O caçador de felicidade e a  rotina.

"...Um caçador de felicidade  sabe que a rotina de sua vida é como  os pilares de concreto  que sustentam um prédio, cuja vista externa possui apenas   vidros espelhados. Ele sabe que aqueles vidros,  por si apenas,  não sustentariam o edifício. Assim é o caçador: sempre ciente de que sua sólida rotina é o que mantém o brilho de sua felicidade.  Sim,  porque até mesmo um caçador precisa de um abrigo entre uma caçada e outra. É preciso, portanto,  ter um amparo seguro que lhe dê condições de descansar  para depois  prosseguir. Mas, a rotina de um caçador de felicidade não é sinônimo de monotonia. O caçador,  poeta que é,   sabe que  monotonia não rima com felicidade. A monotonia é apenas uma espécie de enfermidade  que asssola  uma alma enfraquecida   que sofre perene entre ervas daninhas.  A rotina é o alicerce por onde galga o sustento do caçador. Assim também é  a relação  entre  galhos de bambu entrelaçados e os frutos de uma videira..."  (Matias)
 
 Em uma bela noite de lua cheia  às  02:17 da madrugada, este coitado,  que sereno balança, descobriu  que sempre fora apenas mais um prisioneiro   dos cárceres da rotina. Ele descobriu ainda que jamais se libertaria. Oh  pobre alma infeliz e sofrida!!! Tenha agora e para sempre o seu merecido descanso.
 
 
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