A copa se foi (literalmente!)

Guillermo A. B. Rivera

O artigo de hoje será mais ameno. Não vou especular quem foi que escalou Ronaldinho para a final - e nem engolir a explicação oficial - pois isto não é atitude de um (quase) jornalista. Ao invés disso, foi esperar o desenrolar dos fatos para depois analisá-los. E, até lá, vou tentar fazer neste longo artigo um balanço da Copa do Mundo que passou, da última Copa do século XX, da Copa Jumbo.

Jumbo em três sentidos. Primeiro, esta foi a Copa que movimentou o maior volume de dinheiro em todos os tempos. Mas isso é um processo cumulativo, e a Copa de 2002 deve superar tranqüilamente esta última. Segundo, a audiência da Copa foi de três bilhões de pessoas, ou seja, Jumbo no tamanho de público. No entanto, vale também para este último ponto a mesma justificativa do anterior. E ela foi também imensa no número de países. Tivemos mais de 180 países envolvidos em Eliminatórias que apontaram as trinta e duas nações classificadas. Isso mesmo, TRINTA E DOIS classificados !!

Mesmo com este número absurdo de Seleções, a qualidade técnica do torneio não piorou, como pregavam alguns (eu, incluído!!). Mas isso se deve ao fato de que as novas regras impostas pela FIFA serviram, quem diria, para melhorar a qualidade do jogo no geral. Porque as nações beneficiadas pelo inchaço pouco ou nada acrescentaram à Copa, e só mostraram que não se classificariam caso fossem as mesmas vinte e quatro vagas de antigamente. Se não, vejamos. Caso fossem 24 vagas em disputa, estariam matematicamente fora da Copa África do Sul, Tunísia, Irã, Japão, Jamaica, Chile, Escócia e Croácia. Dessas, quais fizeram bonito, e mereceram estar no Mundial ? Só a Croácia. Tudo bem, talvez o Chile, mas e as outras seis ? Reduzir a Copa para vinte e quatro ou até dezesseis nações é algo a ser pensado em um futuro bem próximo.

Passemos agora à análise futebolística propriamente dita. A Copa mostrou um avanço na ofensividade das Seleções. Isto se refletiu em um Mundial de postura geral também ofensiva. Ironicamente, no entanto, esta Copa teve um artilheiro com os mesmos seis gols de sempre e uma média de gols abaixo da defensivista Copa passada. Talvez o fato da crescente globalização do futebol está ajudando os técnicos a estudarem melhor seus adversários e a se precaverem contra possíveis surpresas. Tanto é verdade que tivemos apenas duas zebras na Copa, Marrocos e Croácia.

Duas mentiras táticas foram divulgadas nesta Copa : de que as equipes jogavam no 3-4-3 e de que o futebol de resultados, com a eliminação de Itália e Alemanha, chegou ao fim. Quase todas as seleções jogavam no 4-4-2 com um volante, dois meia-armadores e um volante estilo Seedorf (que, incrivelmente, não cumpriu esta função), ou seja, combinando ambas funções, de marcação e armação, sendo primordialmente um defensor. Apenas a bela Holanda, sempre ela, inovou. Voltou aos anos 40 e 50 e trouxe o 4-2-4, que se recuava em 4-3-3 em poucos momentos. A única equipe que jogou no 4-3-3 puro foi a Croácia e, mesmo assim, muitas vezes Vlaovic virava meia quando o próprio meia Asanovic atacava, voltando ao 4-4-2.

E sobre o futebol de resultados, que não morreu. O que morreu foi o triunfo de equipes que se garantiam na defesa e atacam mal. Entre as quatro equipes das semifinais, estavam as três melhores defesas na média, e a França sagrou-se campeã com apenas dois gols sofridos, o que inclusive é recorde.

Toda pessoa que analisa Copa e se preza indica uma Seleção do Mundial. E comigo não será diferente, é claro. Aí vai : Chilavert; Thuram, Gamarra, Desailly e Lizarazu; César Sampaio, Davids, Okocha e Roberto Baggio; Bergkamp e Suker. Como revelação, o inglês Michael Owen, a unanimidade (inteligente ?) da Copa. E para dirigir essas feras, só mesmo o croata Miroslav Blasevic. A melhor seleção foi a Croácia, com a Holanda em segundo e França em terceiro. A pior foi a Bulgária, mas com os Estados Unidos coladinhos. A decepção foi a Romênia, e a surpresas Dinamarca e, claro, Croácia.

Esse artigo se delongou por demasia, como diria um conhecido meu. Terei que encerrar com aquele gostinho de "quero mais" - ou de "finalmente". Na próxima vez estarei analisando este meu último parágrafo. Até lá, vamos especular ao menos em mesas de bar o que houve com o Ronaldinho, afinal. E até a próxima !!!

Guillermo A. B. Rivera é estudante do 2o. ano de jornalismo da UFG.

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