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Arte - Michelangelo |
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Ao deixar o estúdio de Ghirlandaio, Michelangelo entra, em Florença, para a escola de escultura mantida por Lourenço, o Magnífico: protetor das artes e riquíssimo banqueiro. A escola era nos jardins de São Marcos. Lourenço interessa-se pelo novo estudante, alojando-o no palácio. Michelangelo passa a viver num ambiente físico e cultural do Renascimento italiano, onde produz "O Combate dos Centauros", arte em baixo-relevo com tema mitológico. O temperamento irônico e forte do artista e a sua impaciência com a mediocridade acabam por proporcionar uma desavença com Torrigiano dei Torrigiani. vaidoso e agressivo, o qual desfechou-lhe um golpe violento no rosto, causando um achatamento no nariz. Em 1.490, o monge Savonarola começa a inflamada pregação mística que o levará ao governo de Florença. Michelangelo tinha então 15 anos de idade. O anúncio de que a ira Deus em breve desceria sobre a cidade atemoriza o jovem artista. Dois anos mais tarde Lourenço, o Magnífico, morre, levando Michelangelo a deixar o palácio. Em 1.494 tem início a revolução. Michelangelo foge para Veneza. Na cidade dos Medicis, afastado do caos da guerra, Michelangelo parece ter encontrado a paz, esquece Savonarola e suas profecias, redescobre a beleza do mundo. Lê grandes autores: Petrarca, Boccaccio e Dante. Na primavera do ano seguinte, passa novamente por Florença. Esculpe o "Cupido Adormecido" - obra "pagã", num ambiente dominado de fervor religioso. Em Roma esculpe "Baco Bêbedo", "Adônis Morrendo". Em Florença, Savonarola manda queimar livros e quadros. A situação porém não se mantem por muito tempo. Os partidários do monge começam a ser perseguidos. Entre eles, um irmão de Michelangelo, Leonardo, que também se tornara monge. Em 1498, Savonarola é queimado. Michelangelo esculpe a " Pietà", obra envolta em indescritível melancolia. Em 1501, em Florença, surge de suas mãos uma gradiosa obra, esculpida num gigantesco bloco de mármore que destava abandonado, há quase meio século, no recinto pertencente à catedral da cidade. Aquele bloco havia sido entregue ao escultor Duccio, para talhar a figura de um profeta. O escultor faleceu repentinamente não dando início à obra, deixando o bloco intacto. Michelangelo decidiu trabalhá-lo. Surgiu então o colossal" Davi", símbolo de sua luta contra o destino, como Davi ante Golias. Uma comissão de artistas (Leonardo da Vinci, Botticelli, Filippino Lippi e Perugino) quis saber de Michelangelo sobre o lugar onde deveria ficar a estátua. Na praça central de Florença, defronte ao Palácio da Senhoria, indica Michelangelo. E para lá a obra foi transportada, onde se encontra até hoje. É também de 1501 a primeira pintura de Michelangelo: " A Sagrada Família". Em março de 1505, Michelangelo é chamado a Roma pelo Papa Júlio II. A idéia de Júlio II era a de mandar construir para si uma tumba monumental que mostrasse a grandeza dos mausoléus imponentes, suntuosos e solenes da antiga Roma. Michelangelo aceita a incumbência com entusiasmo. Fica em Carrara, durante oito meses, meditando sobre o esquema da obra e selecionando os mármores que nela seriam empregados. Os enormes blocos de pedra chegam a Roma e se acumulam na Praça de São Pedro, no Vaticano. A grandiosidade do que está por vir desperta a inveja de outros artistas. Bramante de Urbino, arquiteto de Júlio II, que fora freqüentes vezes criticado por Michelangelo, consegue persuadir o papa para que desista do projeto e o substitua por outro: a reconstrução da Praça de São Pedro. Em janeiro de l506, Sua Santidade aceita os conselhos de Bramante e sem consultar Michelangelo, decide suspender tudo. Michelangelo
parte de Roma, enquanto Bramante, vitorioso, começa a edificação
da praça. No entanto, Júlio II quer o mestre de volta que
se recusa. Finalmente, encontra-se com o papa em Bolonha e pede perdão
pelo abandono. O Papa apresenta uma outra incumbência
para Michelangelo. Ele deve executar uma colossal estátua em bronze
do Papa para ser erguida em Bolonha. O artista protesta, nega-se,
por nada entender da fundição daquele metal. De nada valem
os os protestos do artista: então que aprenda, retruca o papa.
