Reformador, dezembro 1982, pp. 364-8.
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O Centenário de ReformadorJuvanir Borges de Souza
Desde 1865 os espiritistas brasileiros sentiam a necessidade de
propagar a novel Doutrina dos Espíritos através da imprensa, essa poderosa
força que há séculos vem construindo ideais e demolindo impérios. Torna-se
interessante assinalar a estreita ligação entre o Espiritismo e seu
movimento, desde seu surgimento, e a imprensa, compreendendo também o livro.
Allan Kardec utilizou-os desde o início dos trabalhos da Codificação, com
real proveito na divulgação dos novos conhecimentos. O Brasil dos fins do século XIX era um fervilhar de idéias,
conservadoras umas, revolucionárias outras. Os ideais republicanos e
abolicionistas chocavam-se com a realidade, buscavam inspiração na
experiência de outros povos e tornavam-se cada vez mais influentes,
especialmente após a Guerra do Paraguai, com a fundação do Clube Republicano,
em 1870. O conservadorismo dos partidos políticos tradicionais do Império ia
sendo solapado gradativamente. Culminariam os acontecimentos com a abolição
da escravatura em 1888, seguindo-se-lhe a queda do Império e a proclamação da
República, em 1889. Transplantara-se para cá a filosofia positivista de Augusto
Comte, logo acolhida por alguns intelectuais influentes. O Espiritismo contava já com muitos adeptos, no Rio de Janeiro, na
Bahia, em São Paulo e em outras províncias. Algumas sociedades e grupos espíritas surgiram do esforço criativo e
pioneiro daqueles que iam buscar nas fontes inspiradoras da Europa,
especialmente na França, a orientação inicial para a implantação dos
primeiros núcleos. Mas a barreira da língua limitava a uns poucos eruditos o
acesso às 'obras originais francesas. Em 1869 surgira na Bahia o primeiro
órgão da imprensa espírita brasileira, infelizmente de pequena duração —
pouco mais de um ano —, "O Écho d'Alêm-Tumulo", fundado e
dirigido por Luís Olímpio Teles de Menezes. A partir de 1875 aparecem as
primeiras traduções das obras básicas da Codificação, graças aos esforços do
médico Joaquim Carlos Travassos, sob o pseudônimo de "Fortúnio". A
antiga Editora Garnier incumbiu-se das edições em língua portuguesa de
"O Livro dos Espíritos", "O Livro dos Médiuns" e "O
Céu e o Inferno", todos em 1875; em 1876 era editado "O Evangelho
segundo o Espiritismo". Os núcleos de estudo e prática do Espiritismo começam, então, a
delinear seus rumos, com todos os percalços e dificuldades dos movimentos
novos. Diferentes tendências, incompreensões, personalismos não deixaram de
influir também no nascente movimento espiritista brasileiro. Muitos
trabalhadores, deslumbrados diante da beleza, da vastidão e da abrangência da
Doutrina, no seu tríplice aspecto de ciência, filosofia e religião,
deixaram-se, contudo, envolver pelas dissensões, por inexperiência. Louváveis tentativas haviam sido feitas, no Rio de Janeiro, com o
objetivo de propagar a Doutrina através da imprensa. Prova disso foi a
"Revista Espírita", fundada e dirigida pelo Dr. Antônio da Silva
Neto, vice-presidente do "Grupo Confúcio", a qual teve vida
efêmera, aparecendo em 1° de janeiro de 1875 e desaparecendo ao fim de seis
meses. Outro tentame foi a "Revista da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo
e Caridade", que subsistiu de janeiro de 1881 a julho de 1882. É nesse meio tumultuado que o abnegado e tenaz seareiro português,
fotógrafo de profissão, [365] Augusto Elias da Silva, idealiza, funda e faz circular o
