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Diário do Front
(título) Posição de vice-prefeito ainda está indefinida
(subtítulo) Airton Garcia, se decidir ser candidato a prefeito, terá dificuldades em convencer a população que não vai governar só para a Cidade Aracy

Alexandre Gomes

(olho) Para cada R$ 1 arrecadado na Cidade Aracy já foram gastos no bairro mais de R$ 10. Estes R$ 9 de diferença sairam de outros bairros que tem subsidiado as obras na Cidade Aracy.

(olho) Ao cuspir no prato que comeu Garcia comporta-se como se todos aqueles votos fossem seus, para dar, vender, alugar, tomar de volta.

(olho) As repetidas críticas de Garcia à falta de "espaço político" na administração, que o vice-prefeito não faz questão nenhuma de esconder, revelam o risco sério de um rompimento


Dependendo da postura que for adotada pelo vice-prefeito Airton Garcia (PPB) se definirá de um modo ou de outro o quadro para a próxima eleição municipal em 2.000. Existem ao menos três alternativas para Garcia, continuar dentro do Balaio de Gatos e manter seu apoio ao prefeito Dagnone de Melo (PTB), sair candidato ele próprio a prefeito ou ainda construir uma aliança na qual dê apoio a um outro candidato.
As repetidas críticas de Garcia à falta de "espaço político" na administração, que o vice-prefeito não faz questão nenhuma de esconder, revelam que qualquer uma das três hipóteses é plausível. Mas, ao mesmo tempo, revelam uma estratégia de pressão de Garcia sobre o prefeito transmitindo um recado claro: se eu não for atendido nas minhas demandas eu vou romper com o grupo.
Há quem julgue, inclusive dentro do Círculo Íntimo do prefeito, que a afirmação é um blefe porque provavelmente o vice-prefeito romperia sozinho ou acompanhado apenas de umas poucas pessoas.
Mesmo se o prefeito "pagar para ver" e ceder à pressão de seu vice não terá nenhuma garantia que Garcia continuará ao lado dele, principalmente porque Garcia quer seu "espaço político" agora e só dará mostras de seu real posicionamento eleitoral daqui a pouco menos de um ano.
Outra grande dificuldade de Garcia é em relação a um partido. O seu PPB não tem demonstrado intenção de apoia-lo numa debandada geral da administração, portanto Garcia teria de disputar numa convenção o controle do partido o que não só é difícil como ainda acirraria traumas do presente e do passado em torno do partido, podendo até contribuir para isolar ainda mais o vice-prefeito.
Não bastasse estas coisas e ainda falta a Garcia uma desculpa razoável para explicar o seu rompimento, seu eterno mote de atenção à Cidade Aracy e imediações parece estar perdendo a força já que nenhuma outra região da cidade recebeu investimentos tão altos do poder público.
Ao mesmo tempo a insistência nesta questão pode abalar o prestígio de Garcia junto à população de outros bairros da cidade, afinal qualquer eleitor com algum grau razoável de informação pode perceber que votar em garcia significaria tirar recursos do seu bairro para investir na Cidade Aracy.
Ainda que a dramática situação social da Cidade Aracy e imediações possa até inspirar a caridade pública e despertar no resto da cidade o sentimento de que é necessário aplicar recursos lá, este sentimento tem limites e dificilmente o cidadão de qualquer outro bairro vai aceitar que seu bairro não receba nenhuma melhoria para que a Cidade Aracy continue recebendo atenção total da administração numa provável administração de Garcia.
Vale lembrar que já hoje para cada R$ 1 arrecadado na Cidade Aracy já foram gastos no bairro mais de R$ 10. Estes R$ 9 de diferença sairam de outros bairros que tem subsidiado as obras na Cidade Aracy.
Uma das coisas que tem animado Garcia a lançar-se ele próprio candidato a prefeito é a expressiva votação que obteve nas eleições do ano passado a deputado federal. Mas certamente é ingenuidade iamginar que as dezenas de milahres de votos obtidos por ele sào todos propriedades exclusiva dele.
Pesou na votaçõa de garcia muitos outros elementos, como o apoio do rpefeito e de diversas outras lideranças políticas e emrpesariais ligadas ao Balaio. Isto sem contar o grande número de pessoas que votaram nele por considerá-lo o candidato da cidade com maiores chances de se eleger deputado, mas que não votariam nele para rpefeito.
Ao cuspir no prato que comeu Garcia comporta-se como se todos aqueles votos fossem seus, para que ele fizesse com eles tudo o que entendesse, como se os votos fossem uma mercadoria livremente transacionada que garcia pode dar, vender, alugar, tomar de volta.
Certamente a imensa maioria dos 30 mil moradores da Cidade Aracy sõa sõa eleitores, e não pdoeria ser diferente, afinal a muitos Garcia cedeu o lugar para morarem e fez com que a Prefeitura investisse pesadamente na regiòa. Mas ainda que Garcia tenha a posse da consciência e do voto destes quase 30 mil eleitores como candidato tem uma grande capacidade de unir os adversários contra ele.


Alexandre Gomes é editor do PRIMEIRA PÁGINA


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