Autora: Clau Mello (1o DI)
RocknRoll can never die*
A sociedade com seus vícios e contradições tem no rock o seu retrato mais fiel. Esse gênero, além de captar a essência das sociedades, a esmiuça e mostra todas as suas facetas. Talvez não fosse pretensão afirmar a existência de um binômio indissociável entre a realidade e o rock.
O rock é, originalmente, uma música de protesto, de reivindicação. Por isso, tornou-se o paradigma de uma juventude sem líderes e heróis, descrente de sua capacidade e de seu papel definido na sociedade. Os rockeiros perceberam esse vácuo e dele se aproveitaram. A partir de então, viraram mais do que simples músicos, passaram à condição de poetas cujos discursos vinham em longas letras de contestação acompanhadas por guitarras agonizantes, que clamavam por atenção. Estes poetas eram também um esboço da época em que viviam. Suas vidas eram conturbadas e regadas a muito álcool e drogas pesadas, subterfúgios quase essenciais para se suportar um mundo marcado por guerras, ditaduras e sérias restrições à liberdade individual. Foi desse caos social e pessoal que grandes hinos, até hoje entoados, foram escritos. Não seria errado afirmar que, de certa maneira, o rock politizou toda uma geração, fazendo-a mudar do papel de mero ator coadjuvante que lhe fora fadado para o de protagonista, passível de exigir Mudanças, ou, pelo menos, de almejá-las o que já era uma enorme evolução.
Mais de trinta anos se passaram e o rock ainda mantém sua característica principal: a indignação diante dos absurdos da realidade que nos é imposta. Muitos alegam a perda desse caráter. Porém, esses hereges não percebem que bandeiras levan-tadas no passado hoje seriam incompatíveis. Além disso, a sociedade vive em constante transformação. Logo, o rock jamais poderia ser algo estático, preso exclusivamente a fatos de um passado já resolvido.
Evoluir não implica ne-cessariamente em se perder a ideologia e o vigor iniciais, muito pelo contrário; esse conceito está ligado ao de adequação. O rock simplesmente se adaptou à nova realidade social com a mesma pretensão de sempre, a de mostrar a ineficiência desta e lutar por condições melhores.
Sendo assim, os que pregam a morte do rock pregam, conseqüentemente, a morte da sociedade, algo utópico se não patético.
* da música Hey hey, my my, de Neil Young