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                                                                                                Pelo Dr. Manuel Augusto Dias

                      A Lagarteira (XV)

 

Depois de 15 edições a tratar da paróquia da Lagarteira, não esgotámos tudo o que haveria a registar acerca desta freguesia, mas ficaram alguns factos certamente desconhecidos da maioria dos seus habitantes actuais e, por isso, já terá valido a pena esta abordagem. Terminaremos, com referências à Igreja, a algumas pessoas ligadas ao comércio e a cargos administrativos, e lembraremos dois antigos Presidentes da Junta de Freguesia.

No que respeita à organização paroquial, a Lagarteira foi, durante muitos anos, um curato anexo do priorado de S. Miguel de Penela e da apresentação do prior. Quanto à sua Igreja Matriz, o Dr. Ferreira de Almeida escreve o seguinte, no seu livro Tesouros Artísticos: «é um pequeno templo de uma só nave, coberta por um tecto de madeira de três planos. O altar-mor enquadra um retábulo de talha dourada do início do século XVIII. No arco triunfal admira-se um baixo relevo de madeira policromada figurando a Sagrada Família. Num dos altares colaterais está exposta uma escultura de pedra do século XVI representando a Santíssima Trindade». Ainda sobre o mesmo templo, o Padre José Eduardo Reis Coutinho, em "Lugares de Memória", in Comemoração do Centenário da Estrutura Actual do Concelho de Ansião, 7 de Setembro de 1995, Ansião, 1995, página 39 escreve: «A Igreja matriz de Lagarteira, de torre sineira saliente, a meio da fachada, torna-se interessante pelos balaústres de mármore róseo e altares de talha dourada, da época de Dom Pedro II».

No Livro de Actas da Câmara, relativo ao ano de 1922, são mencionados como informadores para o serviço braçal, na freguesia da Lagarteira, os Srs. Manuel Francisco Gomes (Coelhosa) e Manuel Dias (Vale da Figueira). O mesmo Livro de Actas, mas respeitante ao ano de 1923, ao tratar das classes socio-profissionais, refere, como comerciantes a retalho na Lagarteira em 1923, Firmino da Silva e Casimiro Rodrigues Gato; como industriais, ligados à indústria fabril - Doutor Diocleciano Feio de Carvalho e José Dias Baeta de Carvalho; e à indústria não fabril - Manuel Dias (Vale da Figueira) e José Rodrigues Gato.

Em 1935, o jornal do Avelar, Novo Horizonte, informava que os comerciantes da Lagarteira eram Alberto Dias Baeta, António Contente e Firmino da Silva, o encarregado do correio era José Alexandre, a Professora D. Regina Andrade Jorge, o Regedor Firmino da Silva e o ajudante do Posto do Registo Civil, José Alexandre.

Falando agora da Junta de Freguesia, lembremos dois dos seus Presidentes, das últimas décadas do Estado Novo: Alfredo Simões e Alberto Rodrigues Feio. Cada qual, apesar das limitações típicas destes Corpos administrativos, tentou fazer o melhor pela sua freguesia. O 1.º esteve à frente da Junta local, entre 1951 e 1967, o 2.º sucedeu-lhe no cargo.

O correspondente do Serras de Ansião na Lagarteira, refere-se, em palavras elogiosas, em 31.1.1968, à Junta cessante, da Presidência de Alfredo Simões: «(...) Cumpre-nos agora o agradável dever de prestar o nosso agradecimento à Junta cessante, na pessoa do seu presidente, Senhor Alfredo Simões, que durante 16 anos consecutivos pôs ao serviço da sua freguesia toda a sua dedicação e todas as óptimas qualidades de que é possuidor.

Agradecemos também, a todos os seus auxiliares, pois formaram com o seu presidente um conjunto que só os prestigiou (...)».

À Presidência de Alberto Rodrigues Feio, se referiu Raúl Carvalho, em 1969, altura em que editou o Concelho de Ansião, onde escreve, a propósito, o seguinte: «A Junta de Freguesia a Lagarteira, do concelho de Ansião, é presidida pelo sr. Alberto Rodrigues Feio, que tem como Secretário o Sr. José Cerca e como Tesoureiro o Sr. António Mendes Mineiro. A actual direcção da Junta de Freguesia, tem como aspirações principais, para as quais vai tentar todos os esforços, para uma possível concretização de tão prementes quão necessárias, obras, que se podem enumerar da seguinte maneira: a electrificação dos lugares da freguesia, aonde ainda não foi possível levar esta fonte de progresso. A montagem de um posto de telefone público no lugar de Fonte de Carvalho e a construção de pelo menos um marco fontenário, pois que a água utilizada neste lugar, vai de um chafurdo. A Junta vai também procurar mandar reparar as ruas e caminhos da freguesia, que se encontram num deplorável estado de conservação, tornando-se completamente intransitáveis durante os meses de Inverno, logo que tenha a verba suficiente ou subsídio por parte do Governo, que lhes permita enfrentar uma parte das despesas com a reparação da estrada municipal que liga Ansião a Vendas do Brasil e muitas outras povoações do concelho...».

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