Feudalismo é o sistema de organização econômica, política e social característico da Europa Ocidental na Idade Média. Com as invasões bárbaras e a desagregação do regime político de Roma, a partir do século V, a Europa inicia uma profunda reestruturação, marcada pela descentralização do poder, ruralização e pelo emprego de mão-de-obra servil, que é a base do feudalismo. Com começo e fim graduais, o sistema feudal tem sua origem mais bem situada na França setentrional dos séculos IX e X – com o declínio da monarquia carolíngia – e o seu desaparecimento no século XVI.
ORGANIZAÇÃO FEUDAL – O feudalismo tem como característica
a integração das estruturas do mundo romano e do germânico
(bárbaro). O enfraquecimento do poder central e o desmembramento
do território em feudos, além da vinculação
estreita de autoridade e posse da terra, são aspectos centrais do
sistema feudal em formação. A sociedade é estabelecida
em relações de dependência pessoal, ou vassalagem,
que abrangem desde o rei até o camponês livre. O vassalo,
ou subordinado, oferece ao senhor, ou suserano, fidelidade e trabalho,
em troca de proteção e de um lugar no sistema de produção.
Camponeses – São responsáveis por toda a atividade produtiva
do feudo. Alugam e trabalham nas terras dos senhores em um sistema que
fica conhecido como parcelário – lotes de terras não-contínuas
que obrigam o camponês a se deslocar para semear, colher etc. Além
de produzir para seu sustento, os camponeses devem impostos ao senhor feudal.
Estes são pagos em serviços, produtos ou dinheiro. Podem
ser divididos em três categorias. A primeira é a corvéia,
trabalho gratuito e obrigatório realizado durante três dias
por semana. A segunda são as banalidades, taxas pagas em mercadorias
pelo uso de construções que só o senhor feudal pode
ter, como o moinho, a forja e o forno. Finalmente, o censo, que é
o pagamento em dinheiro pelo uso da terra.
Nobreza feudal – Os vínculos entre vassalos e senhores são
firmados em atos solenes, de origem germânica. Nessas cerimônias,
um homem livre submete-se a outro, colocando suas mãos juntas entre
as do senhor, em juramento sagrado de fidelidade e vassalagem.
Os senhores feudais formam a nobreza rural e têm poderes para
fazer os servos e camponeses livres cumprirem as normas vigentes. Vivem
em castelos, a melhor representação do poder civil e militar,
símbolo da nobreza feudal. São os cavaleiros armados que
garantem o domínio do senhorio sobre a terra. A supremacia dessa
classe de guerreiros especializados é uma característica
primordial da classe dominante do feudalismo. Os francos, que combatiam
a pé, passam a adotar a cavalaria pesada a partir do século
VIII. O emprego cada vez maior da guerra montada, dispendiosa e especializada,
converte a elite militar em elite social, antecessora de uma nova nobreza
feudal.
O feudo, patrimônio real cedido em usufruto a membros da nobreza
e do clero, constitui a unidade territorial da economia feudal. Caracteriza-se
pela autarquia e pela ausência quase total do comércio e de
intercâmbios monetários. A produção dos feudos
é de subsistência, e as trocas são feitas com produtos,
não com dinheiro. As cidades deixam de ser centros econômicos,
e os ofícios e o artesanato passam a se realizar nos próprios
castelos.
Igreja – Esta se integra ao sistema feudal por meio dos mosteiros,
que reproduzem a estrutura dos feudos. A Igreja transforma-se em grande
proprietária feudal, e os membros do alto clero recebem domínios,
tornando-se ao mesmo tempo suseranos e vassalos. Um exemplo da influência
ainda hoje desse período é o modo de se render homenagem
a Deus, rezando-se com as mãos juntas, ato que remonta às
cerimônias em que senhor e vassalo estabeleciam seus compromissos
mútuos.
O feudalismo é um dos alicerces do Estado Ocidental moderno.
Os grandes conselhos de reis e de seus principais feudatários são
os ancestrais diretos dos modernos parlamentos.