Em vários períodos da História talvez tenha havido algum exagero na depreciação moral atribuída às prostitutas. Ou alguma deficiência de classificação relativamente às mulheres e aos homens que se prostituíam sexualmente.
A actividade sexual é natural entre indivíduos da mesma espécie e de sexo diferente. Permite a continuidade dessa espécie, através de prazer físico no acto sexual e nos seus preliminares.
Não será razoável considerar essa actividade como pecaminosa. Mas também será exagero apresentá-la como centro dos interesses de qualquer espécie.
A nível humano, verifica-se um comportamento sexual diversificado, consoante a cultura dos povos e o nível espiritual do indivíduo. Admite-se que à medida que o ser se espiritualiza, vai tendo maior facilidade em controlar as suas pulsões sexuais. Entendendo-se controlar não no sentido castrante do termo, mas no sentido da orientação racional da sua actividade.
A organização social vai-se fazendo de forma a que os educadores em geral, e sobretudo os pais, vão cada vez mais assumindo as suas responsabilidades na área sexual, cientes de que não deverão esquecer-se, evitar, ter vergonha ou timidez de orientar os seus educandos. Os programas de ensino vão prevendo a abordagem construtiva de temas sobre o sexo. Alguns órgãos de comunicação social vão desmistificando situações e esclarecendo construtivamente a sua audiência. O próprio aparecimento de doenças de contágio sexual, nomeadamente a SIDA, termina por constituir um travão natural aos comportamentos de desvio.
Parecem estar criadas condições para que a actividade sexual seja crescentemente considerada como complementar da relação de amizade existente entre um homem e uma mulher. Sendo naturalmente colocada em plano prioritário a relação psicológica, de comunhão de ideias, de definição de objectivos comuns, de apoio mútuo ao longo de uma existência física.
Assim, poderá ser cada vez mais considerado homem normal aquele que mantiver relações sexuais apenas com um parceiro único, naturalmente de sexo diferente, sendo progressivamente desprestigiadas e evitadas a actividade sexual com vários parceiros e a individual de tipo masturbatório.
Alguns seres, raros, demonstram até um tão forte apego à vida espiritual, que parecem não sentir necessidades de tipo sexual. Mas, porque esses casos são raros, é provável que o voto de castidade de algumas organizações religiosas tenha tendência a ser eliminado, passando a ser defendida uma salutar convivência sexual de parceiro único, preferencialmente ao longo de toda uma vida terrena.
Aqueles que se afastarem desse tipo de comportamento poderão ser considerados anormais ou prostituídos. Não só os que vendem sexo, mas todos os que entram no negócio, com dinheiro à vista ou com outro tipo de interesses materiais. Sendo então considerado tão ou mais prostituído o que compra sexo, como o que se aproveita das fragilidades económicas, sociais, psicológicas ou de qualquer outro género.
Porém, crescendo o número de
seres de comportamento normal, tenderão a desenvolver-se as organizações
de apoio aos fragilizados e desviados de forma a possibilitar o seu esclarecimento,
o despertar da sua capacidade de realização, o desenvolvimento
do seu autoaperfeiçoamento e a sua efectiva reinserção
social.