Gente
que BG conheceu
Machado de Assis
Do site do BG e do da ABL
Em
1864, Bernardo Guimarães trabalhava como jornalista no Senado para o "Jornal
do Comércio", no Rio de Janeiro. Foi lá que ele conviveu com o escritor
Machado de Assis (foto), que cobria as atividades da Casa como jornalista para o
"Diário do Rio".
Tempos depois, em uma crônica, Assis faz uma referência a BG:
"(...) abertas as câmaras, fui para o Senado, como redator do Diário
do Rio, não posso esquecer que nesse ou no outro ali estiveram comigo Bernardo
Guimarães, representante do Jornal do Comércio, e Pedro Luís, por parte do
Correio Mercantil, nem a boas horas que vivemos os três. (...) Bernardo
Guimarães não falava nem ria tanto, incumbia-se de pontuar o diálogo com um bom
dito, um reparo, uma anedota. O Senado não se prestava menos que o resto do mundo
à conversação dos três amigos".
Machado de Assis voltaria a mencionar o poeta e escritor mineiro em uma outra
crônica, escrita em outubro de 1893, sobre a morte do livreiro Garnier, que foi
editor dos livros de BG:
"Foi [Garnier] também editor de obras literárias, o primeiro e o maior de
todos. Os seus catálogos estão cheios dos nomes principais, entre os nossos
homens de letras. Macedo e Alencar, que eram os mais fecundos, sem igualdade de
mérito, Bernardo Guimarães, que também produziu muito nos seus últimos anos,
figuram ao pé de outros, que entraram já consagrados, ou acharam naquela casa a
porta da publicidade e o caminho da reputação".
Machado de Assis (Joaquim Maria M. de A.) nasceu no Rio de
Janeiro
no dia 21 de junho de 1839 e morreu em 29 de setembro de 1908, na mesma cidade.
Além de ter sido romancista -- e é até hoje considerado o melhor escritor que o
Brasil já teve - e jornalista, foi contista, cronistas, poeta e teatrólogo.
Filho do operário Francisco José Machado de Assis e de Leopoldina Machado de
Assis, perdeu a mãe muito cedo, pouco mais se conhecendo de sua infância e
início da adolescência. Foi criado no morro do Livramento e ajudou missa na
igreja da Lampadosa.
Sem meios para cursos regulares, estudou como pôde e, em 1855, com 16 anos
incompletos, publicou o primeiro trabalho literário, o poema "Ela", na
Marmota Fluminense, jornal de Francisco de Paula Brito, número datado de 12 de
janeiro de 1855. No ano seguinte, entrou para a Imprensa Nacional, como aprendiz
de tipógrafo, e lá conheceu Manuel Antônio de Almeida, que se tornou seu
protetor. Em 1859, era revisor e colaborador no Correio Mercantil e, em 60, a
convite de Quintino Bocaiúva, passou a pertencer à redação do Diário do Rio
de Janeiro. Escrevia regularmente também para a revista O Espelho, onde estreou
como crítico teatral, A Semana Ilustrada, de 16 de dezembro de 1860 até, pelo
menos, 4 de julho de 1875, Jornal das Famílias, no qual publicou de preferência
contos.
O primeiro volume de Machado de
Assis foi impresso, em 1861, na tipografia de Paula Brito, com o título
"Queda que as mulheres têm para os tolos", mas o nome de Machado
aparecia aí como tradutor. Em 1862, era censor teatral, cargo não-remunerado,
mas que lhe dava ingresso livre nos teatros. Começou também a colaborar em O
Futuro, órgão dirigido por Faustino Xavier de Novais, irmão de sua futura
esposa. Seu primeiro livro de poesias, "Crisálidas", saiu em 1864. Em
1867, foi nomeado ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial.
Em agosto de 69, morreu Faustino Xavier de Novais e, menos de três meses depois
(12 de novembro de 1869), Machado de Assis se casou com a irmã do amigo, Carolina
Augusta Xavier de Novais. Foi companheira perfeita durante 35 anos, tendo-lhe
revelado os clássicos portugueses e vários autores de língua inglesa. O
primeiro romance de Machado, Ressurreição, saiu em 1872. Pouco depois, o
escritor foi nomeado primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da
Agricultura, Comércio e Obras Públicas, iniciando assim a carreira de burocrata
que lhe seria até o fim o meio principal de sobrevivência.
