O caçador de felicidade e a relatividade | ![]() |
O caçador de felicidade é
jovem e aventureiro, mas não exatamente inconsequente. Ele
é um peregrino e persegue tudo o que deseja com incontrolável
avidez. Ele não faz morada por muito tempo, pois,
sabe que o mundo é vasto e enigmático. Ele não
faz de seu universo uma ilha. Ele está ciente de seus deveres,
contudo, sabe que sua vida não se resume a isto. Todavia,
se ele fosse um velhinho de cabelos brancos com um
olhar sereno, que caminhasse com passos calmos tendo
nas mãos um cajado, que morasse em uma casa de pedras
sem trancas nas portas nem nas janelas, que passasse suas tardes
olhando atentamente para uma serra distante, que
demonstrasse seus pensamentos entre suaves suspiros
, que se banhasse no mesmo riacho cristalino todas as manhãs,
que ficasse por horas observando o movimento das flores, dos pássaros
e dos insetos sem nada dizer... Bem... Eu acho que quando
ele dissesse alguma coisa, qualquer
coisa, por mais idiota que fosse, com certeza,
todos gostariam de ouvir. Afinal, todos procurariam uma
forma de encontrar um significado para tais palavras,
sem mesmo saberem que utilidade teria. De qualquer forma, é
altamente provável que o caçador se transforme em um
velhinho muito similar a este. (Matias)