23 de agosto de 1999A história sempre começa comigo acordando, mas dessa vez vai ser diferente. A história começa antes disso acontecer.
Eu estava andando na rua com a Laura, (uma amiga da faculdade, muito estranha) e mais um pessoal que eu não lembro quem era. A Laura queria uma lista telefônica emprestada de mim. Ela pedia me abraçando e me beijando, só que só "selinhos", até que eu dei um beijo de língua nela. Ela me empurrou e reclamou. Eu virei para o Paulo (que eu não tinha visto até então) e disse: "Veja se pode, ela provoca e agora fica brava. Continuamos andando e de repente uma mulher que eu não conheço, mas no sonho eu conhecia. Ela me pedia algo, me abraçava muito apertado e me dava "selinhos". Eu também não aguentei e comecei a beijá-la de língua. Ela me empurrou. Mas depois voltou a me dar selinhos. E eu sempre a beijava de verdade, muito gostoso. Uma hora eu a beijei e passaram alguns conhecidos dela. Ela disse que iria pegar mal, mas depois voltou a me beijar, só "selinhos". Eu a beijei muito gostoso e nós deitamos no chão, nos beijando. Nesse momento eu tive o nítido pensamento: "Finalmente vou ter alguma coisa de interessante pra botar no meu diário." Não lembro o que aconteceu que eu já estava andando de novo e cheguei na praça da Matriz, em Batatais, onde Paulo Betti, o ator, pedia informações para algum colega meu que eu não lembro quem era. Paulo Betti estava num carrão verde importado e a pasta estava aberta, mas meu amigo falava através da janela dessa porta, que também estava aberta. Eu quis ouvir a história e cheguei perto. Fiquei ouvindo na porta que estava aberta e pude ver todo o interior do carro. Paulo Betti disse: "Olá, meus fãs". Acabaram de dar a informação e ele disse, "tchau pessoal" e, olhando para o banco vazio ao seu lado, disse: "aperte o cinto", e começou a andar. Eu olhei para o carro, que agora era um conversível verde e gritei: "tchau Gasparzinho, eu sou seu fã!", me referindo ao banco vazio que ele pediu pra por o cinto. Paulo Betti olhou para trás e acenou, indo embora. Olhei e vi a Ângela sentada na calçada com uns amigos. Aí eu reparei que tinha uma enorme equipe de gravação da Rede Globo espalhada pela praça que, embora parecesse a da Matriz, era menor e começou a parecer com uma outra praça de lá. Eu virei para o lado e me agachei pra conversar com a Ângela. Ela disse: "Luiz, eu estou muito mal hoje". Eu reparei que tinha um cigarro de maconha na mão dela. Eu me levantei e fui para uma barraca de camelô que vendia imãs de geladeira em diversos formatos. Eu comecei a olhar, junto com uma outra pessoa, e perguntei "isso aqui também é cenográfico?" Ângela chegou e eu fiz a mesma pergunta para ela. Ela riu e eu acordei.
É mole? Fazia tempo que eu estava tendo uns sonhos muito esquisitos, mas hoje eu achei o máximo e tive que anotar tudo, com detalhes. Acordei às oito e meia. Tomei café e fiquei aqui pela casa. Como não tinha ninguém acordado, ainda, e meu pai já tinha saído, aproveitei o sossego pra acabar de ler o texto do Durkheim. O telefone tocou, eu atendi e peguei o recado, era pro meu pai. Desliguei e tocou de novo, também pro meu pai. Meu irmão acordou e quis o telefone pra ligar pra namorada. Fiquei lendo até minha mãe acordar, aí eu fui pro quintal.
Meio dia e meio eu almocei, quer dizer, comi uns pedaços da pizza que sobrou de ontem e voltei a ler, até as duas horas, quando eu arrumei as coisas pra ir no Auto-Escola levar o boleto de cobrança pra datilografar meu CPF, pagá-lo e ir fazer os exames médico e psicotécnico.