Durante 15 meses, Michelangelo sofre os tormentos da criação
da obra, vivendo exclusivamente para ela.
Os trabalhos começam em 10 de maio de 1508. O artista recusa o andaime construído, especialmente, para a obra por Bramante, quer que seja feito um outro, segundo suas próprias idéias. Manda embora os pintores que lhe haviam sido dados como ajudantes e instrutores na técnica do afresco. Por fim, resolve pintar não só a cúpula da capela mas também suas paredes. O trabalho avança lentamente. Durante mais de um ano, o Papa não lhe paga um centavo. A família do artista o atormenta com constantes pedidos de dinheiro. A substância frágil das paredes faz logo derreter as primeiras figuras que esboçara. Impaciente com a demora da obra, o Papa constantemente vem perturbar a concentração do artista para saber se o projeto frutificava : "Quando estará pronta a minha capela?" - "Quando eu puder!" Irritado, o PapaI faz toda a sorte de ameaças. Chega a agredir o artista a golpes de bengala. Michelangelo tenta fugir de Roma. O papa pede desculpas e faz com que lhe seja entregue - por fim - a soma de 100 ducados. O artista retoma a tarefa. No cinema essas cenas foram imortalizadas por Charlton Heston (Michelangelo) e Rex Harrison (Julio II) no filme "Agonia e Extase", de 1.965 dirigido por Carol Reed. No dia de Finados de 1512, Michelangelo retira os andaimes e admite o Papa à capela. A decoração estava pronta. Todo o Antigo Testamento está retratado em centenas de figuras e imagens dramáticas, de vigor incomparável e originalidade de concepção: o corpo vigoroso de Deus retorcido e retesado no ato supremo da criação do Universo. Adão que recebe do Senhor o toque vivificador de Sua mão estendida, tocando os dedos ainda inertes do primeiro homem. Deus conduz Eva em seus braços e a apresenta Adão. A expulsão do Paraíso é retratada, Noé e o Dilúvio Universal; os episódios bíblicos da história do povo hebreu e os profetas que anunciam o Messias. A gênesis
do homem retratada na bíblia e a genesis da ação criadora
do homem feito à imagem do seu Criador. Imagens de beleza
e genialidade, momentos supremos do poder criador do homem.
De suas mãos surgem as alegorias da Ação, do Pensamento e as quatro estátuas da base: O Dia, A Noite, A Aurora e O Crepúsculo, terminadas em 1531, Nessas obras podemos ver retratadas a amargura , as desilusões, a angústia dos dias perdidos e das esperanças arruinadas. Ttoda a melancolia reflete-se nessas obras, tal como já havia acontecido em "Pietá". Com a morte de Clemente VII em 1534, Michelangelo - odiado pelo Duque Alexandre de Medicis - abandona mais uma vez Florença. Agora, porém, seu exílio em Roma será definitivo. Nunca mais seus olhos contemplarão Florença. Vinte e um anos haviam passado desde sua última estada em Roma: nesse período, produzira três estátuas do monumento inacabado de Júlio II, sete estátuas inacabadas do monumento inacabado dos Medicis, a fachada inacabada da Igreja de São Lourenço, o Cristo inacabado da Igreja de Santa Maria sobre Minerva e um Apolo inacabado para Baccio Valori. Sem ambição e sem esperança, Michelangelo aos 60 anos tem um só desejo: morrer. Roma, entretanto,
lhe trará novo alento: a amizade com Tommaso dei Cavalieri e com
a Marquesa Vittoria Colonna, afastando-o do tormento e da solidão,
permite-lhe aceitar a oferta de Paulo III, que o nomeia arquiteto-chefe,
escultor e pintor do palácio apostólico. De 1536 a 1541,
Michelangelo pinta os afrescos do Juízo Universal na Capela Sistina.
Nada melhor que suas próprias idéias sobre pintura para definir
essa obra e o homem que a criou: "A boa pintura aproxima-se de Deus e une-se
a Ele... Não é mais do que uma cópia das suas perfeições,
uma sombra do seu pincel, sua música, sua melodia
Os últimos anos do mestre ainda foram fecundos, embora numa atividade diferente: a arquitetura. Dedicou-se ao projeto de São Pedro, tarefa que lhe custou exaustivos esforços devido às intrigas que lhe tramaram seus acirrados inimigos. Projetou também o Capitólio - onde se reúne o Senado italiano - e a Igreja de São João dos Florentinos. Michelangelo
Buanarroti morreu na cidade de Roma no ano de 1564.
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