Sapucaí - O Templo do Samba no Reino do Carnaval
por Renato Buarque
Sinopse do Enredo
"Neste ano, a escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel contará a história dos 15 anos da Passarela do Samba, o Sambódromo, como é popularmente conhecido. Mostrará como foi idealizado e os seus desfiles mais marcantes. Esperamos agradar a todos com este enredo no qual todos os sambistas fazem parte."
Há muito tempo, exatamente desde 1970, os sambistas desejavam um local fixo para desfilar. Até 1983 era aquele monta e desmonta de arquibancadas alucinante que deixava todo mundo louco, e acabava gastando muito dinheiro.
Finalmente o sonho dos sambistas se tornou realidade: em apenas 120 dias, exatamente no dia no dia 2 de março de 1984, foi inaugurado o local tão sonhado por eles. Primeiramente foi chamado de Avenida dos Desfiles. Depois seu nome foi mudado para Passarela do Samba.
Darcy Ribeiro sempre apoiou esta idéia e foi ele o grande realizador deste sonho. Foi ele também quem pôs o apelido da Avenida dos Desfiles de Sambódromo, o nome pelo qual todos os sambistas e não-sambistas conhecem a Passarela do Samba. E quem projetou-o foi o arquiteto Oscar Niemeyer. Está localizada na Rua Marquês de Sapucaí, bem no centro do Rio de Janeiro, uma área super tradicional do samba
, bem perto da Praça Onze, onde eram realizados os primeiros desfiles de escolas de samba.O primeiro carnaval da Sapucaí foi realizado em 1984, onde o então Governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, estabeleceu que seriam realizados dois campeonatos independentes, um para cada dia de desfile. E estabeleceu ainda que as três primeiras colocadas de cada dia disputassem um supercampeonato. A Portela venceu o desfile de domingo com o enredo "Contos de Areia" e a Mangueira foi a vencedora do desfile de segunda e supercampeã com o enredo "Yes, nós temos Braguinha". Dois desfiles inesquecíveis. Também neste ano, Caprichosos de Pilares realizou um belo e surpreendente desfile com o enredo "A visita da nobreza do riso à Chico Rei num palco nem sempre iluminado". Foi a revelação daquele ano.
Em 1985, o primeiro ano que o desfile foi realizado pela LIESA, a nossa Mocidade Independente venceu o seu segundo carnaval com o nosso maior desfile, o antológico "Ziriguidum 2001", onde o saudoso carnavalesco Fernando Pinto deu um show de criatividade e beleza e surpreendeu a todos na Marquês de Sapucaí. E novamente a Caprichosos de Pilares com novamente o seu criativo carnavalesco Luiz Fernando Reis realizou um ótimo desfile com o enredo "E por falar em Saudade" e naquele ano foi considerada a escola mais irreverente do carnaval carioca. No ano de 1986, quem levantou o público e o título foi a Estação Primeira de Mangueira com o enredo "Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira têm". A Beija-Flor também fez um belíssimo carnaval com a marca de Joãosinho Trinta e também levantou o público sob um dilúvio para mostrar o futebol com o enredo "O mundo é uma bola".
A Mocidade Independente mais uma vez surpreende o público em 87 com o seu desfile falando sobre uma cidade imaginária: "Tupinicópolis". E quase levou o título injustamente conquistado pela Mangueira. A Estácio pela primeira vez com este nome, consegue sua primeira boa colocação com o animadíssimo "Ti ti ti do sapoti". A Portela, a Vila Isabel e o Salgueiro, mesmo com belíssimos sambas, também não conseguiram levar o caneco.
A Unidos de Vila Isabel conquista o seu primeiro e único título em 88, com um carnaval simples mas perfeito, talvez o desfile mais antológico de toda a história do Sambódromo com o enredo "Kizomba, a festa da raça".
Em 89, a Imperatriz ressurge do último lugar para o primeiro com o também antológico desfile com o enredo "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós". E a Beija-flor, ainda com o gênio Joãosinho Trinta, traz mendigos para a avenida e levanta o público para contar o enredo "Ratos e urubus, larguem minha fantasia". E ainda neste ano a União da Ilha também faz um ótimo desfile com um ótimo samba com o enredo "Festa Profana".
Novamente a Mocidade conquista o campeonato, desta vez o de 90, com o enredo "Vira, virou, a Mocidade chegou". E em 91, o nosso bicampeonato com o enredo "Chuê-Chuá, as águas vão rolar". Foi o auge de nossa escola.
Em 92, a Estácio de Sá, com um desfile arrebatador, tira o tri da Mocidade e conquista o seu único campeonato com o enredo "Paulicéia Desvairada - 70 anos de modernismo". Mas a Mocidade também não deixou a desejar com o seu ótimo desfile com o enredo "Sonhar não custa nada! Ou quase nada...". Em 93, o desfile que mais levantou a galera no Sambódromo. Foi a vez do Salgueiro ganhar o seu primeiro título na Sapucaí com o enredo "Peguei um Ita no Norte". Naquele ano não teve pra ninguém. Só deu Salgueiro do início ao fim da apuração.
