Roma

Segundo a lenda, Roma  é fundada em 753 a.C. pelos gêmeos Rômulo e Remo. Os dois são atirados recém-nascidos ao Rio Tibre pelo usurpador do trono de seu avô em Alba Longa. Amamentados por uma loba e criados por camponeses, fundam a cidade depois de reconquistar o trono. Historicamente, Roma resulta do encontro de três povos diferentes que habitavam a Península Itálica: os etruscos, de origem asiática, ao Norte; os gregos, na região conhecida como Magna Grécia, ao sul; e os Italiotas, de origem indo-européia, ao centro, subdivididos em latinos, úmbrios, sabinos e samnitas. A cidade-estado nasce de uma fortificação latina erguida às margens do Rio Tibre para evitar ataques etruscos. Inicialmente sua sociedade é dividida em uma elite patrícia (os proprietários de terra), clientes (parentes pobres, dependentes dos patrícios) e plebeus (artesãos, comerciantes e pequenos proprietários). Adota a monarquia como sistema político e sua economia é agrária.
Entre 753 a.C. e 509 a.C., Roma tem sete reis, quatro latinos, no início do período, e três etruscos. O governo é exercido por um rei vitalício eleito por uma assembléia popular, e pelo Senado, que congrega apenas patrícios. Diante da centralização do poder na mão desses três reis etruscos, os patrícios derrubam a monarquia por meio de um golpe e implantam a república.
República – Essencialmente aristocrática, a república (509 a.C.-27 a.C.) tem o Senado como órgão supremo de governo, no qual os senadores exercem sua função em caráter vitalício. São responsáveis pela preservação da religião, supervisionam as finanças públicas, dirigem a política externa e administram as províncias. As funções executivas de governo são distribuídas entre os membros de uma estrutura burocrática chamada Magistratura. Os magistrados mais importantes são os cônsules, que possuem o poder imperium (poder militar exercido fora de Roma), e potestas (administração, polícia e justiça dentro da cidade). Os outros ocupantes da Magistratura são os pretores, os censores, os questores, os edis e os tribunos da plebe. Os tribunos surgem ao longo do período da república, em conseqüência da luta dos plebeus por direitos políticos.
Em sua primeira manifestação, os plebeus abandonam a cidade e retiram-se para o Monte Sagrado, uma das sete colinas que formavam a cidade, em 494 a.C. A ausência de homens no Exército e a constante ameaça do inimigo fazem com que os patrícios concedam aos plebeus o direito de veto a atos do Senado. A segunda concessão é a Lei das Doze Tábuas. As leis, até então transmitidas por via oral e totalmente manipuladas pelos patrícios, passam a ser escritas e públicas. As tábuas ficavam expostas no Fórum Romano, no centro da cidade. A terceira grande concessão ocorre em 287 a.C. É aprovado o Plebis Dictum (plebiscito), que institui que as leis passem a ser votadas pela plebe. Outras medidas importantes na igualdade entre patrícios e plebeus são a Lei Canuléia (igualdade civil), a Lei Licínia (igualdade política) e a Lei Ogulnia (igualdade religiosa).
Expansionismo – A partir de 510 a.C., Roma dedica-se à conquista de toda a Península Itálica. Em 26 a.C volta-se contra Catargo, iniciando as Guerras Púnicas, vencidas por Roma. De 200 a.C. até o fim do Império Romano do Ocidente, em 476, atravessa seis séculos de contínua expansão territorial, formando um reino ainda mais vasto que o de Alexandre, o Grande. Os romanos conquistam a Macedônia e a Grécia, a Ásia Menor, o Egito, a Cirenaica (atual Líbia), a Península Ibérica, a Gália (França), a Germânia (Alemanha), a Ilíria (Albânia), a Trácia, a Síria e a Palestina. Transformam a Mauritânia, a Capadócia, a Armênia, os Partos e o Bósforo em reinos vassalos.
Fim da República – Nos séculos III a.C. e II a.C., as reformas defendidas pelos irmãos Tibério e Caio Graco em benefício da plebe e as lutas entre patrícios e plebeus enfraquecem o Senado. Em 46 a.C., Júlio César (100 a.C.-44 a.C.) põe fim à república e torna-se ditador. É assassinado dois anos depois. Emílio Lépido, Marco Antônio (82 a.C.?-30 a.C.) e Otávio (63 a.C.-14) passam a dominar por meio de um triunvirato. Disputas internas levam à repartição dos domínios de Roma, em 40 a.C.: Marco Antônio fica com o Oriente, Lépido com a África e Otávio com o Ocidente. Em 27 a.C., Otávio recebe o título de Augusto (filho divino). Inicia-se o Império Romano.
Sociedade romana – A economia é basicamente agrária e pastoril durante a monarquia. A sociedade divide-se em romanos livres e escravos. Entre os romanos livres estão os patrícios (nobreza territorial e militar) e os plebeus. Entre estes últimos estão os camponeses (pequenos proprietários ou lavradores das terras públicas), os artesãos e os soldados das centúrias. Além do escravismo, utilizam o clientelismo, no qual cidadãos livres trabalham nas terras privadas em troca de parte do que produzem e de proteção. Durante a república, Roma deixa de ser agrária e torna-se mercantil e urbana. Em função do comércio, a agricultura especializa-se em alguns produtos, como a azeitona e a uva. O escravismo torna-se o modo de produção dominante, levando pequenos e médios proprietários a mudarem-se para as cidades. O Exército vira uma instituição poderosa. Os “homens novos”, comerciantes de origem plebéia, passam a dominar a economia. No século III, o escravismo é substituído pelo colonato – servidão voluntária baseada na clientela.
Entre as contribuições dos romanos destacam-se o Direito – base do sistema judiciário ocidental – e o alfabeto latino. Desenvolvem a arquitetura com arcos e abóbadas, o mural decorativo, a pintura de afrescos e a escultura. A religião é politeísta, com sacrifícios rituais, e seus deuses equivalem às divindades gregas. Durante o império, assimilam cultos orientais e também o cristianismo.
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