Uns sopros

 

 

 

 

 

ela sempre disse

 

 

aos quatro ventos

 

 

que adorava o sopro constante

 

 

das bocas da mãe natureza

 

 

 um dia eu soprei nos olhos dela

meu sopro, apesar de quente,

um vento de final de tarde

a encontrava sempre agasalhada

e o sopro tomou seus lábios

 

e ela soprou-me a vida

e aqui me encontro

 

desnorteado

ventos depois,

sem minha rosa dos ventos

tornávamos uma só brisa

 

quente, úmida

ela parte à procura

meio cerrado,

de novos ares

meio oceano,

e me deixa

sopros de sussurros

neste inverno

suor, paixão e vida

frio e seco

 

 

até que um dia

e eu não mais espero

(creio que num outono)

pelos seus sopros

os ventos da mudança

de paixão e vida

passaram por sua vida

pois aprendi com os moinhos

desfolhando-a

que ventos do norte

querendo levá-la para outros ares

não movem corações passados

 

 

 Tusca-97

 

 

Volta

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