Depois de passar no Auto-Escola, fui para a Caixa Econômica Federal retirar dinheiro da conta da minha vó pra pagar o boleto (ela é quem está pagando minha carta, como presente de aniversário adiantado). Retirei o dinheiro e olhei para dentro do banco. Estava meio cheio, então eu achei melhor ir andando até o Bradesco, que em geral é mais vazio. Andei um quilômetro e meio, eu acho, pra chegar no Bradesco e, quando cheguei lá, o sistema tinha caído e o banco não estava atendendo ninguém. Fui no banco ao lado, Finasa, e estava muito cheio, mais que a Caixa. Marinheiro de primeira viagem que sou, fiquei com medo de ir fazer o exame médico logo de uma vez, afinal talvez fosse preciso pagar aquilo antes. Voltei pra Caixa... Lá não tem fila, é sistema de senha. Eu nunca tinha entrado naquele lugar depois de implantado esse sistema e fiquei meio perdido, até que achei onde se retiravam as senhas e peguei uma. Estavam na 40 e minha senha era 65. Eu me sentei, mas a demora fez com que o meu pensamento absurdo de antes fosse embora. Era lógico que não precisava pagar aquilo antes, pois não tinha nada a ver uma coisa com a outra. Saí do banco e fui pro ponto de ônibus, que era no meio do caminho entre os dois bancos. O ônibus passou logo e eu fui pro consultório. Cheguei lá, percebi que não tinha levado foto, mas eles disseram que pode levar depois, no Auto-Escola. Engraçado que quando se paga eles quebram o galho, né? Se lá fosse público, como onde tira CPF, eu teria que voltar outro dia... mas tudo bem. Fiz a entrevista e aguardei o médico me chamar. Ele chamou e eu fui fazer o exame de vista. Tapei um olho e li até as letras miúdas, depois fiz o mesmo com o outro olho. Depois ele falou "cores", e eu, sem entender o que ele queria, fiquei quieto. Não sabia se era pra ler todas as cores, se era pra esperar alguma delas acender e falar, fiquei esperando. Nada aconteceu, mas mesmo assim ele me dispensou, assinalando na ficha que eu era apto, que não tinha problema... sei lá o que ele quis dizer com "cores"... Fui fazer o psicotécnico, aquele exame dos riscos que depois eles tapam nosso olho e a gente continua riscando. Embora eu estivesse bem nervoso, pois me achava muito descoordenado e tinha medo de reprovar, passei. Fui fazer a outra parte, o teste de atenção, em que a gente tem que procurar por três tipos de setinhas no meio de um monte de setinhas, até ela dizer para parar. Depois foi o teste de ver que figura faltava. Os primeiros eram fácílimos, ridículos até, mas tinham uns que eram muito difíceis de descobrir o padrão, pra saber qual faltava. Fiz quase todos, faltou uns cinco pra terminar. No final, fui aprovado, estou completamente apto a tirar minha carteira de habilitação. Ah, tive que fazer um ditado antes de tudo isso e escrever uma frase que me deram pra ler. Acabei às quatro e meia e já não dava pra pagar mais o boleto. Voltei pra casa e fui fazer musculação. Meu irmão chegou com a namorada e eles foram tomar café com meus pais. Eu fiquei fazendo musculação. Depois subi, conversei um pouco com eles e, quando eles foram embora, fui tomar banho. Agora vou ler os textos que faltam, ou pelo menos adiantar um pouco a leitura da semana.
Ah, ontem, quando eu estava falando pela Internet com a menina da Faculdade (aquela que eu era afim, ela era afim de mim, mas, por esses acasos e contratempos, nunca ficamos), eu tratei ela bem friamente. A gente tinha um relacionamento meio próximo, pela atração física, mas ela sempre dava mancadas comigo. Depois ela foi viajar, pegou meu endereço, dizendo que me mandaria um postal, mas não mandou... Como era de se esperar. Ah, essa menina é aquela pra quem eu emprestei os CDs e tive que ir buscar na casa dela, antes de ela voltar de viagem. Ontem eu a tratei simplesmente como colega. Ela perguntou quando a gente ia se ver e eu disse que só na quinta, que era quando eu assistia aula à noite (período em que ela estuda, agora). Ela me perguntou se a gente não se via na terça e eu disse que não, que não estava ficando lá até tarde. Ela parece ter ficado muito puta da vida e escreveu: "Essa e a ultima msg. Nao vou falar com alguem que nao quer me ver. De qq modo, até mais...". Eu escrevi pra ela "ô, dó!". Depois eu falei pra ela que tava com o CD dela, que veio por engano no meio dos meus. Ela continuou escrevendo mensagens grosseiras e eu nem me abalei. Por último, quando eu ia desconectar, escrevi pra ela: "Obrigado pelo postal." E desconectei.
Bom, nada mais pra contar. Amanhã vou pra faculdade, vamos ver no que vai dar...