"REFORMADOR" — "Orgam Evolucionista", a serviço da
Grande Causa. “Abre caminho, saudando os homens do presente que também o foram do
passado e ainda hão de ser os do futuro, mais um batalhador da paz: o
"Reformador".” Com essas palavras iniciais apresentava-se, em 21 de janeiro de 1883, o novo órgão da imprensa espírita, terminando por afirmar, peremptoriamente, em seu primeiro editorial: “Pelas considerações que acabamos de fazer e que constituem a nossa
profissão de fé, os nossos leitores, coevos e vindouros, ficam cientes de
que, alumiados pela luz da Doutrina Espírita, somos evolucionistas
essencialmente progressistas.” Batalhador da paz, à luz do Espiritismo, com vocação essencialmente
progressista, eis uma legenda feliz para uma obra ciclópica, com um marco
inicial visível, mas sem limitação no tempo. A diretriz inspirada ao fundador intimorato subsiste nos desdobramentos
dos programas em que se empenharam todos os continuadores da
obra, porque os compromissos assumidos são com a paz, em ação permanente, com
a luz, que vem de Mais Alto e com a Doutrina que representa no mundo a revivescência
da Mensagem Cristã. Não importam, assim, as mil vicissitudes interpostas à jornada do
lutador da paz e da luz. Importa, sim, a superação dos obstáculos, um a um,
nessa sucessão dos anos, que já perfazem o primeiro centenário. Empenhados nessa luta permanente estão os obreiros dos dois planos da
Vida. A inspiração de Cima precisa dos executores dedicados, sejam eles
talentos cultivados ou simples trabalhadores de boa-vontade, mesmo portadores
de imperfeições humanas. A trajetória secular do "Reformador" virtualmente se confunde
com a própria história da Casa de Ismael (*), da qual é o porta-voz e a
representação do seu pensamento. (*) "Reformador":
porta-voz da espiritualidade superior" — artigo de Francisco Thiesen
in "Reformador" de outubro de 1972. Suas milhares de páginas refletem o tríplice aspecto da Doutrina dos
Espíritos. Sem descurar da vasta fenomenologia espírita e dos estudos
científicos e filosóficos, sua inclinação natural é dar ênfase ao Espiritismo
religioso, com seus aspectos morais profundamente vinculados ao Cristianismo
revivido no Consolador. Essa face, sempre presente no "Reformador", hoje está
patenteada em seu frontispício — "Revista de Espiritismo Cristão" —
como a lembrar, permanentemente, que seu objetivo primeiro é o de contribuir
para a reforma moral do homem, segundo o Código deixado à Humanidade pelo
Cristo de Deus. Essa tarefa jamais foi fácil. Ao Mestre Divino tem custado sacrifícios
e renúncias que estamos longe de compreender. A todos os seus emissários, em
todas as latitudes e épocas, não têm faltado esforços e sofrimentos. Não seria diferente a missão do Espiritismo, o Consolador
prometido, aqui ou alhures. * No Brasil de hoje todos os espiritistas conhecem as dificuldades
extremas para se alcançar algum progresso na porfia contra nossas
imperfeições, contra o materialismo avassalador, contra o obscurantismo
dogmático ou contra o preconceito científico, religioso e social. Imaginemos,
então, o que teria sido esse quadro de óbices em uma época hostil, em que o ridículo
era arma usual contra os espíritas, as perseguições eram aceitas com toda
naturalidade e o poder político estava intimamente ligado à Igreja Romana,
garantindo-lhe prerrogativas e privilégios de religião do Estado. Enfrentar tais dificuldades desencorajaria qualquer ânimo que não se
apoiasse em têmpera rija e fé verdadeira. Augusto Elias da Silva as possuía.
