Autor: Homero Andretta (1º DI)
Ecoasneiras
Esta NÃO é uma ficção, mas qualquer semelhança será considerada mera coincidência.
Um econochato, cujo nome não me recordo, afirmou que o Brasil deveria copiar a Coréia do Sul. Isso, entretanto, não será necessário, pois a Coréia do Sul já nos imitou há alguns anos passados. Pode soar estranho, mas o sistema capitalista funciona da mesma maneira em todos os países subdesenvolvidos: os governos permitem a instalação de multinacionais em seus territórios, a entrada do grande capital para o aproveitamento da mão-de-obra, a espoliação dos recursos naturais, promo-vendo uma política agressiva de exportações. A educação, tão enfatizada, recebe investimentos desses Estados na medida do necessário ao capital. Isso aconteceu em toda Ásia durante os anos 80 e começo dos 90. Novidade para o Brasil? Não.
Desde o período JK e, mais intensamente, no período militar, essa política ocorreu no Brasil. Surpresa! Coincidência?! O mais estranho é que esse modelo literalmente esgotou-se, tanto aqui como na Ásia, após alguns anos de euforia econômica. No caso brasileiro, a festa acabou na década de 80 - ou a década perdida - e a Ásia conhece, agora, os reveses dessas políticas inconseqüentes e desorganizadas de progres-so. Este desenvolvimento, entretanto, funciona como uma bomba relógio, tanto que os militares saíram de cena quando perceberam a fragilidade desse modelo. O legado evidencia-se na pobreza, disparidade de rendas, crimes ambientais, e desordem político-administra-tiva (corrupção, endivida-mento, falências e outros males).
O Brasil cresceu extraordinariamente nos anos 70; contudo, isso se deu sob um custo muito elevado. Sem citar os endividamentos externo e interno, os gastos desenfreados dos recursos públicos (como a dispendiosa Transamazônica), essa situação impediu a implantação de uma indústria genuinamente nacional. O fracasso desse sistema exemplifica-se pelo fato de que já existiu uma indústria automobilística com sede local, a Gurgel. Haverá quem diga que isso é uma leviandade, posto que os carros dessa empresa eram verdadeiras carroças. Peço, porém, que o leitor enumere quantos países têm suas próprias fábricas de veículos automotores: EUA, Japão, França, Alemanha, Itália e outra meia dúzia. Para um país na situação do Brasil, isso foi um verdadeiro avanço, digo mais, um motivo de orgulho nacional, tendo em vista que nossa industrialização começou com mais de um século de atraso.
O fato é que a Gurgel não resistiu à concorrência desleal das carroças um pouco melhores que eram fabricadas aqui e dos carros importados recém-chegados na época do governo collorido, o qual não moveu uma palha para salvá-la. Voltando aos dias atuais, lembremo-nos de que a Coréia do Sul tem duas multinacionais automobilísti-cas, a Kia Motors e a Asia Motors (aquela que iria construir uma fábrica na Bahia e que, devido à crise asiática, desistiu de suas empreitadas ultramarinas). Se não fosse a ajuda de seu governo (protecionismo, hoje??) ambas as empresas não estariam mais no mercado global.
Neste jogo de cópias (ou serão meras coincidências??), pergunto se existe originalidade nas neoliberasneiras. Desde que se fala em globalização, o que melhorou neste gigante adormecido? Não parece que os países mais ricos do mundo têm uma certa aversão à concorrência sediada fora dos seus territórios? Que nada, dizem os deslumbrados, são os nossos pródigos e ignorantes empresários que não sabem gerir empresas multinacio-nais!!!