Deconcertant et Sublime – Premier Prodige et Dernière
Merveille! L’Homme Créateur et le Capitaine Satan.
José Luiz Dutra de Toledo
Il free Glatiator y sus souvenirs intimes et gratis!… Dents blanches
en l’Exposition do sorriso feliz. Viva la jardiniere! Prenez garde? Tin
tin ... On Maigrit. La Gran Via de Madrid en la Chuenca gay... Place
des Prazeres. La Via Appia dos soldados romanos e suas sacanas sandálias
de couro. Old England!... Le Satan Lutin in Germany. Drácula dançou
num forró coladera em Lisboa. Qual la rua de Rouen? La Roue? Aprés-midi...
l’orange.. l’oranjade... L’acqua frizante de Itália. Viva la Greece!...
“Quem é Deus? _É um vendedor de gravatas. (...)
O que é surrealismo? _ É a morte dos séculos projetando
uma sombra muito longa debaixo da água do sonho. (....) O que é
a pátria? _ É uma coisa sem solução. (...)
Um lençol com sinais de vômito italiano, uma lágrima
de Staline, uma cadeira de rodas ainda com o corpo, uma pulga do mar onipotente,
dorme, dorme, meu menino/ dorme no mar dos sargaços/ que mais vale
o mar a pino/ que as serpentes dos meus braços. (....) as esguelhas
do vizinho e o incólume lixo das visitas, o materialismo histérico
das paixões de Jane Eyre (...) a intranqüilidade funcionária
pública “contra” as já decorativas tranqüilidades “de
classe” (...) Francs, francs, francs... Lê Panamá em Louvre...
Bruxelles de la Bélgique!.. Düsserldorff love Théa
Rodin, parfum Deo pour femme... (...) Carta ao Egito.A poesia
não necessita de “ser salva”. Daí que resultem ridículas
as homenagens colarinho-alto ou selecta-de-infância com que é
costume, aqui e lá fora, enfaixar o cadáver daqueles que
como Fernando Pessoa, Rimbaud ou Gomes Leal foram em vida o mais esforçado
testemunho contra o bom-senso-não-deites-a-língua-de-fora.
(...) a marcha do desejo necrófilo... o poeta, o fogo e a vela na
comunidade das cinzas (...) A poesia está na origem do símbolo.
(...) Atenção ao domínio das coisas esquecidas!...
(...) O Cálice Romano no ritual da Pedagogia Social e o soutien
meia taça de lingerie, estou adorando o creme dental anti- tártaro
do supermercado Pingo Doce de Lisboa. Champs, Deo Colônia de Pierre
Alexander. BAC Aktiv – Deo 24 h Wirksystem... Pflegt mit Sensiva und… Ohne
Alkohol … (...) A vida é dourada como uma gema, como um resplendor
de raios solares, como o ouro do cálice do sacerdote... (...) A
morte is plúmbea. (...) Manjares aos deuses do Inferno, mexericas
ou bergamotas esmagadas num jarro com urina humana. (...) Altura e miséria
são dedos de água, são a hélice e as argolas
do Castelo de Sade. Nossos impulsos não coincidem necessariamente
com qualquer lei moral imposta. A verdadeira ciência é o saber
esquecido. O meu cérebro marcha através dos vossos olhares
e a atmosfera poética resplandece de milhares de estrelas. Aqui
já ninguém busca um séqüito... o caminho lento
e incendiário do Amor, o perfume exótico da paisagem petrificada
e um jardim com flores de larvas vulcânicas ainda ígneas servem
como molduras para meus filmes e passeios em torno do Sol. Eu gangorro
e sinto um sopro na barriga do meu coração, um vento gostoso
nas pernas... Mas que restaurante mais apertado este no qual nos enfiamos
para jantar! No Alto, em Lisboa.. perto da praça do Príncipe
Real. My God!... Talvez as salas se desmoronem contigo para revelarem o
segredo dos juízes. (...) o teu corpo envolvido em vermes e rosas
debruça-se febril nas montanhas (...) a loucura mais lúcida
no trânsito da cidade (...) o pássaro vem dançar sobre
o teu rosto (..) Começa outra vez o crepúsculo antigo e pressentido...
o cinzento das coisas em putrefação... a tua morte acariciada
pelas tuas mãos (...) catedrático mendigo comendo vorazmente
dulcíssimas canetas esferográficas (...) Congratulações
foram esquecidas. Distribuam-se os prêmios de consolação
e despejem-se os espectadores nos bolsos da eternidade. Recusamos o consolo
moral e o sofá da adjetivação. O mundo não
começa às nove e quarenta e cinco. (...) Recusamos a casa
da misericórdia, a transfusão de sangue... recusamos a sintaxe,
o Alvim, o amendoim... (...) Aceitamos a confusão, aceitamos dinheiro,
gêneros alimentícios, cobertores, apitos, gritos, o rock do
U-2 , conflitos, detergentes, oratórios do século XVIII,
antissépticos, anti-histamínicos, alguns anti-bióticos
e Boas Festas. (...) Aceitamos também os touros da morte.
(...) O que é o amor? _É uma rua muito sossegada onde só
se passou uma vez. (...) O que é a nobreza? _ É o vento
vindo dos bosques. (...) O que é o sonho? _ É o simulacro
da melancolia. (...) O que é a noite? _É um texto muito antigo
entoado por uma multidão de sapos. (...) O que é uma noz?