Por isso, concretizou seu sonho, apesar do pessimismo de muitos,
impressionados com as pedras do caminho. O prognóstico para o empreendimento
era o de uma vida breve e pálida, sem brilho e sem grandeza, como já ocorrera
com tantos outros periódicos. “Não foi Elias, como alguns confrades supõem hoje, um homem inculto e
incapaz de produções admiráveis, escritas ou faladas. Ao contrário, à
fluência e correção da linguagem se casava um estilo pleno de beleza e vigor
literários e profundo conhecimento da Doutrina dos Espíritos e de diferentes
ramos do saber humano. Quem quiser dar-se ao trabalho (que traz satisfação)
de averiguar o que afirmamos, basta folhear as coleções antigas do
"Reformador", onde encontrará alguns dos belos e instrutivos
discursos por ele pronunciados. Por ser Elias humilde e modesto ao extremo, por isso mesmo se retraía
a ponto de não deixar se lhe conhecessem devidamente as qualidades, entre as
quais a de excelente orador.” ("Grandes Espíritas do Brasil", Zêus
Wantuil, 2a ed. FEB, pág. 182.) Afora suas qualidades pessoais, entrevistas no breve trecho de seu biógrafo, o desbravador contou, sem dúvida, com a inspiração da Espiritualidade Superior, sempre presente nas realizações do Bem. Recebeu, também, a cooperação e o auxílio precioso de alguns poucos companheiros que se lhe juntaram. O então Major Francisco Raimundo Ewerton Quadros é nome que se liga ao do operoso fotógrafo português, desde a primeira hora. Os dois, dinâmicos e corajosos, não temem obstáculos. [366] Um tem a idéia, a inspiração, a vontade firme de torná-la realidade. O outro a acolhe, batalha por ela, auxilia sua concretização e toma o encargo da direção conjunta. Essa conjugação de esforços ocorre tanto no lançamento do jornal
quanto, um ano depois, na fundação da Federação Espírita Brasileira. A
cooperação entre os dois é nítida, franca, leal, sem restrições nem vaidades. Outros poucos uniram-se ao afã da tarefa iniciada. Hoje podemos
perceber que os tarefeiros desincumbiram-se de missão específica, recebida e
cumprida galhardamente. Depois, a obra cresceu, dilatou-se, firmou-se e aí está com seus frutos
abençoados, espalhados por toda parte. Mas, a Augusto Elias da Silva, a
Ewerton Quadros e a seus companheiros da primeira hora, devemos o tributo da
gratidão e do reconhecimento. * Cronologicamente, afirma Zêus Wantuil, "Reformador" foi a
décima folha espírita surgida no Brasil, em que pese à afirmativa de Clóvis
Ramos de ter sido a oitava. ("A Imprensa espírita no Brasil" — 1a
ed., pág. 5.) Há muito se tornou o mais antigo periódico da imprensa espírita
brasileira. Em todo o mundo, ocupa o quinto lugar em antiguidade. Registam os "Anais da Biblioteca Nacional" (Vol. 85) ser o
"Reformador" um dos quatro periódicos surgidos no Rio de Janeiro,
de 1808 a 1889, que sobreviveram até os dias de hoje. São eles, pela ordem:
"Jornal do Commercio" (1827); "Revista do Instituto Histórico
e Geográfico Brasileiro" (1839); "Diário Oficial" (1862); "Reformador" (1883). À exceção do "Diário Oficial",
"Reformador" é o único que jamais teve interrompida sua publicação. Surgido aos 21 de janeiro de 1883, depois de preparativos afanosos, com
recursos de seu fundador, as oficinas e a redação do pequeno jornal foram
instaladas na residência de Elias da Silva, ao lado do atelier fotográfico, à
Rua da Carioca n° 120, 2° andar (antiga Rua São Francisco de Assis), ali
permanecendo até janeiro de 1888. Contara Elias com o incentivo e a
cooperação de sua mulher e de sua sogra, ambas espíritas. O jornal tinha, então, quatro páginas de textos, com o formato de 44 x
36cm, saindo quinzenalmente. A tiragem era pequena, cerca de 300 a 400
exemplares. As assinaturas, não excedentes de duzentas, não cobriam as
despesas de confecção. Boa parte das edições era distribuída graciosamente.
