P u b l i c i d a d e . & . I n t e r n e t
,,,,,A Internet é hoje uma das maiores vitrines do planeta. Uma mídia ainda em crescimento, mas com potencial para abraçar o mundo e colocá-lo inteiro dentro da sua rede. Milhares de sites povoam a teia mundial, e a publicidade acaba de encontrar o meio mais fácil de deixar uma empresa cada vez mais perto de seu cliente. A qualquer hora do dia, em qualquer dia do ano, sua home-page, se colocada na Internet, estará disponível para quem quiser olhar. E pra quem quiser opinar e dar sugestões, ou criticar. Isso torna a Internet uma mídia não-volátil, isto é, a "propaganda" colocada no ar através dela não se evapora ao final dos 30 Seg. do comercial de TV, não vai parar no forro da gaiola do passarinho depois que o jornal for lido, não repousará na sala de algum dentista, inerte dentro de qualquer revista e não será enviada para além das fronteiras do sistema solar em alguma onda de rádio que já foi ouvida um dia. Ela sempre estará ali, firme e forte. Inabalável. Como foi dito, no alto de sua propriedade de mídia não-volátil. | |
,,,,,Não-volátil??? Foi dito isso??? Esqueça. Desconsidere por hora. Nada é mais volátil do que a Internet. Acabe de construir seu site, incremente-o ao máximo, encha-o de efeitos e obrigue seus freqüentadores a baixarem todos os plug-ins possíveis para vê-lo melhor. Pronto??? Agora vá dormir. Enquanto isso, alguém, na China, está acordado e pensando em algo novo. No dia seguinte, sua animação feita em GIFF já está perdendo feio para a animação que o chinês sonâmbulo fez em FLASH - "Mas eu usei GIFF animado! É melhor do que aqueles Shockwaves nojentos de antes!!!" - Você grita. Pois é. Mas agora o FLASH do chinês é mais legal, tem mais movimento. Seu cliente prefere olhar o site dele. Você vai perder dinheiro pra ele. Mas não fique mal... Ele provavelmente vai perder também pra alguém que usou recurso melhor porquê não dormiu na Espanha. E assim sempre será. É claro que as coisas na Internet não são exatamente assim, mas o que se quer mostrar aqui, é que a Internet se trata de uma mídia onde se deve prestar muita atenção na tecnologia que a constrói. É uma mídia atípica. É polêmica, está superexposta às outras mídias. Ela é a estrela do momento. Todos vão querer vê-lo lá. E se não encontrarem você, vão encontrar seu concorrente, tenha certeza. | |
,,,,,Mas como podemos fazer propaganda na Internet? Basta construir uma home-page??? Em muitos casos, é claro que não. Você pode anunciar em outros sites com maior tráfego de internautas, os chamados "hotsites". Não entendeu? É simples. O "Universo Online", assim como o ZAZ , recebe milhares de acessos por dia. Então você faz assim: Pede pra colocarem um pequeno banner com sua propaganda nas páginas mais acessadas, isto é, nas páginas onde tem mais gente vendo, paga-os pra isso e espera. Se seu anúncio for bem feito, quem clicar sobre ele vai cair na Home-page do seu produto ou empresa. Legal. Agora você conseguiu trazer mais uma pessoa pra ver o seu site e conhecer o seu negócio. As páginas mais acessadas, geralmente são, no caso do UOL, por exemplo, as páginas de esportes e os Chats, canais de conversação, onde as pessoas acabam indo se encontrar pra espantarem seus fantasmas, ou então encontrarem alguns outros. | |
,,,,,Então basta colocar um banner??? É, teoricamente, neste caso, sim. Mas a questão é: onde colocar??? E a resposta nem sempre é simples. Você deve, como numa outra mídia qualquer, saber o perfil do público que acessa cada página em especial. E mais: dentro dos hotsites, há lugares que são mais facilmente visualizados do que outros. Por exemplo: anúncios colocados no canto inferior direito do site recebem mais respostas do que os colocados no canto superior esquerdo. Ocorre exatamente o oposto do que se poderia imaginar. É como se a pessoa que navegasse na Internet lesse da mesma forma que um falante do hebraico ou do árabe. Talvez porquê o caminho entre o teclado e o início da página "obrigue" o navegador a correr os olhos de baixo para cima no monitor. Anúncios com GIFFs animados que piscam muito rapidamente simplesmente irritam e chegam a ser totalmente ignorados. Tentativas de sair do formato "banner" pelo Universo Online para os patrocinadores da TV UOL, na forma de "pseudo-comerciais" de televisão não foram bem aceitas, na medida em que modens mais lentos levavam um tempo razoável para carregar e exibir as propagandas. Mais uma vez a tecnologia que mantém coesa a "mídia online" influencia a aparência física da Rede. Podemos então dizer que, atualmente, a publicidade e a propaganda na Internet brasileira estão restritas à inflexibilidade dos banners e aos sites institucionais. | |
