Apenas
uma história sobre patos...
Há algum tempo eu vi uma reportagem
muito linda na tv cultura. Aqueles programas que descrevem a vida e o comportamento
das mais variadas espécies de animais. Eu adoro animais!
Pode parecer que não existe
relação alguma entre o comportamento da maioria dos
homens e o comportamento dos patos canadenses (Ou cisnes, ou gansos,
ou marrecos, ..., não me lembro bem). É uma relação
de avessos, mas existe. Acredito que está faltando nos homens,
principalmente, o que tem de sobra naqueles patos: mais que
a capacidade de conquistar aquilo que desejam, os tais patos
têm a capacidade de manter esta conquista. As mulheres, sensíveis
que são, logo entenderão o que eu estou tentando expor
aqui. Os homens, nem tanto. Eu estou fazendo referência a uma
conquista continua, não simplesmente conquistar algo que tenha
um valor monetério e que passa a pertencer a quem comprou
e pagou. Não é necessário comprar a mesma coisa
duas vezes. Quem compra é dono. Conseguiu. Conquistou e pronto.
Ah!!! Mas, com pessoas é diferente. Repare: eu
estou me referindo às pessoas e não a objetos.
E estou fazendo apenas uma analogia. Há poucos dias eu estava
tomando um Jack Daniel's e me lembrei da história
dos patos canadenses, onde cada um conquista a
sua parceira (Com certeza o seu grande amor!!!) e monta uma primeira
família com ela. Para isto, antes, cada pato precisa
dançar, cantar, exibir suas plumas e sua força e mostrar-se
interessado em demasia. As plumas, a força e até a
dança dá para engolir como sendo sinônimos de "tentativa
de conquista", mas o canto: "qüeim qüeim qüeim",
é duro de ouvir. Nestes instantes, a pata fica quietinha,
inerte ao show, aliás, típico da maioria das fêmeas
no reino animal, inclusive entre as fêmeas humanas. Daí,
ocorre a tão desejada conquista. Então, eles constróem
o ninho juntos e montam uma primeira família. Mas
o sumo desta história não está aí, e
sim na seqüência. A cada início de primavera,
cada pato executa o jogo da conquista novamente. Talvez, algum
desavisado me pergunte: "E daí? Todos os animais se acasalam, ano
após ano seguindo ciclos próprios referentes a cada
espécie." Eu respondo: bem sei disto, mas..., há
um pequeno detalhe que faz toda a diferença: cada pato tenta conquistar
a própria pata com a qual montou a família no
ano anterior. Só que, para reconquistá-la, ele deve
fazer muito mais que fez antes. Ele tem que dançar melhor,
correr mais, exibir novas plumas, mostrar mais força
e ainda cantar melhor. Este "cantar melhor", aos meus ouvidos,
é o mais difícil, porém, as patas parecem
adorar estes cantos. Coisas do coração!!!
E quem vai entender o que se passa no coração de uma
pata?!?! E, enfim, a pata cede aos "assédios" e às
insistentes tentativas do "repretenso" pato. Existe esta palavra?
Entenda como alguém que pretende a mesma coisa mais de uma vez.
Se não existe eu acabei de criá-la. Assim, vou precisar
fazer uma patente. A cada inicio de primavera de cada
ano seguinte o ritual se repete. Cada pato não se interessa
por outra pata. Acontece que há uma predisposição
da natureza em fazer com que cada pata aceite novamente como companheiro
aquele mesmo insistente pato, dos anos anteriores, e não outro,
para ser seu parceiro. Ou, quem sabe, a pata reconhece
que o que vale no amor é a intenção, os gestos
e os desejos do coração? Neste caso, o amor de
"um repretenso" pato. Naturalmente, a pata o aceita
de volta. Sim, porque ela também quer que seja assim. Veja que coisa
linda!!!! Até um pato sabe que a vida a dois é uma conquista
contínua, não necessariamente monótona por isto.
E os homens, por minhas observações, estão se esquecendo
disto.
O ser humano, geralmente, quando
conquista alguma coisa (normalmente qualquer coisa, um objeto, um emprego,
até uma pessoa, e o etc..) pensa que aquilo já o pertence
porque um dia ele assim o conquistou. Poucos entretanto - eu
e estes tais patos canadenses estamos entre as exceções.
Sabemos bem que viver é uma conquista constante, não
apenas das coisas, pessoas e emoções que ainda não
temos, mas o primordial, uma conquista de tudo que temos de mais nosso,
uma "reconquista". E não há que se conviver
com a rotina por isto.
Restam duas perguntas: Seria a fidelidade
algo relevante para estes patos? Ou podemos chamar de amor
o que os fazem proceder assim?
E, para quem pensou que a história
acaba por ai, um interminável ciclo de tentativas, de conquistas
e ao final, mais uma família, engana-se. Em algum determinado
ponto da história, é natural que a pata morra, afinal,
tudo que é vivo um dia vai morrer. Pobre engano
de quem pensou que, quando viúvo, o pato adquire o direito
de tentar a sorte com outra pata. Claro que não. Ele não
procurou por outras antes em função de sua amada.
Ele não fez isto exclusivamente motivado por algo que
há dentro dele mesmo. E, o fato de ter ficado por mais
tempo vivo, na ausência de sua fiel companheira,
não o faz esquecê-la. Na verdade, ele é incapaz
de entender a morte. Principalmente, ele é incapaz de entender
a morte de sua amada.
Desde então, ele nada mais faz além
de procurá-la. Nada come, nada bebe. Não descansa e
nem dorme. Ao final de alguns dias, exausto, ele também
falece... Parece uma história triste... O pato, no entanto, entende que viver significa amar. Sem razoes para amar, viver para quê? Talvez ele não entenda a morte, tamanho o seu amor! Talvez ele entenda que o corpo sem vida da pata nao seja suficiente para representar a morte. E ele procura por ela (pela alma dela?!) até que seub corpo tambem esteja desproido de forças.
Talvez seja se
pensarmos apenas nesta nossa existência. E, se há motivos
para acreditarmos que os seres humanos se encontram no além, noutra
vida, noutro plano astral, bem... por que não acreditar que
também isto pode ocorrer para os patos ou outra espécie animal
qualquer? A história é esta, lamento se eu vi
tanto romantismo envolvido em um simples casal de patos que fazem "qüéim
qüéim".
Moral da história: "Amar
é a arte da conquista." / O resto é
bagaço!!! (O caçador de felicidade sabe muito bem sobre isto)
"Para mim você não tem defeitos: você é o
que eu gostaria de ser" (Katlen Alganner)
PS: Ela errou... Eu tenho defeitos que ela não pode perceber.