Logo alcançou o exterior, com remessas principalmente para Portugal. Unidos, Elias da Silva e Ewerton Quadros imprimiram ao jornal
orientação segura, fraterna e tolerante. Em janeiro do ano seguinte, antes de completar o primeiro aniversário,
por proposta de seu fundador, "Reformador" era cedido à Federação
Espírita Brasileira, sociedade fundada também por Augusto Elias da Silva. Não
houve solução de continuidade na orientação do jornal, de vez que Ewerton
Quadros foi eleito primeiro Presidente da nova Instituição. Em 2 de janeiro
de 1884 formalizava-se a constituição da Federação, elegia-se sua primeira
Diretoria e incorporava-se o jornal de Elias à FEB. Estava cumprida a parte
essencial da missão de Elias da Silva e de seus coadjuvantes. Depois, viria o
desdobramento da obra. Trabalho e dedicações, permanentes dificuldades e
lutas constantes, alegrias e pesares. Como porta-voz da Federação Espírita Brasileira, "Reformador"
reflete o que é a Casa de Ismael, seu programa, suas finalidades e o
pensamento dos que a dirigem daqui e do Alto. Guillon Ribeiro, o fiel servidor e inesquecível Presidente, sintetizou
bem o relevante papel desse órgão da Casa dos Espíritas, em Relatório
publicado em setembro de 1940, assinalando: “Subordinado sempre, com absoluta fidelidade, à orientação
doutrinária da instituição cujo pensamento lhe cabe exprimir, continuou ele a
esforçar-se por bem servir o melhor possível à causa espírita, sem jamais
dissociar do Evangelho o Espiritismo, antes timbrando invariavelmente em
propagar a Terceira Revelação Cristã, sem esquecer, todavia, de dispensar a
atenção devida à fenomenologia que serviu de base à estruturação da Doutrina
dos Espíritos.” * Alinhando-se corajosamente, desde seus primórdios, como batalhador da
grande causa dos escravos negros do Brasil, a última bastilha da escravatura
no mundo, bateu-se pela emancipação ampla e pacífica, arrostando com denodo o
reacionarismo escravocrata. Em 1888, quando pouco antes se instalara à Rua do
Clube Ginástico no 17, hoje Rua Silva Jardim, juntamente
com a Federação, via proclamada a abolição, em meio a festas memoráveis na
Corte e a alegrias nos corações, coroando as justas aspirações de milhares de
criaturas já cansadas de uma longa espera pela liberdade. Triunfara o Bem. Terminava uma campanha. Começava uma nova etapa na
luta incessante em prol de uma libertação ainda maior, a do Espírito. * Os anos de 1892 a 1895 foram particularmente difíceis para o Movimento
Espírita brasileiro. Lavravam as divergências no seio da família espiritista.
A Federação Espírita Brasileira e seu órgão atravessavam séria crise de ordem
financeira, a par de dissensões e desentendimentos. Desanimado diante das inúmeras dificuldades, o Presidente Júlio César
Leal renunciou ao cargo, em meados de 1895. “Foi então que as vistas dos que amavam aquela Casa, e por ela haviam empenhado os maiores sacrifícios, se voltaram para uma individualidade que, reunindo as mais peregrinas virtudes e saber a um legítimo prestígio no seio dos espíritas, parecia — e com efeito foi — a única em condições de salvar a Federação.” (V. "Esboço Histórico da Federação Espírita Brasileira", ed. de 1924.) Essa figura apostolar e enérgica — o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes —,
que fora anteriormente Diretor da FEB e Presidente em 1889, com largos
serviços prestados à Causa' e ao próprio "Reformador", é convidado,
diríamos melhor, instado, a tomar a direção suprema da Casa de Ismael, no
plano físico. Augusto Elias da Silva, Manuel Fernandes Figueira, Alfredo
Pereira, o então gerente do "Reformador", e o ex-Presidente Dr,
