Conflito entre a França e a Inglaterra, causado pela pretensão
do rei inglês Eduardo III (1312-1377) de disputar a sucessão
do rei francês Carlos IV (1295-1328). Apesar do nome, ela dura mais
tempo e vai de 1337 a 1453. Outra razão para a guerra é a
posse do rico território de Flandres. Senhores da terra, os franceses
querem manter o domínio e dificultam o comércio dos produtos
ingleses na região. Já a Inglaterra quer a união dos
reinados para ter livre acesso à área. A disputa diminui
o poder dos senhores feudais nos dois países, reforçando
a autoridade real.
A invasão inglesa – Carlos IV morre em 1328 sem deixar herdeiro
à Coroa da França, pondo fim à dinastia dos Capetos.
Os nobres franceses escolhem Felipe VI de Valois (1293-1350), sobrinho
de Felipe IV, o Belo (1268-1314), para sucedê-lo. Neto de Felipe,
o Belo, por parte de mãe, o rei Eduardo III da Inglaterra declara-se
soberano da França e invade o país em 1337, reivindicando
o trono.
A superioridade do Exército inglês impõe sucessivas
derrotas às forças inimigas. Apoiado por uma aliança
com as cidades flamengas, Eduardo III ocupa Calais, no norte da França,
a partir de 1347. A peste negra leva os combatentes a uma trégua.
A epidemia e o esforço de guerra geram uma crise econômica
que provoca revolta na população francesa. Milhares de camponeses
atacam castelos e propriedades feudais. Enquanto seus adversários
lutam entre si, os ingleses avançam sem grandes dificuldades. Felipe
de Valois morre e é sucedido pelo filho João II, o Bom (1319-1364).
Em 1356, é capturado por Eduardo, o Príncipe Negro de Gales
(1330-1376), e levado para Londres. Em 1360, depois de assinar a Paz de
Brétigny e o Tratado de Calais, volta à França deixando
dois filhos como reféns em seu lugar. A Inglaterra renuncia à
Coroa em troca da soberania sobre os territórios conquistados.
Reação francesa – Com a ascensão de Carlos V (1338-1380)
ao trono francês, em 1364, o país reconquista quase todos
os territórios e derrota os ingleses, que são forçados
a recuar mantendo apenas Calais e as regiões de Bordeaux e Bayonne,
no oeste da França. No reinado de Carlos VI, o Bem Amado (1368-1422),
o rei da Borgonha, Felipe III, o Bom (1396-1467), alia-se aos ingleses.
Juntos, em 1420 eles impõem aos franceses o Tratado de Troyes. Por
ele, a filha de Carlos VI, Catarina, casa-se com Henrique V da Inglaterra
(1387-1422), assegurando o trono francês para o filho do casal.
Em 1422, com a morte do avô materno, Henrique VI (1421-1471)
é aclamado rei da França. Essa solução é
contestada por seu tio Carlos (1403-1461), filho do antigo soberano, e
divide o país. No mesmo ano, Carlos VII é reconhecido como
herdeiro legítimo pelo sul do país. Recebe ajuda da camponesa
Joana D’Arc (1412-1431), que derrota os ingleses. Com isso, ela reacende
o nacionalismo francês e leva Carlos VII à Catedral de Reims,
onde é coroado em 1429. Ao longo de uma guerra de 20 anos, ele reconquista
Paris (1437), Normandia (1449), Formigny (1450) e Bordeaux (1453). A Inglaterra
fica apenas com Calais. A perda da totalidade de suas possessões
na França leva os derrotados a contestarem os direitos de Henrique
VI à Coroa inglesa. Em função disso, estoura na Inglaterra
a Guerra das Duas Rosas (ver Reino Unido).