C O N H E Ç A A S U A T E R R A *
Manuel Augusto DiasA LAGARTEIRA
(XII)A obra do Padre Saúl Pires Teixeira
Nas últimas edições fizemos referência a vários nomes de pessoas
que se destacaram em actos de benemerência para com a Lagarteira. Neste conjunto de
personalidades não podemos deixar de incluir aquele que foi o último pároco residencial
e titular da paróquia da Lagarteira (já que após a sua saída, em 1975, esta Paróquia
passou a ser da responsabilidade do Pároco de Ansião, ao tempo, o Padre Olívio Cardo).
O Padre Saúl Pires Teixeira permaneceu na freguesia durante 11 anos e deixou uma obra
verdadeiramente notável: restaurou a residência paroquial, construiu o Salão Paroquial,
dinamizou a Conferência de S. Vicente de Paulo e, sobretudo, dedicou-se de alma e
coração aos pobres da freguesia, no sentido de aliviar o seu sofrimento.
Quando o Padre Saúl chegou à Paróquia encontrou uma Residência Paroquial muito mal conservada, quase em ruínas o que era uma vergonha para a freguesia, e um risco para quem tinha de lá viver. Por isso, congregou em torno de si um grupo de paroquianos dinâmicos que resolveram pôr mãos à obra e, quando assim é, ela faz-se. Foi o que sucedeu. A freguesia é pouco populosa e a maioria dos seus habitantes vive da prática de uma agricultura pobre, não tendo rendimentos para poder acorrer a despesas extraordinárias e de monta. Conscientes disso, pároco e homens que o acompanhavam lembraram-se de trazer para a causa os ausentes emigrados, sobretudo no Brasil.
Os senhores Carlos e Armindo Dias destacaram-se nas ofertas, mas houve outros emigrantes no Brasil que também concorreram com os seus donativos para a restauração da residência paroquial da sua terra. Do Brasil vieram quase 24 contos. Este valor era insuficiente para levar a bom termo a obra, mas ninguém podia agora desistir desse objectivo. Lembraram-se, então, de organizar um Cortejo de Oferendas, que teve a adesão maciça da freguesia, com Comissões constituídas nos maiores lugares da Paróquia.
O Cortejo realizou-se no dia 30 de Outubro de 1966, e foi um êxito, juntando quase 40 contos. Com mais algumas ofertas reunidas, juntou-se o dinheiro necessário para a conclusão das obras que importaram num total de 76.138$50, cabendo 48.876$50 para o material (gastaram-se 8 camionetas de areia, 182 sacos de cimento, 130 sacos de cal, muita madeira e de boa qualidade, e 3.000$00 em ferro) e o restante para a mão de obra (muita mão de obra foi gratuita, e trabalhou se sol a sol).
O Sr. António Mineiro orientou todos os trabalhos e foi um dos mais destacados colaboradores do Padre Saúl no arranjo da sua residência, objectivo que estava plenamente concretizado nos finais do ano de 1967.
Um outro sonho, que chegou a estar nos planos do Padre Saúl e do seu grupo de trabalho (lembremos que desde 1 de Janeiro de 1970, a Comissão de Culto da Lagarteira, para além do respectivo Pároco incluía os seguintes nomes: Alfredo Dias Ramalho, José Maria Dias Ramalho, Joaquim Dias e António Mendes Mineiro) foi a construção de um Salão Paroquial. A primeira referência a esta obra, no Jornal Serras de Ansião (nossa principal fonte, para esta época), é feita em artigo assinado pelo próprio Padre Saúl, publicado em 31 de Janeiro de 1970, onde, a certa altura escreve o seguinte: «Um dos melhoramentos que gostávamos ver realizado na nossa freguesia era a construção dum Salão Paroquial, onde, além das aulas de catequese, se juntassem os jovens e o povo para em reuniões de convívio e cultura passarem os seus tempos livres, segundo a sua idade e o seu estado. Porém uma dificuldade nos tem acompanhado ao longo destes 6 anos, que era a aquisição do terreno para esse fim. Porém essa dificuldade acaba de desaparecer, graças à generosidade da Senhora D. Ilda Dias Baeta e seu marido Josué da Encarnação Dias, que ofereceram uma casa velha junto da Igreja. É claro que só aproveitamos o terreno, mas, já isso, é de muito valor, graças à sua magnífica situação.
É certo que a construção do salão irá importar nalgumas dezenas de contos, mas, estamos em crer, que o bairrismo do povo da Lagarteira, levará a cabo aquela obra a qual, além de embelezar a nossa freguesia, muito irá contribuir para que este povo se sinta mais feliz e mais unido.
Aqui fica pois a ideia.
Fica responsável por esta obra o Pároco da freguesia, o qual irá dentro em breve nomear uma comissão para o coadjuvar (...)».
(continua no próximo número)