Gente
que BG conheceu
Affonso Celso de Assis
Figueiredo,
o Visconde de Ouro Preto
No começo de 1852, Bernardo
Guimarães prepara-se para deixar São Paulo, onde cursara a Faculdade de
Direito São Francisco.
O poeta -- e viria a ser escritor depois -- morava na Bambus, rua tomada por
repúblicas (casas de estudantes).
E numa dessa república morava o calouro Affonso Celso de Assis Figueiredo, futuro
Visconde de Ouro Preto e que também em 1889 (BG
morreu em 1884) viria a ser o último presidente do Conselho de Ministros de
Império. Foi nesse mesmo ano que se deu a Proclamação da República.
Naquele ano de 1852, os estudantes das Arcadas de São Francisco deram um presente
de despedida a BG: ajuntaram as
poesias do vate mineiro publicadas em jornais da Paulicéia e publicaram-nas no
seu primeiro livro, o "Cantos da Solidão", bancando os gastos. É
possível que Affonso Celso tinha sido um desses custeadores desse livro de BG,
embora, ressalta-se, não haja nenhum registro histórico.
Foi nessa sua passagem por São Paulo que Affonso Celso provavelmente tenha se
tornado maçom, iniciado na Loja Amizade.
Como BG, ele era de Ouro Preto
(como está explícito em seu título de Visconde), onde nasceu em 1837. Morreu em
1912, em Petrópolis, no Rio de Janeiro.
O Visconde de Ouro Preto foi conduzido à chefia do Gabinete do Governo quando o
Império já estava em seus estertores. Do Partido Liberal, ele foi justamente
nomeado para acalmar os cafeicultores e os militares que estavam descontentes com
o regime. Mas não conseguiu angariar a simpatia elite que já fazia oposição
aberta ao Imperador Dom Pedro II.
Em seu curto governo, ele elaborou um programa de reformas, o qual incluía
liberdade de culto, autonomia para províncias, temporariedade dos mandatos de
senadores e ampliação do direito do voto. O programa foi rejeitado pela Câmara.
Tentou se contrapor ao Exército com a criação de uma Guarda Nacional, mas não
teve tempo -- no dia 15 de novembro republicanos e militares deram o golpe que
instalava a República no Brasil. Nesse mesmo dia ele foi preso, juntamente com
todo o seu Ministério, e mandado para o exílio.
Nos últimos anos de sua vida exerceu a advocacia e cuidava da cátedra de
direito comercial na Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de
Janeiro. Seu filho, o conde Affonso Celso de Assis Figueiredo Júnior (1860-1938),
foi proeminente político, professor de Direito, tradutor, poeta e escritor. Entre
outros livros, escreveu "Por que me ufano do meu país" (1910). Livro
muito criticado pelo seu excessivo otimismo em relação ao Brasil.
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Hino
A S. M. I. o Sr. D. Pedro II
Bernardo Guimarães
Em transportes de
alegria
Exulta, ó povo mineiro,
Rendendo justa homenagem
Ao monarca brasileiro.
Salve, ó Pedro,
rei amado
Deste povo, que te adora;
De ventura e de bonança
Teu reinado é longa aurora.
Qual íris de paz
celeste,
Novo pai do novo mundo
Mostra o ramo de oliveira
No Brasil Pedro Segundo
Salve, ó
Pedro!... és no presente
Nossa firme confiança,
Nossa glória no passado,
No porvir nossa esperança.
Qual fulgor de
luz serena
Esclarecendo o horizonte,
Da ciência o laurel puro
Lhe circunda a augusta fronte.
Salve, ó
Pedro!... do teu povo
Tu és o chefe e o irmão;
Tu és o elo sagrado
Da brasileira união.
A virtude se
sentou
Nos degraus do trono seu,
E a justiça e a clemência
Como sócias escolheu.
Como astro de luz
propícia,
Que fulge sem deslumbrar,
Assim teu nome querido
No futuro há de brilhar.
Faça Deus
próspero e longo
Teu benéfico reinado;
E o Brasil repita ufano
O seu nome abençoado.
Salve, ó
Pedro!... ínclito nome
Deixarás na pátria história;
E entre louros incruentos
Fulgirá tua memória
Aceita, Excelso
Monarca,
Nossa modesta oblação,
Que espontânea em honra vossa
Nos rompe do coração.
Esta sincera
homenagem
De nosso amor e respeito,
Guarda bondoso, ó Monarca,
Em teu generoso peito.
Aceita as
singelas flores,
Que deposita a inocência
Aos pés do trono, onde imperam
A virtude e a sapiência.
Salve, ó Pedro,
rei amado
Deste povo, que te adora;
De ventura e de bonança
Teu reinado é longa aurora.
Ouro Preto, abril
de 1881.
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