Dias da Cruz são os emissários escolhidos para convencer Bezerra de Menezes a
aceitar a [367] Presidência. Os emissários impuseram a si mesmos, desde logo,
a condição de não ocuparem qualquer cargo administrativo na nova gestão. Bezerra atendeu à convocação, foi eleito com poderes excepcionais na
assembléia extraordinária de 3 de agosto de 1895 e empossado no cargo por
Augusto dias da Silva. Mais um relevante serviço ao Movimento Espírita
prestavam Elias e seus companheiros. Bezerra de Menezes, com descortino e serena energia, imprimiu nova
orientação aos trabalhos da Federação, com base nos estudos doutrinários e
evangélicos, terminou com as tertúlias puramente literárias e com as
discórdias e restabeleceu o equilíbrio financeiro necessário ao
prosseguimento da obra admirável. A atuação de Bezerra à frente dos destinos da Federação e de seu órgão
de divulgação, durante o período de cinco anos, até à sua desencarnação, foi
de importância ímpar para todo o Movimento Espírita no Brasil, que se firmou,
desde então, dentro de uma diretriz que o futuro iria consagrar como a do
verdadeiro papel do Espiritismo no mundo. * Após vinte anos de sua fundação, o jornal da Federação passou a ser
impresso como revista bimensal, com 20 páginas, inicialmente, no formato de
27 x 18,5cm. Durante trinta e quatro anos, de 1903 a 1837, manteve esses
característicos. A administração e a redação do órgão febiano mudaram de endereço
sucessivas vezes, acompanhando a sede da Federação, peregrinando por salas e
porões alugados, até que, em 1911, se instalaram na sede nova construída na
administração de Leopoldo Carne, à Avenida Passos, 30, endereço que se tornou
conhecido de todos os espiritistas do Brasil e do exterior. Em 1937, estando na Presidência Guillon Ribeiro, tendo como gerente
António Wantuil de Freitas, a Revista torna-se publicação mensal, aumentando,
gradativamente, até atingir o número atual de quarenta páginas. Cresceu o número de assinantes, dentro e além-fronteiras. É grande a
quantidade de leitores e Casas Espíritas que recebem gratuitamente e a
Revista. Não dispondo o leitor de recursos financeiros, não deixará de
recebê-la, desde que manifeste sua vontade nesse sentido. Durante muitos anos, manteve "Reformador" rede nacional de
agentes encarregados da cobrança e agenciamento de assinaturas. A partir de
1981 a trabalhosa tarefa passou a ser executada diretamente pela gerência do
órgão, valendo-se dos serviços da rede bancária, com auspiciosos resultados. Como experiência que resultou positiva, seu Diretor Francisco Thiesen,
na Presidência da FEB, em dezembro de 1975, resolveu imprimir suas capas em
cores. A Revista tomou novo aspecto gráfico, com boa recepção. Antes, em
1970, o logotipo e desenho da capa haviam sido substituídos. A modernização,
em matéria gráfica, é uma imposição a que estão sujeitos os meios de
comunicação impressos. Na FEB não poderia deixar de haver atualização, embora
ela se processe sem as prejudiciais precipitações. Desde 1891, sob a Presidência de Dias da Cruz e
Vice-Presidência de Bezerra de Menezes, a FEB buscou levantar, junto aos
espíritas, um empréstimo para compra de prédio próprio e montagem de uma
oficina tipográfica destinada à impressão do "Reformador" e de
obras de propaganda da Doutrina. A tentativa malogrou. Somente em 1939 o
velho projeto se concretizava integralmente. Guillon Ribeiro, o incansável
Presidente, adquiriu e instalou as máquinas impressoras próprias, nas
dependências dos fundos do prédio da Avenida Passos, 30. Foi um decisivo
passo à frente, um novo alento na trajetória do divulgador do Espiritismo.