_É um nicho barroco de óleo divino e assassino. (...0 Quem
é a tua mãe? _É um mendigo que espera pela noite para
rir. (...) Porque vivia? _ Porque houve sempre quem o quisesse matar. (...)
fixando a vitrine da Sociedade Pancada & Morais (..) uma coleção
completa de lápis de cor foi o meu objeto de desejo natalino em
1958 (..) Procedeu-se entusiasticamente à mineralização
do osso do guerreiro. (...) Depois da queda do Salazar não se falou
mais do romancista Fernando Namora. (...)Uma paz inquieta ondulou, um sangue
solidificado cristalizou. Tudo era o ventre da serpente. Dançávamos
sobre o sangue da coruja, possuíamos as pedras negras caídas
da lua (...) Nossos olhos crateras de lama negra. Éramos fortes.
Morríamos cedo. (..) Tomava mingau de aveia e exercitava-me nos
crivos de Eratóstenes. (..) entradas e saídas de barcos a
pavor me estontearam até despencar-me escada abaixo. (..) Tristana
e Viridiana viram a cabeça do sacrificado atada ao badalo do sino
da torre mais alta da catedral de Huesca , em el Reíno de Aragon,
sentindo-se incluídas num daqueles indigestos pesadelos do glutônico
Goya. Viva Luis Buñuel!... ( Fim dos diálogos poéticos
entre José Luiz Dutra de Toledo, o centenário Luis Buñuel
e o poeta e ensaísta surrealista português Mário Cesariny
encastelado em seu aristocrático livro Antologia do Cadáver
Esquisito editado em 1989, em Lisboa, pela Assírio & Alvim
Cooperativa Editora e Livreira C. R.L. – rua Passos Manuel, 67-B e impresso
na Tipografia Guide – Artes Gráficas.
Alice, no país das maravilhas, descuidou-se e torceu o pé
e agora sente uma dor danada.
Leiamos agora, caros leitores, testículos ou textículos
do teatrólogo espanhol Fernando Arrabal, um dos mais importantes
escritores espanhóis do século XX e muito desconhecido no
Brasil.
Definições, jaculatórias e arrabalescos sobre a
moderníssima médica encerrada em um preservativo:
I- Definições: **** internófobo- simpático
e corretíssimo cidadão que não compreende o poeta
quando sussurra: “ Se não tivesse lápis ou canetas escreveria
com cinzas.”
*****especialista em AIDS- moderníssima médica
encerrada em um preservativo de dois metros e com uma janela a meia altura
para tratar os assuntos urgentes boca a boca com seus pacientes.
**** Angleton, James Jesús – criador da revista de poesia Furioso,
na Yale University, com seus amigos Dylan Thomas, Cummings y Ezra Pound.
Poucos anos depois dirigiu a CIA.
**** A sétima e última tese do Tratado de Wittgenstein
diz: “ Do que não se pode falar, guarda silêncio.” (!....)
Filosofia do Armário. Embutido.
****Humildade- virtude que permite extrair fraqueza e recolhimento
de qualquer triunfo.
**** A - religioso- extravagante agnóstico que nem sequer não
crê em Deus.
****Lola Montes – Amante inglesa (e muito tesuda!) de Luiz I da Baviera.
Apesar de seus devaneios com Liszt, o rei a locupletou de regalos e dádivas,
provocando com isto a ira popular e sua própria abdicação,
sem necessidade de impeachment.
****Inferno- obrigatória etapa subterrânea no caminho
para a apoteose.
**** Beckett, Samuel – jovem admirador de Joyce... a partir de uma
crítica da linguagem alcançou uma visão mística
atéia.
****Profundidade- labirinto não só para burros onde o
bípede mais comum pode se extraviar deliciosamente.
**** Estética – outro nome da Ética. Tolstoi disse: Deus
é meu desejo.
**** Nacionalistas- gigantes perseguidíssimos por fanáticos
anões e pelo liliputiano Jonathan Swift.
J. Swift escreveu a Pope em 29 de Setembro de 1725: “ Me causam horror
todas as nações, todas as comunidades, meu amor só
é dirigido aos indivíduos. Abomino os ingleses, os escoceses,
os franceses e todos os demais.”
**** Diálogo – Dois monólogos sem apoio metafísico
nem consolação religiosa. Por exemplo:
Wittgenstein:_ Vou à Noruega.
B. Russel: _ Lhe previno que lá os dias são muito escuros.
Wittgenstein:_Odeio a luz.
B. Russel:_Vai se sentir tão só!...
Wittgenstein:_ Quando falo com seres inteligentes me prostituo.
B. Russel:_Estás ficando louco.
Wittgenstein:_Que Deus me livre da gordura!...
B. Russel:_Isso é o que Deus vai fazer.
Wittgenstein:_E você, o que faz?
B. Russel:_Uma Organização Mundial para a Paz e a Liberdade.
Wittgenstein:_Que divertido!...
B.Russel:_Suponho que prefira que eu fundasse uma Organização
Mundial para a Guerra e a Escravidão.
Wittgenstein:_Sem dúvida.
Jaculatórias
**** O horroroso egoísta para melhorar o mundo se contenta com
melhorar a si mesmo, sem inscrever-se em partido político ou em
ONGs. ***** Pinta quadros por que não tem suficiente caráter
para abster-se. ******Deus não criou nem o sapo nem o terremoto,
porém alguém os criou. ***** Otto Weininger escreveu Sexo
e Caráter e suicidou na casa em que morreu Beethoven pensando que
o surdo músico não ouviria os disparos.
José Luiz Dutra de Toledo é historiador
formado pela UNESP.
Mande um e-mail para José
Luiz Dutra de Toledo ou para a direção
do jornal.
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