No ano de 94, o Salgueiro quase ganha o carnaval novamente com o enredo "Rio de lá pra cá", lembrando um pouco o samba do ano anterior. E em 95, a Portela faz um desfile que emocionou a todos na Passarela do Samba e quase leva o título contando a história do carnaval com o enredo "Gosto que me enrosco".
Em 96, foi a ressurreição da Império Serrano. Sendo rebaixada várias vezes nos anos anteriores. Ela consegue um sexto lugar com o enredo "E Verás que um filho teu não foge à luta", homenageando o então vivo Betinho. Neste mesmo ano, a Mocidade novamente ganha o carnaval com mais um enredo high-tech: "Criador e Criatura". Infelizmente, os vários efeitos especiais não tiveram o efeito que mereceram por causa do atraso no desfile que acabou levando a Mocidade a desfilar de manhã. A Imperatriz Leopoldinense quase consegue o tri com o seu perfeito desfile "Leopoldina, a Imperatriz do Brasil".
A Unidos do Viradouro, agora com Joãosinho Trinta, consegue vencer pela primeira vez um carnaval no Grupo Especial, em 97, com o enredo "Trevas! Luz! A explosão do universo". É claro que a bateria também ajudou com a sua paradinha funk.
Em 18 de fevereiro de 1997, um pouco depois do carnaval deste mesmo ano, o nome Passarela do Samba foi trocado pelo nome Passarela Professor Darcy Ribeiro, homenageando o criador do Sambódromo, que faleceu um ano antes.
A Mangueira, depois de onze anos, conquista o título do carnaval de 98 junto com a Beija-flor com o emocionante desfile "Chico Buarque de Mangueira", homenageando o grande cantor e compositor Chico Buarque. No ano de 99, a Mocidade Independente conquista o púbico com um espetáculo de criatividade fazendo uma homenagem a Villa-Lobos com o enredo "Villa-Lobos e a apoteose brasileira" , mas mesmo assim não leva o título conseguido pela Imperatriz.
Mas nem tudo é só alegria. Quando o Sambódromo foi construído, nenhum sambista foi consultado para saber se gostaram ou não do projeto, se tinham alguma retificação a fazer. E daí é que começou o problema. As enormes alegorias hoje estão com dificuldade de serem colocadas na Sapucaí. O espaço da concentração e da dispersão são muito estreitos. Já foram realizados vários ajustes, mas não está adiantando muito. Vamos ver o que vai acontecer...
Agora a Mocidade só fica na espera de que este desfile seja mais um momento antológico do desfile das escolas de samba.
Renato Buarque
Desenvolvimento do enredo:
COMISSÃO DE FRENTE - Será composta por 15 componentes. Representará as 15 primeiras colocadas no Ranking desde a criação da Passarela Prof. Darcy Ribeiro. Estarão de caras pintadas com as cores das escolas, com capas brancas para não ficar muito diferente. Quando eles abrem as capas mostram a bandeiras de cada escola (Beija-flor, Mocidade, Imperatriz, Salgueiro, Mangueira, Portela, Vila Isabel, Estácio, Viradouro, União da Ilha, Império Serrano, Caprichosos, Grande Rio, Unidos da Tijuca e São Clemente) e tem esplendor de cabeça com o símbolo de cada escola.
CARRO ABRE-ALAS
- Homenageia os criadores do Sambódromo: o Prof. Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer.ALA 1 - "Darcy Ribeiro" - Representa o senador e criador do Sambódromo.
ALA 2 - "Leonel Brizola" - Representa o governador Leonel Brizola, que inventou o supercampeonato do ano de 1984.
ALA 3 - "A nobreza do riso" - Representa a escola revelação de 84, a Caprichosos de Pilares.
ALA 4 - "Deu Águia, símbolo da sorte!" - Homenagem a Portela, a vencedora de domingo no ano da inauguração do Sambódromo.
ALA 5 - "É no balanço que a Mangueira vai passar" - Esta ala faz uma homenagem a Estação Primeira, a campeã da segunda-feira e supercampeã do Sambódromo.
CARRO 2 - Yes, nós temos Mangueira - Nesta alegoria, fazemos uma homenagem a Mangueira, a supercampeã do Sambódromo.
ALA 5 - "Tem bumbum de fora pra chuchu" - Representa novamente a Caprichosos de Pilares, neste desfile que a consagrou como a escola de samba mais irreverente do Rio de Janeiro.
ALA 6 - "Vou fazer todo o universo sambar" - Representa o nosso campeonato ano de 85, com o inesquecível Ziriguidum 2001.
CARRO 3 - Ziriguidum 2001 - Homenageia a própria Mocidade quando ganhou o carnaval com o enredo Ziriguidum 2001.
