Resta sempre uma saudade
Daniela Soares
- Não gosto de despedidas, nem mesmo, ou principalmente, quando apenas uma olhadela de rabo de olho substitui o que se queria ter dito. Não foi dito. Mas agora me vem uma vontade indizível de te falar e é isso que importa, evitar que o silêncio prolongue o incômodo do que ficou por dizer, pois, como com os cristãos, a remição à encenação só acontece quando se confessa o que ela realmente foi. Só uma encenação.
- E é por isso que venho me despedir de você, rapaz. Você tem razão de ir assim, o seu lugar não é entre vacas e bois a respirar cheiro de estrume. Mas antes, veja as pessoas e os cantos e quinas de suas ruas, corredores e escadas, que também já tiveram um pouco da história delas contada por você.
- Me despeço com aquela voz íntima pedindo perdão pela omissão, por mais que a nossa relação muda tenha sido apenas mais uma criação da minha mente fantasiosa. Fica a lembrança daquela tão pouco usada camisa verde e do seu vulto a passear pelos corredores de então; do seu corpo esguio e lânguido que, mesmo sabendo que aquele lugar não lhe era superior em nada, parecia estar como que pedindo desculpas por ocupar lugar no espaço. Sua presença, apesar de distante, sempre me foi um conforto que não deixava perceber que o tempo é inadiável, por isso a minha ausência.
- Só me resta aquela vontade de saber "onde anda você, onde andam seus olhos que a gente não vê" ... Resta sempre uma saudade.
Daniela Soares é estudante do 3o. ano de jornalismo da UFG.
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