Histórico

Fundada na década de 1.870, pelo Dr. Ezequiel de Paula Ramos e sua esposa D. Anna Eufrosina Jordão, a Fazenda Quilombo foi constituída a partir de uma área desmembrada da Fazenda Morro Azul.
Esta parcela de aproximadamente 300 alqueires (750 hectares), foi recebida como herança por Anna Eufrosina Jordão, filha de Silvério Rodrigues Jordão, proprietário da Fazenda Morro Azul. A Fazenda Morro Azul estabelecida a partir de 1.820 foi uma das primeiras propriedades da região que viria a constituir o município de Limeira.
A exploração econômica da Fazenda Quilombo inicia-se com a formação de cafezais, utilizando a mão- de-obra dos escravos, que foi sendo gradativamente substituída pela dos colonos europeus, principalmente italianos.
O ano de 1.892, assinalou a conclusão das obras de infra-estrutura para o café. Todo o conjunto composto por terreiros, lavadores, tulhas, casa da administração e casa sede atendia as funções de secagem e preparo do café e era característico das unidades de produção que se estabeleceram no Oeste paulista a partir da segunda metade do século XIX.
Circundadas por muros essas construções apresentavam dois portais: um de entrada e outro externo que estabelecia a ligação com a colônia principal da fazenda. A colônia contava com aproximadamente 40 casas dispostas em forma de uma ferradura. No centro havia um chafariz para abastecimento de água das casas e bebedouro para os animais de trabalho. Vários outros conjuntos menores de casas de colonos localizavam-se em outras áreas da propriedade.
A década de 1.890 marca também a importante atuação política do Dr. Ezequiel de Paula Ramos, que foi eleito senador do Estado de São Paulo após a Proclamação da República, ocupando esse cargo por várias legislaturas.
No período de expansão do café foram incorporadas áreas de florestas restando uma pequena faixa de matas nas encostas do Morro Azul encimada pelas palmeiras centenárias, ai plantadas no século passado por Silvério Rodrigues Jordão. Marcavam a linha divisória entre a Fazenda Morro Azul e a Fazenda Ibicaba, propriedade do Senador Vergueiro.
Após a crise do café em 1.929, os descendentes do Dr. Ezequiel erradicaram essa lavoura substituindo-a pelo cultivo de cereais, algodão e citros.
Continuaram a contar com o concurso dos antigos colonos, alguns já trabalhando num sistema de parceria para exploração dessas novas atividades agrícolas. O pagamento da formação dos pomares de laranja, para famílias de colonos foi feita com a transferências para esses de algumas glebas da propriedade que passaram a constituir vários sítios. Desses resta apenas um, tendo sido os demais adquiridos pelas grandes propriedades canavieiras, que se desenvolveram sobre tudo a partir de 1.950.
A década de 1.970 assinala a volta do cultivo do café na Fazenda Quilombo. Seu atual proprietário, o engenheiro agrônomo Francisco Raphael de Araujo Ribeiro bisneto dos fundadores Dr. Ezequiel e D. Anna Eufrosina, retomou a cultura e recuperou as instalações dos terreiros e armazéns, casa sede e casas da colônia. Procurou diversificar as atividades desenvolvendo a cultura do algodão, a pecuária leiteira e o cultivo de cereais. Dessas atividades permanece apenas o café, secundado pela cultura de citros e a criação de ovinos e eqüinos.
A Fazenda Quilombo por se tratar de uma propriedade centenária que continua desenvolvendo a lavoura de café tem atraído o interesse de inúmeras escolas da região e também de visitantes do exterior ( França, Alemanha, Suíça, Bélgica, Noruega e EUA ). Anualmente recebe a visita de estudantes e professores interessados em conhecer o processo produtivo dessa lavoura que também contribui para o desenvolvimento do Estado de São Paulo e também do Brasil.

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