C O N H E Ç A   A   S U A   T E R R A           

  * Manuel Augusto Dias

 

A  LAGARTEIRA (X)

 

HOMENS BONS DA TERRA

 

            Neste jornal, e nos vários artigos dedicados à freguesia da Lagarteira, tratámos já de alguns dos seus filhos mais ilustres. Como então referimos, falta falar de outros, que ainda são vivos e que toda a gente conhece pelos seus repetidos actos de benemerência, - mas que, por isso mesmo, importa destacar - pois a sua acção em prol de benefícios importantes para a freguesia, como a energia eléctrica e o abastecimento de água - aqui referidos nas duas últimas edições, ainda está na memória de muitos vivos e deve chegar a todos, para que as pessoas saibam que ainda há homens solidários para com o seu semelhante e que, embora longe, não esquecem nunca as terras onde nasceram e as suas gentes. Os senhores Carlos e Armindo Dias, irmãos, são bem conhecidos do povo da Lagarteira, desde há décadas, pelos elevados donativos com que financiam importantes melhoramentos, tanto da sua freguesia como até do seu concelho.

 

                Tratemos em primeiro lugar do Sr. Carlos Dias, pois o seu nome já foi referido com o grande benemérito da Lagarteira, nos importantes melhoramentos do fornecimento da energia eléctrica e abastecimento de água. Ansião e as suas instituições, também beneficiaram, várias vezes, dos seus actos de simpática generosidade. A título de exemplo, e só para ilustrar o que afirmo, informo os leitores que este ilustre benemérito, quando se fundou a Escola Preparatória Pascoal José de Melo, vulgo ciclo preparatório, e se pensou na aquisição de um autocarro para o transporte dos alunos de mais longe, o Sr. Carlos Dias comparticipou nessa aquisição com 80 contos, isto em 1972.

            O Sr. Carlos Dias é um conceituado comerciante em S. Paulo, Brasil. Casou com a Sr.ª D.ª Elisa da Silva Dias e é pai das gémeas, Júlia Maria e Ana Lúcia da Silva Dias, nascidas a 30 de Maio de 1964. Ainda no nosso tempo é costume vir por altura das festas, e ajudar substancialmente a respectiva Comissão de Festas e a Paróquia, ao inflacionar, e de que maneira, o preço das fogaças.

            Em Abril e Maio de 1971, quando se encontrava doente, resolveu afastar-se por algum tempo do mundo dos negócios de S. Paulo e refugiar-se na sua terra, à procura do completo restabelecimento que este sossego certamente lhe traria. A população da sua terra resolveu, então, homenageá-lo.

            Como diz a notícia do acontecimento (Serras de Ansião, 15 de Maio de 1971), as gentes da Lagarteira não quiseram ficar por um simples "muito obrigado".

            Quiseram sim testemunhar o seu reconhecimento com alguma coisa que não estivesse sujeita à destruição e ao esquecimento. Pensou-se então em celebrar uma Missa na Igreja onde o Senhor Carlos Dias foi baptizado e onde tem vivido os momentos altos da sua vida de cristão. Essa Missa teria uma tripla finalidade: agradecer a Deus as melhoras do Senhor Carlos Dias, pedir-lhe a sua completa saúde e testemunhar ao nosso bom amigo a gratidão deste povo.

            (...) Essa festa que era para ser apenas da família paroquial, teve a enriquecê-la a presença honrosa de muitas pessoas da sede do nosso concelho, facto que constituiu surpresa para o Senhor Carlos Dias e para todo este povo. Além de várias pessoas de relevo compareceu a filarmónica que tendo tocado uma marcha, entrou na Igreja, onde, com um grupo de raparigas de Ansião, cantou a Missa.

            Compareceu também a Corporação dos Bombeiros que, perfilados em frente ao altar, solenizaram, sem dúvida, ainda mais, aquele acto religioso.

            À homilia o Pároco referiu-se à acção de benemerência que o Senhor Carlos Dias e esposa têm realizado e apontou a vida familiar daquele casal como modelo para todas as famílias da paróquia.

            O grupo coral da nossa terra associou-se também a esta manifestação, e as crianças da Cruzada, com as suas vestes próprias, ocuparam o centro da Igreja. Um dos actos deste dia que mais sensibilizou o Senhor Carlos Dias foi o ramalhete espiritual que as crianças ofereceram na altura própria da Missa. Também elas quiseram marcar presença, para assim agradecer o muito que têm recebido daquele bom amigo.

            Terminada a cerimónia religiosa, o Senhor Carlos Dias dirigiu-se para a sua residência acompanhado da esposa e do Pároco.

            Ao lado, e em duas alas, seguiam os Bombeiros e logo depois a filarmónica executando um número do seu reportório. A seguir, muito povo.

            Desde a porta da Igreja até à Casa do Senhor Carlos Dias as crianças da freguesia estavam dispostas em duas alas e jogavam flores à passagem do cortejo.

            Junto à casa do homenageado e depois de algumas palavras do Pároco, uma catequista ofereceu à Senhora do Senhor Carlos Dias um ramo de flores, símbolo da gratidão de todo este povo para com aquele generoso casal. E assim terminou uma cerimónia simples, mas de grande significado.

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