O equilíbrio de comportamento, a estabilidade dos laços familiares ou de amizade, os sentimentos mais nobres são muitas vezes ameaçados pela busca desenfreada de atingimento de objectivos talvez economicamente compensadores, mas só isso.
Um professor de gestão de uma universidade norte-americana dizia algures que a primeira qualidade de um qualquer gestor deverá ser o bom senso. Ponderada a afirmação, ela parece pertinente não só para um gestor de empresa, mas também para um gestor a qualquer outro nível, desde o agregado familiar até à governação dos mais diversos países.
Poder-se-á então colocar a questão se será razoável e de bom senso a ideia de serem criadas necessidades de consumo através da designação dos dia da mãe, dia do pai, dia da mulher, dia dos namorados, etc.
Analisemos, a título de exemplo, o caso do "dia da mãe". Serve esse dia para um repensar do relacionamento do filho para com a sua progenitora? É utilizado para os mais jovens reverem o que deverão fazer para satisfazer as preciosas indicações educacionais da mãe? Pensam os não tão jovens em como criar condições agradáveis para ajudar a mãe a passar os últimos anos da sua vida?
Ou servirá esse dia sobretudo para incrementar o consumo de cartões alusivos, a facturação dos correios e dos telefones, o consumo de pequenos brindes, flores, etc.?
As perguntas ficam no ar. Cada leitor fará a sua própria análise e formulará a sua opinião.
Pelo nosso lado, parece-nos que quanto mais as celebrações do "dia da mãe" se aproximarem das análises introspectivas e interpessoais, mais consistência tomará a celebração. Quanto mais assumirem as características consumistas, mais depressa se apagarão na voragem dos tempos.
Alguns comerciantes poderão pensar que,
mesmo que o "dia da mãe" se vá esquecendo a breve prazo,
entretanto já possibilitou e ainda vai possibilitar algum negócio.
Talvez alguns sociólogos admitam
que, apesar do consumismo, algo de positivo resulta de tais situações.
E as mães? O que pensarão? Que é indiferente haver ou não "dia da mãe"? Que é bom ser mãe com dia alusivo? Que deveria acabar tal celebração, bastando-lhes o dia do seu próprio aniversário? Que seria preferível ser mãe com todos os dias, ou seja, com a atenção e o carinho dos filhos todos os dias do ano?
Ser mãe parece ser uma das mais maravilhosas experiências do ser humano à superfície da Terra. A mulher que se assume como mãe, com toda a sua dedicação, com toda a sua capacidade de entrega, com todo o seu amor pela sua prole, tem à sua disposição uma enorme oportunidade de evoluir. Que belo é o esforço de aperfeiçoamento para poder oferecer o mais nobre exemplo aos filhos! Que bela é a atitude de desejar mais e melhor para os filhos do que para si própria!...
Para uma mãe digna desse nome uma mera
comemoração social e/ou comercial parece ser algo de impróprio.
Uma mãe verdadeira merece muito mais do que isso: o reconhecimento,
a gratidão, a dedicação, o carinho, o amor nas 24
horas de cada dia que passa.