Sobre o amor II, 2
Giordano Maçaranduba
- Antes de começar propriamente o texto no qual escreverei sobre um assunto o qual venho escrevendo bastante nos últimos meses: o amor. Este parece ser um assunto que eu não consigo a um meio termo considerável para me fundar numa concepção razoavelmente sólida. Como minha função não é dar alfafa para juiz para aproveitar a frase do Armando Marques, vamos direto, mas serena e cuidadosamente ao assunto, já que ele deve ser tratado.
- Ainda com prólogo ao texto devo avisar ao leitor que não consultei nenhum dos textos anteriores sobre o amor assim corro o risco de repetir alguma concepção, mas se isso for feito o será para ampliar seus horizontes ou restringir o seu significado quando estritamente necessário. Ainda devo adverti-lo leitor que corro o risco de destruir ou criticar uma concepção anteriormente proposta, se o fizer será em nome da pluralidade democrática.
- Sei que eu já falei isso, mas reafirmo o amor é eminentemente político, só se define e se traduz pela ação, pelo planejamento da ação e principalmente pelo sentimento da ação. Estou afirmando, mas se alguém me provar o contrário (tomara que não provem) como sempre estarei disposto a rever minhas concepções. Eu afirmei uma coisa e portanto pela lógica devo prová-la. Vamos lá. O amor é um sentimento político porque sempre se refere a um objeto(1) externo, mesmo se tratando do amor narcísico porque esse se trata do amor a própria imagem, que é portanto um objeto externo (Quanto aos outros amores não paira nenhuma dúvida de que o universo, pessoas, deuses, humanidade são objetos externos(2)). Outra faceta que demonstra o caráter político do amor é o fato já exposto de sua interdependência com a ação, pois o amor só se expressa pelo desejo de alguma ação, qual seja afagar a amada, fazer amor ou simplesmente estar próximo ou pensar nela ou em sua ideologia. Ainda outro fator demonstra a politicidade do amor, pois é ele ( todos os tipos dele) que agrega as pessoas. É um sentimento eminentemente unitário(3).
- Embora ele seja profundamente político, acredito nessa concepção e não desejo mudar de idéia, ele também é um sentimento de caráter sumamente individual, apesar de unir objetos e sempre se ser a relação de um objeto com outro ou com outros. É um sentimento extremamente individual por que se constitui nas pessoas de maneiras bastantes singulares, sendo assim em cada pessoa ( ou em cada coisa, não vou mexer com isso por enquanto) o sentimento toma ares completamente diferentes porque em cada indivíduo a subjetividade e a experiência o molda de acordo com as suas conveniências. Um amor nunca é igual a outro ( é verdade que podem se eqüivaler, mas nunca se igualar, graças a deus). Assim, desculpem-me o infame exemplo, cem gramas de ouro podem eqüivaler a um quilo de prata, mas nunca ser igual.
- Sinto ter feito uma comparação extremamente infame (me penitencio por isso!), mas minha mediocridade não conseguiu achar uma maneira mais fácil de explicar, peço humildemente desculpas aos que foram atingidos por essa infâmia. Sinto-me muito triste por ter feito isso, não sei se conseguirei prosseguir dentro da minha costumeira e esperada mediocridade. Acredito ter constituído bases sólidas para comprovar ( ou ter pelo menos a esperança de...) que o amor é eminentemente político.
- Agora cabe-me propor que o amor é liberdade e vida. Tendo exposto o corolário sobre amor e política, torna-se muito mais fácil provar isto. Acho que ninguém tem dúvida que a vida é um ato político, mas se alguém duvida disso cabe pensar sobre a existência de vida fora da convivência com outros objetos (aliás, frase que utilizei da mesma maneira para o amor, vida e amor se confundem muito). Na verdade eu acho que a grande diferença entre vida e o amor é que a vida se refere a um objeto em si, e não através dela um objeto se refere a outro (droga de objeto!!! Esse negócio de objeto me causa conflitos irremediáveis). Mas voltando ao assunto como o amor é eminentemente relacional e agregador e a vida é eminentemente social e política, porque mesmo se queira ou não mesmo o mais isolado e insociável dos homens se relaciona com a idéia do homem, portanto quando o homem não se relaciona com o ser humano se relaciona com a sua idéia. Portanto, a partir daí, só posso acreditar que o amor é o maior instrumento da vida (para provar que o amor é a vida seria preciso um corolário e uma demonstração imensa, fica para outro texto, por enquanto aceitemos simplesmente a relação intrínseca entre amor e vida, já biologicamente provada, mas que pretendo ter idealmente(4) comprovado). O amor é liberdade por que a partir dele e somente partindo dele o homem cria bases sólidas, as relações, que justamente permitem que ele seja livre, por que não se pode ser livre se a sua liberdade não é reconhecida por outros homens (obviamente eu estou falando de pelo menos um grupo). Essa teoria necessita muito mais estudo para ser demonstrada, mas... o homem só é livre se reconhecido por suas relações e só é livre em suas relações. Ora o que estabelece as relações, o amor, justamente o amor. Mas não é a liberdade que funda e é fundada pelas relações? Pus o carro na frente dos bois. Voltemos... a liberdade funda as relações por que é a partir dela e só com ela é que se pode estabelecer relações (relação só se dá entre pessoas que em algum momento podem ser iguais, portanto entre um cidadão grego e um escravo não há relação, mas entre um governante e um mendigo pode haver relação por num momento eles são iguais: são reconhecidamente seres humanos, status que por vezes não foi dado ao escravo). Só duas pessoas livres podem ser iguais (olha eu estou dizendo podem, não estou dizendo que são, quisera eu que a sociedade reconhecesse ela toda como igual e fraterna, como foi propagado pela falaciosa Revolução Francesa.
- Então exposto que amor é vida e liberdade fico satisfeito de ter feito isso, não tenho a ilusão de ter provado, mas eu espero que algum de vocês, que com certeza são muito mais inteligentes que eu, prove essas idéias. Muito Obrigado e desculpa qualquer ofensa ou mágoa criada pelo texto. Valeu, gente!!! (olha eu continuo afirmando, esse Giordano Maçaranduba é um louco do 4º ano de jornalismo)
- (1) O termo objeto, embora seja um termo que eu não goste muito, não conheço outro termo que designe seres brutos, animais, personalidades, sentimentos, concepções, portanto no que se refere a pessoas, eu peço desculpas é horrível esse termo, mas em nome da generalização sou obrigado a utilizá-lo em nome de um certo respaldo científico.
- (2) Venho usando objetos externos por conta de um certo respaldo da psicologia, da sociologia e da mãe das ciências.
- (3) Vale lembrar que unitário no Aurélio tem também o significado de partidário da unidade, sectário do unitarismo.
- (4) Ô, eu tô falando de idéia e não de ideal, perfeição.
Giordano Maçaranduba é estudante do 4o. ano de jornalismo da UFG.
- Mande um e-mail para Giordano Maçaranduba ou para a direção do jornal.
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