O Barroco foi um estilo literário que durou do século XVII ao começo do século XVIII, marcado pela linguagem rebuscada (característica também chamada gongorismo), o uso de antíteses e de paradoxos que expressavam a visão de mundo barroca numa época de transição entre o teocentrismo e o antropocentrismo. Outro grande autor barroco foi o Pe. Antônio Vieira, que tem página própria.
O padre lisboeta Manuel Bernardes (1644-1710) foi um notável prosista, cuja obra revela um profundo caráter moral, erudito e psicológico. Escreveu em um estilo que lembra o latim e usava muitas alegorias, símbolos para demostrar seus pontos de vista. Bernardes escreveu vários livros e enlouqueceu em 1708.
O teatrólogo Antônio José da Silva (1705-1739) era filho de um casal de cristãos novos brasileiros que morava no Rio de Janeiro. Quando tinha oito anos, sua família foi obrigada a mudar-se para Portugal e submeter-se a um julgamento sob a acusação de "judaizar", ou seja, manter costumes judaicos, crime na época. Sua mãe até torturada foi. Aos 21 anos foi preso de novo por este motivo, o que interrompeu seu estudo de leis. Depois estabeleceu-se como advogado. Nesta época escreveu sete comédias, que possivelmente tinham partituras que, se existiram, estão perdidas. Em 1735 foi preso de novo, ficou alguns anos preso e foi submetido ao garrote (estrangulada) e teve seu corpo queimado em praça pública. Antônio José da Silva introduziu a prosa ao teatro português numa obra basicamente cômica, usando trocadilhos e parodiando as óperas de seu tempo.
A freira portuguesa Mariana Alcoforado (1640-1723) teria entrado para um convento de Beja, Portugal, aos 12 anos. Quando tinha cerca de vinte anos, supostamente teria se envolvido com um oficial francês chamado DeChamilly. Suas apaixonadas cartas de amor foram publicadas anonimamente em 1669, mas a polêmica sobre o/a autor/a continuou por anos. A versão mais aceita, atualmente, é de que ela de fato teria escrito as cartas, mas versões contrárias indicam que tudo pode não ter passado de um golpe publicitário. Essas cartas são as famosas Cartas Portuguesas.
"Considera, meu amor, até que ponto foste imprevidente! Oh!, infeliz, que foste enganado e a mim enganaste também com esperanças ilusórias. Uma paixão sobre a qual tinha feito tantos projetos de prazeres não te causa agora mais do que um mortal desespero, só comparado a crueldade da ausência que o provoca. E esta ausência, para qual a minha dor, por mais que se esforce, não consegue encontrar um nome assaz funesto, há-de então privar-me para sempre de fitar esses olhos onde eu via tanto amor, esses olhos que me faziam saborear emoções que me cumulavam de alegria, que era o meu tudo, a tal ponto que deles só precisava para viver?" Cartas Portuguesas