O caçador  e  a  Lua  ausente..
 
O caçador não se engana:  até  a  Lua pode  abandonar   sua  rotina, mas,  não ele sua caçada...
Ele sabe que jamais deve se esquecer. Um mero detalhe e a felicidade pode  esvair-se...
As  noites não se repetem: outra noite... outra história... outra poesia... outro desejo...
Ao final da tarde,  findo  o dia,  ele caminha ao seu  habitual repouso. 
Sua  perseverança, mantida  acesa  dentro de seu mais protegido refúgio,  o conduzirá  da  espera até a Lua,  prestes  a surgir pela noite vindoura... É sempre assim: a lua não falha como testemhunha.
Chegada a noite e não a  Lua, o caçador imaginou que ela poderia ainda não ter se produzido. Sim. Porque a Lua é vaidosa.
Ou poderia já ter  se cansado e ido embora. Isto mesmo:  a  Lua não espera por seus admiradores.
E ele foi à sua procura. Subiu  a uma montanha... Olhou  através do  escuro  transparente da noite. Seus olhos seguiram de um horizonte ao outro.  Viu estrelas.  Mas, e a Lua?!?!  Nada reflete em seus  olhos além de incontáveis pontos que pulsam...
Ao final, pensativo, já  sob   tímidos raios de sol,  ele entende que a Lua  também merece descansar... 
Ansioso, por ela esperou, não  em vão, na noite seguinte... 

Em tempo: Há   mais uma testemunha  que também viu o acima-narrado. Na verdade, é melhor dizer  "que também não viu"...   
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