Graças a essa providência, as edições e reedições de livros espíritas
começaram sua grande expansão. Com a instalação do Departamento Editorial, em 1948, em amplo edifício
especialmente construído em São Cristóvão, o saudoso Presidente Wantuil de
Freitas deu sólida estrutura a todo o complexo editorial da FEB. Situado na
Rua Figueira de Melo, 410, esquina da Rua Souza Valente, 17, esse prédio foi
posteriormente ampliado, com dois novos pavimentos, inaugurados em 1961,
sendo hoje a sede dos Departamentos Editorial e Gráfico. Novo surto de progresso aconteceu na década de 70, quando, sob as
Presidências de Armando de Oliveira Assis e Francisco Thiesen, todo o parque
gráfico foi renovado, com a adoção do sistema offset de impressão. Com
a modernização beneficiaram-se o "Reformador" e seus milhares de
leitores. * Todos os espiritistas conhecem sobejamente a orientação editorial do
órgão febiano. Servindo de mensageiro da Federação espírita Brasileira,
expressa seu pensamento e suas diretrizes. Está permanentemente a serviço do
Evangelho de Jesus, à luz da Doutrina Espírita, e isto diz tudo. Sempre esteve na estacada, em defesa do Movimento Espírita, das
Instituições Espíritas, dos espíritas, contra os ataques, as perseguições e
os preconceitos de qualquer ordem ou procedência. Nessa linha de coerência,
tem expressado sempre a coragem serena dos que pugnam pela prevalência da
verdade, da justiça e da fraternidade entre os homens. Contam-se às centenas seus colaboradores, acolhendo suas páginas os
nomes mais ilustres do Espiritismo em todo o mundo e em todas as épocas, os
médiuns mais dedicados, a serviço da Doutrina, os escritores, os poetas, os
cronistas, os críticos e os artistas, todos os que se interessam por uma
cultura sã das Letras, da Arte, da Ciência e da Filosofia — a serviço do Bem. É evidente que, na sustentação de uma obra complexa e dinâmica,
difícil, evolucionária, mas coerente, de alta significação espiritual, porém
simples e sem atavios em sua apresentação material, teria o
"Reformador" de assentar sua construção em "rocha firme".
Do contrário não chegaria até nós, com um século de serviços relevantes. A que atribuir a segurança e firmeza dessa realização, quando outras,
com tantas possibilidades, naufragaram a meio da travessia? A resposta não se torna difícil desde que atentemos em dois fatores
sempre presentes na vida da Revista: em primeiro lugar, o objetivo visado e o
caminho escolhido, em compromisso irrevogável com o Evangelho do Cristo,
entendido em espírito, à luz do Consolador — esta é a pedra angular; em
segundo, a dedicação admirável de seus servidores, dos dois planos, assim
compreendidos não somente os Diretores, os sucessivos Presidentes que
honraram seus [368] compromissos com o programa de Ismael, mas
também os trabalhadores dos demais escalões, os redatores, os
administradores, os secretários, os gerentes, os executores de tarefas
aparentemente secundárias, sem as quais não se torna possível a manutenção de
um periódico com a feição e os característicos iniludíveis da Revista da FEB,
máxime por um lapso de tempo tão significativo. A presença do Alto, sob a forma de encorajamento e inspiração, deve-se
à invariável diretriz traçada e executada. O segundo fator dependeria de
servidores fiéis e dedicados. Neste fim do Primeiro Século e limiar de uma nova idade de "Reformador",
elevamos nosso pensamento, agradecido, ao Mestre Incomparável. Lembramos, com
admiração, o vulto de seu fundador, missionário que se tornou grande na
humildade e na coragem, cuja visão varou o tempo, projetando-se nas
