Sobre o amor - II, 1
Giordano Maçaranduba
- No texto Sobre o amor – II, houve um erro metodológico terrível: evocou-se uma cientificidade impossível para um assunto tão complexo. O amor não tem definição, a semântica e a psicológica muito esclarecem, mas não o definem. A experiência é item fundamental nesse processo de definição e em se tratando de verbos superlativos ou hiperbólicos, amar só se aprende amando e viver, vivendo. Portanto só se pode definir a vida, vivendo e o amor, amando. Cientificismo nenhum pode ser usado como argumento para defini-los, pois seria uma explicação muito restrita, que abrangeria poucos aspectos, sendo assim totalmente incompleta.
- Embora as idéias sejam uma grande contribuição para se ter uma noção mais ampla do amor, nem a sua historicidade, altamente questionável, nem a teoria dos três degraus da escada, essa praticamente estruturalista, mas muito particular e com muitas contestações, conseguem pelo menos vislumbrar uma solução teórica para a definição do imperativo sentimento. Os verbos definitivos são sem nenhuma dúvida políticos, se definem e se constróem pela ação. Não há como defini-los senão pela ação, a experiência ( e a sua reflexão) é a sua própria nomenclatura, daí porque é tão complicado tornar idéia o que é ato, dificuldade comum aos seres humanos. Há sempre a parcela perdida na definição.
- Não nego as definições do texto anterior, creio nelas. Se não acreditasse nelas, com certeza não as apresentaria em jornal tão sério e que me é tão caro. Somente é necessário acrescer uma sensibilidade a definição, o que tentarei pelo senso comum acrescentar neste texto ( que se deus quiser será curto, mesmo). Ainda pelo achômetro, que me será um instrumento muito útil neste texto, há uma herança muito forte ainda dos períodos antigo e medieval, o amor platônico e o cortês subsistem e que embora no outro texto tenha sido feito uma gradação dos tipos de amor por sua finalidade, sendo tanto mais forte quanto mais particular, fato que reafirmo: o amor erótico é mais forte e mais objetivo que o amor por afinidade, que é mais poderoso que o amor vital, que o é mais que o amor universal. A afirmação é correta quanto a objetividade, e portanto pelo sentido e notável, no entanto não há como mensurar amores, já que o verbo é superlativo, o que é infinito é incontável e portanto não pode ser maior ou menor, mas repito quanto a notabilidade a ordem crescente vai do amor universal ao amor erótico.
- Não há como negar que essa é uma convicção minha e de muito senso comum, embora tivesse evocado algum método e alguma ciência e que há teorias que evocam uma restrição de poder do amor junto com a sua particularização, teoria muito justa, a qual eu poderia até aceitar como paradigma válido não fosse a minha forte convicção de que quão mais particular e definido o objeto de uma ação, mais efetiva é essa ação. Por outro lado, e aí sim eu poderia entender essa teoria, menor é o campo de ação e menor a efetividade global, nesse caso há uma inteira razão em quem evoca essa teoria, no entanto, como compreendi que o amor é um laço que une pessoas, grupos, coisas e objetos e só secundariamente se refere ao todo, mantenho minha idéia, mas não sem fazer esse contraponto.
Giordano Maçaranduba é estudante do 4o. ano de jornalismo da UFG.
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