E o caçador foi interrompido de seu tranquilo repouso em plena
madrugada.
Um casal de gatos em declarada controvérsia a respeito da perpetuação
da própria espécie. Claro estava quem era prol e quem era contra.
Os midados graves bradavam um "sim". E os agudos repugnavam com um "não".
E este tribunal de discórdia, sem juiz, sem juri e sem advogados,
estava montado exatamente debaixo da janela do caçador.
Este apenas uma silencionsa testemunha camuflada na escuridão,
quem atento ouvia o, por assim dizer, inflamado diálogo.
O gato ciamês todo perfumado da vizinha "balsaka" deveria estar
dormindo ao lado direito da uma cama de casal ou se lamentando por
não estar participando do evento.
De certo, dentre os inúmeros pontos comuns entre as fêmeas mamíferas,
inclusive e especialmente as humanas, este merece destaque: as bases do amor
de uma gata são incompreensíveis.
Não está crédulo este caçador que um gato ciamês,
com pedigree, com veterinário à disposição, com
ração "wiskas" vitaminada e comprada em um shopping e
que dorme em uma cama de casal estilo colonial, teria maiores oportunidades
de sucesso. Este gato não obteria inexoravelmente êxito sobre
um gato vira-lata, faminto e que dorme em uma lata de lixo.
Contrário às mulheres que adoram receber flores mortas
embrulhadas em um plástico (Eu acho que ausenciei o romantismo!) dos
homens, os gatos machos só podem dar umas lambidas
nas fêmeas e manifester assim suas libidos. Posto
isto, qual o motivo de tamanha desavença?
Sei lá! É válido aqui o mesmo que vale para as
patas canadenses: "Vai entender o que se passa no coração de
uma gata!..."
E o melhor foi ouvir isto simultaneamentecom a música:
"Não importa com quem você se deite... Que você
se deleite seja com quem for..."
"O Ministério da Saúde adverte: o álcool corta o efeito
da maconha."