"...Um caçador de felicidade
sabe que a rotina de sua vida é como os pilares de concreto
que sustentam um prédio, cuja vista externa possui apenas
vidros espelhados. Ele sabe que aqueles vidros, por si apenas,
não sustentariam o edifício. Assim é o caçador:
sempre ciente de que sua sólida rotina é o que mantém
o brilho de sua felicidade. Sim, porque até mesmo um
caçador precisa de um abrigo entre uma caçada e outra. É
preciso, portanto, ter um amparo seguro que lhe dê condições
de descansar para depois prosseguir. Mas, a rotina de um caçador
de felicidade não é sinônimo de monotonia. O caçador,
poeta que é, sabe que monotonia não rima
com felicidade. A monotonia é apenas uma espécie de enfermidade
que asssola uma alma enfraquecida que sofre perene entre
ervas daninhas. A rotina é o alicerce por onde galga o sustento
do caçador. Assim também é a relação
entre galhos de bambu entrelaçados e os frutos de uma videira..."
(Matias)