Os grandes nomes do Renascimento.O século XVI, a Alta Renascença. Itália.
   

Rafael, A Madonna de Granduca, Florença, Palácio Pitti

 

 

Rafael Sanzio (1483 -1520), um século que conheceu Leonardo da Vinci e Michelângelo já poderia se considerar um período muito especial na História, mas se acrescentarmos o nome de Rafael teremos então, um século inigualável. Contemporâneo de Leonardo e Michelângelo e como este último, trabalhou em Roma, também a serviço de Júlio II e Leão X, papas que foram grandes mecenas, Rafael morreu com apenas 37 anos, o suficiente para alcançar fama em seu tempo e imortalidade para sempre.

São famosos os retratos da Virgem com o Menino Jesus de Rafael, as Madonnas, sempre muito doces, puras, suaves, com encantadora simplicidade e beleza, mas perigosamente heréticas pois quase eróticas...Com Rafael o Renascimento tinha fugido do controle da Igreja, que na mesma época, vivia a experiência vitoriosa de uma Reforma religiosa na Alemanha. Parecia, para as mentalidades conservadoras da Igreja, que as heresias (desvios da norma católica) iriam dominar o plano político e intelectual. Michelângelo pintando nus e Deus em forma de homem em pleno Vaticano em Roma....Madonnas cheias de beleza e discreta sensualidade de Rafael....Isso sem falar nas idéias heréticas que vinham de todas as partes, inclusive de um certo Galileu, que poucos anos mais tarde das pinturas de Rafael, ousava desafiar a Igreja dizendo que a Terra não era o centro do Universo. Para combater todas estas idéias e principalmente os reformadores que seguiam Lutero e Calvino ao norte da Itália, a Igreja Católica criou um amplo movimento, a Reforma Católica ou Contra-Reforma, que iria perseguir e punir, com a fogueira ou prisão, quem desviasse seu comportamento e pensamento das normas.

É a época que se segue ao Renascimento que podemos chamar de Reforma Católica, quando a toda poderosa Inquisição é temida, principalmente nos países ao sul da Europa, como a Itália, Espanha e Portugal. Mais do que apenas combater hereges, a Inquisição queria impedir que pensamentos heréticos pudessem ser divulgados, pois, para desespero da Igreja, um dos frutos do Renascimento foi a imprensa, que tinha o poder de publicar qualquer obra, inclusive as heréticas. Vigiar e punir foi o papel da Igreja neste período ; estamos, portanto, longe da postura dos mecenas como Leão X ou Júlio II. Pode-se considerar como síntese desta nova fase histórica, a morte na fogueira do monge Giordano Bruno, por sua filosofia livre e interpretação pessoal da religiosidade, em 1600. Com ele, marca-se simbolicamente, o fim do Renascimento e o início de uma nova fase, em que liberdade de pensar e se expressar, poderia custar a vida.

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