claridades do futuro. Recordamos igualmente, com emoção, todos os
trabalhadores sinceros que tomaram a si o dever da sustentação e continuação
da obra admirável de esclarecimento espiritual, como exemplos vivos de
dedicação a Ismael, o executor do programa, o preposto do Cristo. Aos obreiros de hoje e de amanhã, auguramos sejam dignos da confiança
do Alto e saibam conduzir o facho luminoso, zelando para que jamais se
extinga a sagrada chama do ideal, ao encontro da paz e da luz. * Valendo-nos de recente pesquisa de nossos companheiros Zeus Wantuil e
José Jorge, alinhamos abaixo, em quadro sinóptico, os nomes dos Presidentes
da Federação e dos que se vincularam mais estreitamente à Revista, como seus
Diretores, redatores, secretários, administradores e gerentes — os devotados
obreiros que por um século vêm emprestando seus esforços e labores,
construtivamente, na difusão da Doutrina dos Espíritos, a tempo e a hora. REFORMADOR FUNDADOR — AUGUSTO ELIAS DA SILVA PRESIDENTES DA FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA: Ewerton Quadros — 1884 a 1888 Dias da Cruz — 1890 a 1894 Júlio César Leal — 1895 (alguns
meses) Bezerra de Menezes — 1889, 1895
a 1900 Leopoldo Cirne — 1900 a 1913 Aristides Spínola — 1914, 1916 a
1917, 1922 a 1924 Luís Barreto A. Ferreira — 1925
a 1926 Paim Pamplona — 1927 a 1928 Manuel Quintão — 1915, 1918 a
1919, 1929 Guillon Ribeiro — 1920 a 1921, 1930 a 1943 A. Wantuil de Freitas — 1943 a
1970 Armando de O. Assis — 1970 a
1975 Francisco Thiesen — 1975 até
hoje DIRETORES (REGISTRADOS NO
FRONTISPÍCIO): Manuel Quintão — 1915 a 1916,
1918 a 1920, 1920 a 1930 Aristides Spínola — 1916 a 1918, 1922 a 1925Guillon Ribeiro — 1920 a 1922,
1930 a 1943 Luís Barreto A. Ferreira — 1925
a 1927 Paim Pamplona — 1927 a 1929 A. Wantuil de Freitas — 1943 a
1970 Armando de O. Assis — 1970 a
1975 Francisco Thiesen — 1975 até
hoje DIRETOR-SUBSTITUTO: Lauro de Oliveira S. Thiago —
1980 até hoje REDATORES-CHEFES E
REDATORES-SECRETÁRIOS: Ewerton Quadros — 1884 a 1888 Leopoldo Cirne — 1905 a 1913 (Redator-Sec.) Aristides Spínola — 1914
(Redator-Chefe) Miguel Ricardo Galvão — 1913 a
1915 (Redator-Sec.) Guillon Ribeiro — 1922 a 1929 (Redator-Chefe) Manuel Quintão — 1927 a 1928
(Redator-Chefe) Carlos Imbassahy — 1943
(Redator-Chefe) Indalício Mendes — 1978 até hoje
(Redator-Chefe) SECRETÁRIOS: Sylvino Canuto Abreu — 1915 a 1916 Amaral Orneias — 1917 a 1923 Fernando Coelho — 1920 Carlos Imbassahy — 1923 a 1943 Indalício Mendes — 1943 a 1975 J. Antero de Carvalho — 1975 a
1978 Alberto Romero — 1978 até hoje GERENTES E ADMINISTRADORES: Augusto Elias da Silva — 1883 a
1887 F. A. Xavier Pinheiro — 1887 a
1890 Alfredo A. O. Pereira — 1891 a
1897 Pedro Richard — 1897 a 1902, 1903 a 1912
(ad.) 1916 a 1917 (ger. Interino) Adauto Noiva — 1912 a 1913 Francisco Chaves — 1913 a 1914
(ger. interino) Jarbas Ramos — 1914 a 1915 A. A. Rodrigues Quintans — 1915
a 1916 Emílio Wirz — 1916 Arthur Rosenburg — 1917 a 1918,
1924 a 1927 Antônio Alves da Fonseca — 1918
a 1920, 1920 a 1924 (ad.) 1931 a 1932 Américo Lopes Vieira — 1927 a
1929 José Vaz de Carvalho — 1929 a
1931 João da Costa Viana — 1932 a
1936 A. Wantuil de Freitas — 1936 a
1943 Henrique Sondermann — 1943 a
1948 João d’0liveira e Silva — 1948
(ger. Interino), 1948 a 1951, 1952 a 1957 Paulo de O. Ludka — 1951 Carlos Guimarães — 1951 a 1952 Ernesto Teixeira Barros — 1957 a
1959 José Yolando dos Santos — 1959 a
1970 Francisco Thiesen — 1970 Getúlio Soares de Araújo — 1970
a 1981 Alfonso B. G. Soares — 1981 a
1982 Tânia de Souza Lopes — 1982 Agadyr Teixeira Torres — desde agosto de 1982
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