Em 1874, começou a publicar, em O Globo de então (jornal de Quintino Bocaiúva),
em folhetins, o romance A mão e a luva. Intensificou a colaboração em jornais e
revistas, como O Cruzeiro, A Estação, Revista Brasileira (ainda na fase Midosi),
escrevendo crônicas, contos, poesia, romances, que iam saindo em folhetins e
depois eram publicados em livros.
De 1881 a 1897, publicou na Gazeta de Notícias as suas melhores crônicas. Em
1881, o poeta Pedro Luís Pereira de Sousa assumiu o cargo de ministro interino da
Agricultura, Comércio e Obras Públicas e convidou Machado de Assis para seu
oficial de gabinete (ele já estivera no posto, antes, no gabinete de Manuel
Buarque de Macedo). Nesse ano de 1881 saiu também o livro que daria uma nova
direção à carreira literária de Machado de Assis - Memórias póstumas de
Brás Cubas, que ele publicara em folhetins na Revista Brasileira de 15 de março
de 1879 a 15 de dezembro de 1880. Revelou-se também extraordinário contista em
Papéis avulsos (1882) e nas várias coletâneas de contos que se seguiram. Em
1889, foi promovido a diretor da Diretoria do Comércio no Ministério em que
servia.
A obra de Machado de Assis abrange,
praticamente, todos os gêneros literários. Na poesia, inicia com o Romantismo de
Crisálidas (1864) e Falenas (1870), passando pelo Indianismo em Americanas
(1875), e o Parnasianismo em Ocidentais (1897-1880). Paralelamente, apareciam as
coletâneas de Contos fluminenses (1870) e Histórias da meia-noite (1873); os
romances Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá
Garcia (1878), considerados como pertencentes ao seu período romântico. A partir
daí, Machado de Assis entrou na grande fase das obras-primas, que fogem a
qualquer denominação de escola literária.
Obras: Desencantos, comédia (1861); Queda que as mulheres têm para os tolos,
sátira em prosa (1861); Teatro, volume que se compõe de duas comédias, O
protocolo e O caminho da porta (1863); Quase ministro, comédia (s.d.);
Crisálidas, poesia (1864); Os deuses de casaca, comédia (1866); Falenas, poesia
(1870); Contos fluminenses (1870); Ressurreição, romance (1872); Histórias da
meia-noite, contos (1873); A mão e a luva, romance (1874); Americanas, poesia
(1875); Helena, romance (1876); Iaiá Garcia, romance (1878); Memórias póstumas
de Brás Cubas, romance (1881); Tu, só tu, puro amor, comédia (1881); Papéis
avulsos, contos (1882); Histórias sem data (1884); Quincas Borba, romance (1891);
Várias histórias (1896); Páginas recolhidas, contos, ensaios, teatro (1899);
Dom Casmurro, romance (1899); Poesias completas (1901); Esaú e Jacó, romance
(1904); Relíquias da casa velha, contos, crítica, teatro (1906); Memorial de
Aires, romance (1908). Publicações póstumas: Crítica (1910); Outras
relíquias, contos, crítica, teatro (1932); Crônicas, quatro volumes (1937) ;
Correspondência (1932); Crítica literária (1937); Páginas escolhidas (1921);
Casa velha (1944). A obra de Machado de Assis foi, em vida do Autor, editada pela
Livraria Garnier, desde 1869; em 1936, W. M. Jackson, do Rio de Janeiro, publicou
as Obras completas, em 31 volumes. Raimundo Magalhães Júnior organizou e
publicou, pela Civilização Brasileira, os seguintes volumes de Machado de Assis:
Contos e crônicas (1958); Contos esparsos (1966); Contos esquecidos (1966);
Contos recolhidos (1966); Contos avulsos (1966); Contos sem data (1966); Crônicas
de Lélio (1966); Diálogos e reflexões de um relojoeiro (1966).
"Garnier", de M.de.A |