....Publicidade na Internet, no Brasil, está restrita, também a outro item: público. Anunciando nela, a vovó, de 68 anos, não saberá que você lançou um espremedor de laranjas supersônico, autolimpável, transformável em batedeira de bolos, microondas e aspirador de pó, com design super-moderno, apenas porquê ela não faz parte do perfil das pessoas que acessam a rede. Esse perfil, segundo o último e mais recente levantamento do IBOPE, juntamente com o CADÊ?, o sistema de busca nacional mais consultado, é o seguinte: "no Brasil, 55% dos internautas são homens e 85% pertencem às classes A e B . Entre as faixas etárias que mais utilizam a Internet, 49% dos usuários estão situados entre 20 e 39 anos, 33% estão entre os 10 e 19 anos e 18% têm mais de 40 anos. São Paulo é a cidade que mais tem internautas, com 47%, seguida pelo Rio de Janeiro, com 18% e pelo Distrito Federal e Belo Horizonte, com 7% cada uma.". Some-se a isso mais uma informação: a característica mais importante da Rede, como já foi apresentado, é a capacidade de interação com o público, ou seja, também a capacidade "instantânea" de resposta que essa mídia tem a oferecer, e percebemos que anunciantes que têm necessidade desse nível de interação com seu público, verão, na Internet, uma mídia mais atraente do que, por exemplo, os que não vêem isso como prioridade estratégica. Além disso, aqui, relatórios detalhados podem ser fornecidos pelo provedor de acesso onde o site em questão está armazenado, apresentando cada detalhe de cada acesso às páginas, como por exemplo, dias e horários de maior tráfego dentro da home-page. É como se cada um tivesse a mesma chance de medir o seu "ibope" a cada momento. .. | |
....O controle desses acessos, na verdade é o que define se determinado lugar é ideal ou não para se anunciar nele. E as formas de se medir isso são questionáveis: o internauta que acessar duas vezes a mesma página seguidamente por qualquer motivo, deve ser contado como duas visitas distintas? Bem, alguns dizem que sim. Outros dizem que não. Provavelmente, entre vários métodos de controle de acesso, o mais honesto para essa medição é aquele que controla os acessos via IP - Internet Protocol (Protocolo de Internet), que contabiliza os acessos às páginas uma única vez para cada pessoa diferente que a acessá-las no período de 24 horas. O IP é o número que está por baixo de seu e-mail e que, graças a ele, viabiliza você acessar a Internet. É como um número de telefone. Você só acessa a Internet porquê tem um IP, e é justamente esse IP que é medido nos controles de tráfego mais sérios. | |
.....As especulações com relação aos investimentos em publicidade na Internet brasileira giram entre as cifras mais diversas. Alguns anunciam que não passam de R$ 70 milhões anuais. Outros juram que chegam facilmente à R$ 100 milhões por ano. A grande verdade é que os números que cercam a teia mundial de computadores sempre são, assim como ela mesma, polêmicos. E não há nada que se possa fazer, pelo menos por enquanto, para se medir isso com uma precisão à prova de dúvidas. O que nos resta então, como profissionais de comunicação, figurantes de provavelmente a maior cena do grande filme da história da comunicação do século, é mantermo-nos atentos a cada byte exibido na Rede. Como já falavam os navegadores antigos... "Navegar é preciso, viver não é preciso.". Pode ser que pra gente, essa frase contenha um certo tom de exagero. Mas por via das dúvidas convém, sempre que possível, sentarmos diante de nossos micros, abrirmos o navegador e sentir, ao som robótico da conexão com o provedor, todo esse oceano de tecnologia invadindo a nossa casa. |
matéria escrita em Setembro/98
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