Dados sucintos sobre Reformador

 

Fundação: 21/1/1883 por Augusto Elias da Silva, fotógrafo português nascido em 1848.

 

Materialista convicto ao chegar ao Brasil (em data incerta), Augusto Elias assistiu, em 1881, algumas seções espíritas na Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade, no Rio, com o propósito de “desmascarar” eventuais fraudes ou “esclarecer” crédulos. Embora não tenha presenciado inicialmente nenhum fenômeno particularmente significativo, o que viu foi o bastante para predispô-lo a ler as obras de Allan Kardec. Estas lhe causaram funda impressão. Prosseguindo as observações, pode testemunhar outros fenômenos, de caráter probante, como a assinatura mediúnica de um parente e a transmissão de dados peculiares de alguns amigos já falecidos. No audacioso empreendimento de lançar uma publicação espírita – diversas outras já tinham sido fundadas no Brasil, com duração efêmera, dadas as adversidades da época –, Augusto Elias contou com o incentivo da esposa e da sogra e, logo depois, do Major Francisco Raimundo Ewerton Quadros. Os custos da impressão foram cobertos com seus modestos recursos pessoais. Até 1888 a redação da revista funcionou no próprio atelier do fotógrafo, que era também sua residência, à rua S. Francisco de Assis (atual rua da Carioca), n. 120, 2o andar, Rio de Janeiro.

 

Características editoriais: Reformador era um jornal quinzenal de 4 páginas; estima-se que sua tiragem inicial era de aproximadamente 300 exemplares, contando com cerca de uma centena de assinantes.

 

A partir de 1902 passou ao formato de revista, inicialmente com 20 páginas e periodicidade bimensal. Em 1937 passou a ser mensal, e o número de páginas aumentou gradativamente, até as atuais 40 páginas.

 

Incorporação à Federação Espírita Brasileira (FEB). Sob iniciativa de Augusto Elias da Silva, fundou-se em 2/1/1884 a Federação Espírita Brasileira. Seu primeiro presidente foi Ewerton Quadros; Augusto Elias ficou como tesoureiro. Reformador foi então cedido à FEB, estando até hoje sob sua responsabilidade.

 

Em 1911, a FEB mudou-se para sua sede própria, na av. Passos, 30. Em 1939, sob a presidência de Guillon Ribeiro, instalou-se uma gráfica nos fundos do prédio, que passou a imprimir Reformador e os livros editados pela FEB. Foi um marco fundamental na consolidação da bibliografia espírita. Outro passo importante foi dado em 1948, sob a liderança do presidente Antônio Wantuil de Freitas, que criou o Departamento Editorial, no bairro de S. Cristóvão. Na década de 1970, sendo presidente Francisco Thiesen, o parque gráfico foi modernizado, com a implantação da impressão offset.

 

Orientação doutrinária. Tendo adentrado o Espiritismo pela via do estudo das obras de Kardec, Augusto Elias imprimiu cunho verdadeiramente espírita a Reformador, que tinha como subtítulo a frase “Orgam Evolucionista” e se propunha a ser mais um “batalhador da paz”. Já em 31/3/1883 um número especial da revista foi dedicado a Allan Kardec. Sob a direção do fundador, Reformador esteve corajosamente ao lado de causas justas, como a abolição da escravatura e a tolerância religiosa.

 

Honrando sua origem, a FEB preserva até hoje o caráter genuinamente espírita e cristão da revista, que se tornou um dos veículos principais do desenvolvimento da doutrina espírita no mundo. Nas palavras do ex-presidente Juvanir Borges de Souza, “contam-se às centenas seus colaboradores, acolhendo suas páginas os nomes mais ilustres do Espiritismo em todo o mundo e em todas as épocas”. É essa posição singular ocupada pelo periódico que justifica o presente projeto de divulgação de uma amostra de alguns desses textos histórica e doutrinariamente marcantes.

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(Compilação: S. S. Chibeni. Fontes: capítulo sobre Augusto Elias da Silva de Grandes Espíritas do Brasil, 2a ed., revista e corrigida, Rio, FEB, 1969, pp. 172-177 e o artigo “O centenário de Reformador”, de Juvanir B. de Souza, Reformador, dezembro 1982, pp. 364-8. Ambos os trabalhos estão disponíveis na íntegra neste site; volte à p. anterior.)

 

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