Mestre-sala e porta-bandeira
Homenageiam ainda o Ziriguidum da Mocidade. Possuem fantasias futuristas. O Sol está no esplendor de cabeça da porta-bandeira e a lua no do mestre-sala. Na saia da porta bandeira estão estrelas brilhantes e no mestre-sala os planetas.
Bateria
Ainda com homenagens ao Ziriguidum 2001, representam alienígenas vindos de outras galáxias. Possuem antenas na cabeça e são verdes com neon verde nos capacetes e botas pretas. E os instrumentos também são totalmente verdes.
ALA 7 - "Tem Xinxim e Acarajé" - Faz novamente uma homenagem a Mangueira, desta vez com o desfile campeão de 86, no ano em que ela homenageou Caymmi.
ALA 8 - "O Mundo é uma bola" - Representa o vice-campeonato da Beija-flor em 86, falando sobre o futebol.
ALA 9 - "Que ti ti ti é esse?" - Esta ala representa o desfile da Estácio de Sá em 87, com o ótimo Ti ti ti do Sapoti.
ALA 10 - "O que deve ser teu será" - Faz uma homenagem ao Salgueiro também no ano de 87, com o seu belíssimo samba "E por que não?"
ALA 11 - "Maíra" - Esta ala representa Maíra no enredo da Vila Isabel "Raízes"
ALA 12 - "A pomba da paz" - Uma nova homenagem a Portela, agora representando a Adelaide, a pomba da paz.
ALA 13 - "Tupinicópolis" - Esta ala homenageia novamente a Mocidade Independente no super criativo enredo Tupinicólpolis.
ALA 14 - "Valeu Zumbi!" - Uma nova ala representando a Vila Isabel, desta vez com o antológico desfile de 88 - "Kizomba, a festa da raça.
CARRO 4 - Kizomba, a festa da Vila - Representa o campeonato mais do que justo da Vila Isabel em 1988, com o enredo Kizomba, a festa da raça.
ALA 15 - "Eu vou tomar um porre de felicidade" - Esta ala representa a União da Ilha do Governador com o seu inesquecível desfile de 89: "Festa Profana".
ALA 16 - "Liberdade, liberdade!" - Ala representando o antológico campeonato da Imperatriz Leopoldinense em 89.
ALA 17 - "Da folia eu sou Rei" - Homenagem a Beija-flor representando os mendigos no enredo "Ratos e Urubus, larguem minha fantasia".
CARRO 5 - Ratos e Urubus - Uma homenagem a Beija-Flor e ao Joãosinho Trinta, representando o vice-campeonato da escola no ano de 89.
ALA 18 - "A Mocidade chegou" - Representando o terceiro campeonato da Mocidade Independente com o enredo "Vira virou, a Mocidade chegou".
ALA 19 - "Chuê-chuá" - Representando o bicampeobato da Mocidade, esta ala fala da água.
ALA 20 - "Me dê, me dá, me dá, me dê" - Esta ala faz uma homenagem à Estácio de Sá na conquista do seu único campeonato.
ALA 21 - "É lindo o Salgueiro" - Representa o único campeonato do Salgueiro na Sapucaí, com a explosão do público que foi ao delírio com este desfile.
CARRO 6 - Explode Coração - Alegoria que homenageia o inesquecível campeonato do Salgueiro no ano de 93.
ALA 22 - "Chegou a hora do Salgueiro sacudir!" - Esta ala ainda homenageia o Salgueiro, agora com o desfile de 94, onde ficou em segudo lugar.
ALA 23 - "Deixa a Portela passar" - Uma nova homenagem a Portela, agora com o seu vice-campeonato em 95, com o enredo Gosto que me enrosco"
ALA 24 - "Eu me embalei pra te embalar" - A ala que representa a ressurreição do Império Serrano, que infelizmente hoje não está tão bem, com o enredo falando sobre Betinho.
ALA 25 - "Lá vem a Viradouro aí" - Esta ala comemora o campeonato da Viradouro em 97, com um desfile muito criativo de Joãosinho Trinta.
ALA 26 - "Hoje o samba saiu x Patu-Anu nasceu do girador" - Esta ala faz uma homenagem à Mangueira e à Beija-flor no ano de 98, quando elas ganharam o campeonato de 98.
ALA 27 - "Villa-Lobos é prova de brasilidade" - Esta ala representa o desfile da Mocidade no ano de 99 homenageando Villa-Lobos, onde fez um esplendoroso desfile, mas não foi campeã.
ALA DAS BAIANAS
Representam o próprio Sambódromo. Na saia delas têm o "M" da praça da apoteose prateado com brilhos dourados. Na cabeça elas possuem várias cores representando todas as escolas que já desfilaram no Grupo Especial desde a criação do Sambódromo.
CARRO 7 - O Templo do Samba - É um carro enorme, uma réplica do Sambódromo, que possui 3 partes. E dentro dele está uma miniatura de nossa escola desfilando como se fosse mais um momento antológico dos desfiles das escolas de samba no Sambódromo.
VELHA GUARDA
Vem com o seu tradicional bastão, ternos brancos e gravatas verdes e chapéus também brancos.
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