Realismo naturalista/Parnasianismo

Outra escola que não posso relatar sobre por não ter estudado. Dê uma olhada na minha página sobre o Realismo/Naturalismo/Parnasianismo brasileiro se for de ajuda.


O Primo Basílio

Por Eça de Queirós

A história conta de Luísa, jovem de 25 anos casada com o engenheiro Jorge. Jorge parte no começo da história de Lisboa a trabalho, deixando Luísa em casa com a empregada maldizente, Juliana, e os amigos a cuidá-la para que não converse com uma antiga amiga de infância, Leopoldina, muito malvista pela sociedade lisboeta por ser adúltera. E aparece então a figura de seu primo Basílio, por quem fora apaixonada quando jovem e, quando a família deste perdeu a fortuna, se mudou para o Brasil. Quando ele recuperou a fortuna viajou e retornou para Lisboa, passando a visitá-la enquanto Jorge estava em viagem, fato muito malvisto pela vizinhança fofoqueira. Basílio declara-se a ela apaixonado ainda, e de modo casto, mas várias vezes tem acessos e lha beija. Começa então um reacender do relacionamento, fofocado pela empregada, as vizinhas e os amigos do marido. Eles se tornam amantes e em seguida arranjam um local mais discreto que a casa de Luísa, e passam a se encontrar sob a desculpa que Luísa ia visitar uma amiga no hospital todos os dias. Luísa escreve-lhe bilhetes e cartas, e ele também. Mas a medida que passa o tempo a relação esfria e Basílio fica desinteressado. Quando num rompante ambos vão se separar, juntam-se novamente. Neste dia quando chega em casa, prestes a despedir Juliana, esta lhe revela que guardou as cartas que mandava ao amante. Luísa desmaia. Quando acorda Juliana começa a planejar com a inculcadeira Tia Vitória extorquir um conto de réis de Basílio. Luísa fala com Basílio sobre fugir, ele nega dizendo que é questão de dinheiro, não fuga. Mas Basílio foge para Paris, dizendo a Luísa que voltará em 20, 30 dias. Mas ela sabe que é mentira. Juliana passa então a lhe exigir 600 mil-réis (0,6 contos) "para a velhice. Como Luísa não pode pagar, vai arrastando a situação. Jorge volta de viagem, e Luísa torna-se amantíssima, sentindo-se livre apenas na alcova, já que Juliana lhe chantageia. A princípio pede para sair do sótão para um outro quarto. Depois pede roupas, vantagens, comida... Joana, a cozinheira, fica com inveja e passa a ganhar alguns presentes para ser aplacada. Espalha-se por Lisboa que trabalhar naquela casa é vantagem grande, com soldo alto, presentes, afeto... Logo Luísa já está quase esquecida de Basílio e ajudando, por vezes até fazendo boa parte do serviço doméstico. Quando Jorge descobre isto fica irritadíssimo, e tenta demitir Juliana, sendo impedido por Luísa. Jorge torna-se então antipático com Juliana. Luísa tenta conseguir dinheiro com um jovem milionário que é apaixonada por ela, mas não consegue ao recusar-se a entregar-se a ele, expulsando-o a chicotadas. Após uma briga entre Luísa e Juliana, na qual a cozinheira Joana defende a ama, Luísa despede-a (Joana), em prantos para que não revele o acontecimento. Conta então uma meia-verdade (que foi um amor platônico e a empregada tinha cartas) a Sebastião, amigo de Jorge, que começa traçar um plano para recuperar as cartas. O plano tem mais sucesso que o esperado, já que Juliana, após entregar as cartas (intimidada por um policial que Sebastião levara para a ocasião), descobre que está despedida, caia morta por causa de seu aneurisma. Luísa chama Joana de volta como se nada tivesse acontecido e cai doente naquele dia. Enquanto doente chega uma carta de Basílio que Jorge abre, descobrindo tudo. Passa então duas semanas de auto comiseração, oscilando entre o perdão e a solução final, até que Luísa recupera-se quase que completamente. Neste dia conta-a, pensando em perdoá-la, mesmo tendo afirmado antes de viajar que isto era contra seus princípios, mas ela cai doente, muito doente. Definha cada vez mais, em saúde e aparência (o médico mandara-lhe raspar a cabeça), até que entra em coma e morre, suas últimas palavras, dirigidas a Jorge, sendo um pedido de perdão. Mais tarde o Conselheiro Acácio escreve-lhe o necrológio enquanto sua amiga, Dona Felicidade é recolhida a um hospital (não por causa da morte dela, mas porque, sendo apaixonada pelo Conselheiro, adoece ao saber que ele tinha uma amante, tendo sido durante toda a história um modelo de castidade e virtude) e Jorge muda-se para a casa de Sebastião. Basílio volta um pouco depois de Paris e vai até a casa da prima, sem saber da morte. Quando descobre fica pouco chocado e sai a andar com um amigo. E este comenta que havia ela sido apenas uma amante burguesa, casada com um reles homem, que não tinha classe; que era afinal apenas para aquele verão que passara em Lisboa, dando o final necrológio a Luísa, com o autor assim criticando até o fim a sociedade portuguesa de sua época.


Alves & Cia.

Por Eça de Queirós

Alves & Cia. é a firma da qual são sócios Machado e Alves e o título deste "pequeno romance" sobre o adultério e suas conseqüências. Quando no dia do aniversário de Ludovina, esposa de Godofredo (Alves), este a surpreende abraçada Machado, começa a história. Alves perturbado com a surpresa, se retira e Machado foge da sala. Alves expulsa Lulu para a casa do pai (que recebe a notícia feliz com a pensão que receberá junto) e decide que ele e Machado tirarão na sorte quem se suicidaria. Posto que Machado e as testemunhas achem isto ridículo, vai-se decidindo por um duelo de pistolas, logo por um de espadas (porque "não foi tão sério"), logo por duelo nenhum. Ludovina viaja com o pai e volta mais tarde. Machado volta trabalhar num clima seco e frio onde antes houveram dois grandes amigos. Já nessa época Alves quer a reconciliação. O tempo vai passando, Alves se reconcilia com Ludovina, sua amizade com Machado renasce; a firma prospera, Machado casa, enviuva, casa novamente, etc. Ao final de 30 anos, os três são felizes e ainda muito unidos, mas nunca esquecem o episódio lamentável em que se envolveram; Alves sente-se feliz que não se precipitara.


A Velhice do Padre Eterno

Por Guerra Junqueiro

Neste livro Guerra Junqueiro dispara balas contra a Igreja, mas não contra Deus. O anticlericalismo de Junqueiro manifesta-se forte aqui, com críticas ferozes aos curas e aos papas, sua gula, avareza, ganância e todos os defeitos possíveis. Mas aparece também o sentimento de religiosidade, já que o autor não nega a existência de Deus, apenas a validade e moralidade da Igreja Católica. Este livro foi ilustrado por Leal da Câmara, que reflete em suas aquarelas os sentimentos e impressões de Guerra Junqueiro, com padres bonachões e imagens como Jesus conversando com Voltaire e Deus escarrando. Num aspecto técnico, Guerreiro usa rimas em todos os versos, apesar de não se preder exageradamente a metrificação.


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