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Sistema óptico refrator -Fonte: Homens, Planetas e
Estrelas, Fundo de Cultura Brasil- Portugal |
Este sistema
óptico, utilzado no primeiro telescópio astronômico constuido por Galileu em
1609, emprega uma lente objetiva em uma das extremidades de um tubo. Esta objetiva coleta a luz dos astros e a
concentra na extremidade oposta do tubo onde a lente ocular é colocada.
Um refrator típico tem pouca massa, sendo assim muito portátil, e
requerendo pouca manutenção visto que as partes óticas, voltadas para o
interior do tubo, ficam isoladas do contato com atmosfera. Esta última característica
proporciona a inexistência de correntes
de ar no interior do tubo, ocasionando uma imagem de melhor qualidade se
comparada com refletores de mesmo porte.
Para que um telescópio deste tipo possa atingir seu potencial total,
todos os elementos ópticos necessitam ser alinhados corretamente. Isto é
chamado de colimação. Um refrator de qualidade sairá da fábrica com colimação
próxima da perfeita e provavelmente nunca necessitará de ajustes por parte de
seu proprietário. A falha principal que pode afetar o sistema é aberração cromática.
Os comprimentos de onda da luz, incidentes em uma lente, se dispersam em
ângulos variados de modo que estes não se concentram em um mesmo ponto (foco).
Como conseqüência, se poderão visualizar halos coloridos em torno de objetos
brilhantes, em observações com refratores de baixa qualidade. Para minimizar a
aberração cromática, a objetiva de certos refratores é constituída com a
associação de duas (dubletos) ou mais lentes convergentes e divergentes. Estes
são os refratores acromáticos. Refratores que empregam associações de lentes
com vidros de índices de refração diferentes, para proporcionar a correção da
aberração cromática, são chamados de apocromáticos. Estes refratores
apocromáticos são muito utilizados por astrônomos amadores na obtenção de
fotografias dos planetas e da Lua. Entretanto, este instrumento tem em um preço
elevado, devido à alta precisão requerida para confecção das lentes e pelos
tipos de vidros utilizados. Outro empecilho é a limitação do diâmetro das objetivas devido a deformações das
lentes com seu próprio peso. Esta deformação ocorre pois as lentes são apoiadas
apenas nas suas periferias, o compromete sensivelmente a qualidade de imagem.
Como resultado, o número de objetos que
podem ser observados visualmente é menor
do que os que são observados com telescópios de maior abertura.
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A aberração cromática pode ser corrigida pela
associação de lentes convergentes (alto) e divergentes (centro). A esta
associação, quando de duas lentes (última ilustração), se da o nome de
dubleto. Fonte: O Universo, Livraria e Editora José Olympio |
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Sistema óptico newtoniano
(esquerda) - O observador vislumbra os astros no ponto indicado pelo
olho.Fonte: Homens, Planetas e Estrelas, Fundo de Cultura Brasil- Portugal. |
Um telescópio refletor é aquele
que emprega espelhos para concentrar a luz dos objetos de estudo. O refletor
mais conhecido é o newtoniano, criado por Isaac Newton, que emprega dois
espelhos em seu projeto óptico. O espelho côncavo principal é colocado na
extremidade oposta a da entrada de luz no tubo do telescópio. Este espelho
coleta a luz e a reflete a um espelho secundário, centralmente posicionado no
tubo, próximo a entrada de luz. O espelho secundário, um plano perfeito
inclinado de 45 graus em relação ao eixo óptico, reflete a luz para a direção
da ocular.
Os objetos de baixo brilho (grande magnitude), requerem um telescópio
com pelo menos 15cm da abertura para serem adequadamente visualizados. Como os
refratores de aberturas equivalentes são extremamente caros, o refletor
newtoniano é muito popular entre os observadores de objetos de baixo brilho.
Este preferência é justificável pela maior facilidade de construção, pois é
necessário se construir uma única superfície óptica, e permitir o uso de grandes aberturas já que o
espelho pode ser adequadamente apoiado para que não se deforme.
Os espelhos são suscetíveis à aberração esférica, que se constitui na
incapacidade em convergir para um mesmo ponto (foco) os raios paraxiais. A
solução para este problema é a introdução de uma figura parabólica no espelho
primário. Outras aberrações que podem ser encontradas em um refletor são a coma
e o astigmatismo. A coma ocasiona que as imagens de objetos, próximas aos
limites do campo de visão, se apresentem “alongadas”. O astigmatismo produz um
alongamento vertical ou horizontal das imagens dos objetos, quando posição
focal é variada em torno de ponto ideal. Para manter a coma e o astigmatismo a
um mínimo, os refletores requerem verificações regulares em sua colimação.
Outra desvantagem é a presença do secundário e seus suportes que ocasiona
difração da luz, resultado no efeito “estrela de natal”, fazendo com objetos
brilhantes apresentem “pontas”. Um exemplo deste efeito pode ser visto no
“Astronomy Picture of the Day” de 01/12/2002
(http://antwrp.gsfc.nasa.gov/apod/ap021201.html), mostrando o aglomerado estelar aberto das Plêiades.
Outro tipo de refletor é o Cassegrain. Este sistema óptico é muito
utilizado nos catadióptricos comerciais, que usam lentes para corrigir
aberrações nos espelhos principais.
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- Sistema óptico Cassegrain.Fonte: O Universo,
Livraria e Editora José Olympio |
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Os chamados rádio-telescópios
são telescópios que geralmente se valem do sistema refletor Cassegrain. As
diferenças entre os telescópios tradicionais são a faixa de comprimentos de
onda utilizada, entre 0,01m e ~80m e o baixo poder resolutivo, se
comparado com os telescópios ópticos. |
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A câmara de Schmidt é um exemplo
do sistema catadióptrico. A luz dos astros passa pela lente de Schmidt sendo
lançada ao primário e posteriormente a um anteparo, onde se encontra a placa
fotográfica.Fonte: O Universo, Livraria e Editora José Olympio |
O catadióptrico combina a portabilidade
do refrator com o ganho de luz do refletor. O telescópio Schmidt-Cassegrain é o
catadióptrico de uso mais popular por astrônomos amadores no exterior. Seu
sistema óptico utiliza uma lente de Schmidt colocada na extremidade do tubo,
por onde a luz proveniente de objetos distantes entra. Esta lente direciona os
raios para direções de incidências apropriadas no espelho primário (côncavo,
figura esférica), reduzindo as aberrações esféricas, fazendo com que seja
desnecessário o uso de um espelho primário com uma figura parabólica. O espelho
primário, colocado na parte oposta a da entrada de luz, dirige a mesma a um
espelho secundário, montado centralmente na lente corretora. Finalmente, a luz
é refletida através de uma perfuração no espelho principal para a ocular e o
observador. Este tipo de telescópio se vale de um tubo relativamente pequeno,
em oposição a grande distância focal resultante devida ao efeito multiplicador
do secundário, e aberturas entre 9 e 41cm nas versões comerciais. Isto resulta
em um telescópio adequado para todas as propostas de observação, como a
astrofotografia, sendo mais portátil que refletores de abertura similar e serem
amplamente supridos de acessórios para tal..
O um dos maiores problemas que instrumentos mistos é a condensação
que a lente corretora apresenta em
noites úmidas