (se é que nação tem ética, se é que ainda existe ou já existiu nação), ética teológica (o grego Paulo, frei Tomas de Aquino, frei Abelardo, o bispo Agostinho e poucos outros mencionáveis).
- Muitas doutrinas diferentes a respeito de ética existem, como existem acerca da filosofia em geral, com as diversas escolas filosóficas, mas como é quase uma obviedade que todas elas se baseiam nas duas escolas básicas da filosofia pós-socrática: o materialismo e o idealismo. Delas dependem toda a concepção da ética. Se materialista, a ética é prática e se baseia em valores materiais tais como a economia, a sociologia, a lógica material. Por outro lado se é idealista, vale mais a lógica pura, a moral, os valores ideais.
- É verdade que as diversas correntes se beneficiam em maior ou menor quantidade do materialismo ou do idealismo e muitas apresentam um equilíbrio respeitável, mas por melhor que sejam, elas pecam por apresentar regras fixas para situações que, como quase tudo na vida, são particulares. Seria uma insensibilidade minha dizer que algumas delas não são nem belas, nem tem sua praticidade, mas, no entanto, todavia, porém ( desculpe-me o leitor a redundância, mas prefiro usá-la para dar maior veemência) é profundamente ingênuo considerar alguma regra fixa para fatos mutantes, os quais são regidas por diversas e muitas vezes oportunas circunstâncias.
- Não acredito que a prática pouco moral seja recomendável, nem que moral pouco prática funcione, mas é certo e verossímil que a ética deve se moldar de acordo as circunstâncias. Não há nada de errado em Maquiavel, senão o objetivo que é pessoal e deveria ser coletivo, pois o homem em boa parte é apenas um integrante de um todo. É verdade que um integrante muito mais singular que em qualquer outra sociedade animal.
- É preciso julgar cada caso de acordo com as suas particularidades. A boa moral, mesmo a iluminista francesa que pregava a liberdade, igualdade e fraternidade (valores muito conflitantes) deve nortear qualquer boa ética, mas esta deve ser pessoal, na medida em que uma mesma regra não se aplica ou se aplica de maneira diferente a todos os homens. Esta deve ser pessoal e adaptável, é verdade, devido às circunstâncias históricas, mas algumas regras imutáveis devem nortear o agir e a própria concepção dessa ética. Uma ética não pode ser boa se não visar o bem comum, não terá aplicação se não for justa e não será justa se não for maleável.
- Montaigne, em seus ensaios afirma que não pode se haver bem a alguém sem prejuízo a outrem. Bom, se o bem é pessoal, sem dúvida, a máxima de Montaigne é válida, mas se o bem visa o geral não há prejuízo. Não sou eu que vou falar que não deve se haver bem a pessoas em particular (eu seria o menos indicado a dizer isto, pois quase nunca resisto a esta tentação), mas é necessário que nunca se perca o bem geral como um dos objetivos centrais de um cidadão na verdadeira acepção socrática da palavra.
- A ética não deve ser um código de leis, mas um conjunto de orientações que devem ser adaptadas da melhor maneira possível ao momento. Só é possível agir eticamente se é levado em consideração as circunstâncias momentâneas. É verdade que é preciso sabedoria para adequar bem o agir a cada momento (entenda, desde o começo eu não venho pregando o oportunismo, até porque este é um bem particular em prejuízo do geral, apenas digo que o bem, que é geral, fixo e inabalável se adeqüe a história para que possa ter prática), mas é preciso muita insensibilidade para não agir de acordo com o momento. Algumas verdades são universais, mas sua aplicação sempre dependeu e sempre dependerá da circunstancia histórica.
- O melhor código do mundo nunca substituirá uma boa prática. De nada adianta ótimas intenções se elas não tem prática. A prática depende não somente da intenção, talvez até muito mais da viabilidade prática momentânea. Portanto, como já havia dito, de nada adianta a intenção sem prática e a ética só pode ser prática se é viável no momento. Retorno a afirmar "nenhuma ética é boa se não visa o bem geral" e portanto não estou dizendo que a praticidade deve ser um fim, o fim deve ser o bem geral, mas a adequação à realidade deve ser um meio obrigatório para uma boa ética pessoal, adaptável, de bons princípios e que vise o bem geral, uma ética de verdade como nunca se viu.
Giordano Maçaranduba é estudante do 4o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para Giordano Maçaranduba ou para a direção do jornal.
© 1997 1998 1999 Jornal Integração Todos os direitos reservados
|