Bela época da nossa passagem pela Terra, a juventude. Quando a maioria ainda foca a sua atenção em tanta coisa bonita à nossa volta, acreditando, sonhando, dando aso à sua criatividade, amando, vivendo de forma tão intensa.
Época de desenvolvimento da identidade própria – em crescente libertação de anterior dependência -, de cultura de ideais, de procura de originalidade, de assunção de responsabilidades.
Por vezes passa por uma certa excentricidade, uma atitude reaccionária ou um processo irreverente ou mesmo oposicionista. Em alguns casos o jovem ao descobrir que sabe algo mais, engana-se pensando que já sabe tudo ou, pelo menos, que já sabe mais do que os outros.
Mas tudo isso faz parte de um processo de construção e desenvolvimento de uma personalidade que, quando bem apoiado, permite uma preparação adequada para o resto da vida terrena.
E esse apoio pode e deve ser feito sem conflitos de gerações. Para quê conflitos? Os educadores já foram jovens e, por isso, conhecem a ânsia de realização que se desenha na juventude. Então não há que afrontar, mas apenas procurar canalizar toda aquela energia transbordante de forma útil para o jovem e para a colectividade. Nunca impondo, sempre procurando conquistar. Nunca impetuosamente, sempre com a serenidade de quem ama verdadeira e tolerantemente.
Os pais não têm o direito de exigir
que os filhos sejam perfeitos, mas têm a obrigação
de os ajudar a aperfeiçoarem-se. Porque os amam, desejam que os
filhos vão mais longe do que eles próprios foram. E assim
os apoiam, procurando mostrar-lhes o caminho que lhes parece mais apropriado,
a solução que entendem mais equilibrada e explicando-lhes
pacientemente o porquê das coisas, com base na sua maior experiência
terrena. Mas sempre deixando ao jovem a possibilidade de ir assumindo por
si as suas opções ainda que nem sempre as melhores.
E, quando assim fazem, terminam por encontrar,
mais cedo ou mais tarde, a compreensão, o respeito, a admiração
de quem se sente apoiado e amado. E quem não gosta de o sentir?
Mesmo os jovens mais rebeldes, mesmo aqueles que têm alguma tendência para uma conduta de desvio, sentem necessidade – talvez esses até mais que os outros – de serem apoiados e amados.
E a melhor maneira de os ajudar a raciocinar de forma clara e inteligente, de lhes transmitir a necessidade de se corrigirem e de lhes fazer crescer a força de vontade imprescindível ao autoaperfeiçoamento, é procurando compreendê-los, com firmeza de princípios e tolerância de atitudes.
Parece que o educador não terá vantagem em assumir posições extremadas, nem de dureza, nem de condescendência ou até cumplicidade. Sempre deve lembrar serenamente qual a solução, qual o caminho. Mas, acima de tudo, deve preocupar-se em oferecer ao jovem o exemplo do seu comportamento e permitir-lhe que construa por si o «seu» caminho, que busque por si as «suas» soluções.
Na juventude se idealizam os mais belos caminhos a percorrer na maturidade e mesmo na velhice. E que bom é idealizar...
Uma nação será tanto mais
forte quanto melhor souber preparar os seus jovens, proporcionando-lhes
condições à idealização de um futuro
melhor.