O número de pessoas prejudicadas por práticas charlatanescas é desconhecido. A maior parte desses danos não é publicada porque as vítimas ou estão muitos confusas ou embaraçadas demais para seguir adiante. Como o historiador James Harvey Young, Ph.D., apontou em The Health Robbers: A Close Look at Quackery in America:
O fracasso raramente diminui a lealdade do paciente. Quando agências reguladoras procuram processar charlatães, elas têm uma tarefa difícil, conseguir pacientes desafortunados para testemunhar nos tribunais. Parcialmente isso resulta do desejo em evitar exposição pública como alguém ingênuo fácil de se enganar; mas freqüentemente essa objeção em testemunhar reside na incapacidade de perceber que houve um caso de fraude. Muitos charlatães fazem um trabalho tão bom em mostrar sinceridade que suas explicações parecem todas muito plausíveis. Mesmo pacientes que encaram a morte acreditam na pessoa "bondosa" que diz que o remédio especial teria funcionado se o tratamento ao menos tivesse começado um pouco mais cedo.
Para ilustrar os perigos do charlatanismo, este site publicará relatos de vítimas cujas histórias se tornaram públicas -- ou através de seus esforços diretos ou através dos processos que chegaram ao nosso conhecimento. É necessária uma grande coragem para as vítimas (ou seus sobreviventes) admitirem que elas ou seus entes queridos cometeram um erro grave.
Mesmo quando se entra com um processo, pode haver pouca ou nenhuma publicidade. Os noticiários freqüentemente consideram que poderia ser injusto ao réu publicar o caso até que seja dado o veredicto do júri. Os advogados instruem seus clientes a não discutirem seu caso com ninguém Os advogados do queixoso temem que um juiz possa concluir que a publicidade interferiu com o direito do réu a um julgamento justo. Os advogados de defesa querem minimizar a publicidade que poderia prejudicar a reputação de seus clientes. Ambos lados também podem temer que a conversa solta possa estragar seus casos de outras maneiras. A maioria dos casos meritórios são resolvidos fora dos tribunais anos mais tarde com o entendimento de não revelar os termos do acordo e, em alguns casos, os detalhes do caso. Tais entendimentos secretos podem impedir que a impressa conheça o acordo e pode fazer com que seja impossível para a mídia conseguir detalhes suficientes para considerar que valha a pena publicar ou noticiar.
Casos individuais indicam que um grande mal está sendo cometido, mas não indica quantas pessoas estão sendo prejudicadas. O presidente do National Council Against Health Fraud William T. Jarvis, Ph.D., sugeriu que o desenvolvimento de um sistema de comunicação do charlatanismo nos moldes do sistema dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças na qual os médicos relatam casos de doenças com notificação obrigatória. Isso nos possibilitaria seguir os rastros daquilo que está sendo promovido, onde estão os "pontos quentes" e quais esforços legais e educacionais são necessários para uma resposta eficaz.
Em meados da década 1980, a American Dietetic Association pediu aos seus membros que relatassem casos de pessoas prejudicadas por um conselho nutricional inapropriado de "nutricionistas" falsos, funcionários de lojas de alimentos naturais e outros. Entre 1986 e 1990, a associação recebeu mais de 500 relatos desse tipo. Infelizmente, o sistema não tinha nenhum mecanismo para tornar os dados úteis para pesquisadores ou para educação do público. Embora os dietistas que enviaram os relatos conheciam a identidade das vítimas, os relatos não tinham nenhuma identificação e não foi feita nenhuma tentativa de buscar a permissão da vítima para publicar ou para investigar mais profundamente.
- Se você foi uma vítima e gostaria que o Quackwatch relatasse sua experiência, por favor entre em contato conosco em inglês. [ou em português]. Também estamos interessados em relatos de pessoas que foram espertas o suficiente para identificar uma fraude e evitá-la.
Esta página foi atualizada em 14 de março de 2002.