A CABALA
BRUNO BERTOLUCCI ORTIZ -
bubis@unimes.com.br
- Histórico
Cabala significa tradição. Para os estudiosos
ela era uma escada direta para a divindade e a sabedoria, capaz de convergir
as questões tanto religiosas como científicas.
Temos hoje em dia muitos livros e estudos sobre
a Cabala. Acredita-se que esse método vem de ensinamentos antigos
transmitidos de Melquisedec à Abraão, que uma vez iniciado, fez a aliança
com Deus, se comprometendo a repassar aqueles ensinamentos. Segundo Éliphas
Levi, tanto as profecias de Ezequiel quanto o Apocalipse são livros cabalísticos
por excelência.
Já na fase final do Império Romano e início
do Cristianismo, havia o Gnosticismo Cristão, o Gnosticismo Judáico, o
Neoplatonismo, o Hermetismo e outros cultos. Nessa fase era comum a troca dos
conhecimentos, e apenas para se ter uma idéia, conta-se que perto de
Alexandria , um dos primeiros Ptolomeus convocou 70 judeus para traduzirem
seus livros para o grego. Podemos especular, portanto, que a tradição viva
da Cabala seja um conjunto de ensinamentos oriundos da mística judaica
primitiva, acrescida pelas diversas culturas místicas apresentadas acima, que
foram selecionadas pelos sábios rabis e sintetizadas no ensinamento iniciático
da Cabala.
Entre os livros "recentes", isto é
aqueles que fizeram fama na idade média, temos dois de vital importância; o
Sepher Zohar e o Sepher Yetzirah.
O Zohar é atribuído a Moisés de Leon,
escrito provavelmente em 1280. Ele trata de assuntos referentes à
sabedoria e cosmologia, na forma alegórica de discursos entre um antigo rabi
( séc II ) chamado Simeon ben Yohai e seus discípulos. No livro " As
origens da Cabala"de Éliphas Lévi há uma série desses discursos.
Já o Sepher Yetzirah trata da cosmologia em
base das 22 letras do alfabeto hebraico. Na dita obra cada letra tem sua
importância e simbologia:
Letras mães:
São as letras primordiais e simbolizam a
primeira emanação do Universo.
Aleph : é comparado ao elemento Ar ,
significa a neutralidade.
Mem : é comparado ao elemento Água,
significa o feminino.
Schin : é comparado ao elemento Fogo,
significa o masculino.
Das letras mães emanam as 7 letras duplas
e 12 letras simples; assim como dos elementos primordiais emanam os 7 planetas
e os 12 signos.
Letras duplas:
Muitos já devem ter visto tabelas entre
planetas e dias da semana em muitas obras de ocultismo. O Sepher Yetzirah
nos dá as seguintes correspondências :
Beth : Mercúrio, quarta-feira/ Ghimel :
Lua, segunda-feira / Daleth : Vênus, sexta-feira / Kaph : Júpiter,
quinta-feira/ Peh : Marte, terça-feira / Resh : Sol, domingo / Tau :
Saturno, sábado.
Letras simples:
As letras simples simbolizam a natureza, e õ
Sepher Yetzirah as relacionam com os signos do Zodíaco :
He : Áries/ Vau : Touro/ Zain : Gêmeos/
Chet : Câncer/ Teth : Leão/ Yod : Virgem/ Lamed : Libra/
Nun : Escorpião/ Sameck : Sagitário/ Ayin : Capricórnio/
Tzade : Aquário/ Qof : Peixes.
No Sepher Yetzirah temos ainda cálculos matemáticos
e uma série alegorias dando significado aos grupos de letras. É uma
obra bastante profunda apesar de curta.
-Cosmogênese
A Cabala é chamada também de Árvore da Vida.
Tal árvore é um diagrama representando a disposição e a formação de todo
o Universo.
Ayn Soph é o todo Absoluto. Temos porém o
Universo Absoluto e o relativo. No Absoluto há a eternidade, sem tempo, nem
forma, nem substância. O Ayn Soph Aur é o Universo relativo, que é a
manifestação da criação. portanto, fora do Absoluto, emergiu um vazio no
qual a Existência pudesse acontecer. Os cabalistas chamam esse intervalo
entre a criação "pré-manifestada" e a manifestada de existência
negativa.
Na Árvore da Vida temos 4 mundos, porém
cada mundo tem seus sefirot principais. Uma sefira ( plural
é sefirot) é uma esfera da árvore:
Atzilut: É o primeiro mundo. Seus
sefirot principais são: Kether, Chokmah e Binah. Eles formam o que é chamado
de triângulo superior, e
é a ideação do universo; é o Mundo da
Emanação. Ele representa tudo o que está para ser criado e formado em
potencial. É a semente de lótus do Universo ( segundo H. P. Blavatsky o
termo lótus, ou "PADMA" é usado porque sua semente contém um
brotinho que é o "projeto da planta"; isso é facilmente verificável
em outras sementes, como o feijão). Adão Kadmon é a semente de lótus
do homem, que existe em potencial e o permite evoluir.
Apesar de Atzilut ser representado pelos 3
primeiros sefirot, há seu princípio emanador em cada sefira. Esse princípio
é representado pelo nome divino da sefira. Por exemplo, o nome divino
da sefira Yesod é Shaddai el Chai, que significa "Deus Vivo Todo-
Poderoso".
Briah: É o segundo mundo. Seus sefirot
principais são: Chesed, Geburah e Tifaret. Briah é o plano astral superior,
e é conhecido como o Mundo da Criação . É representada nos outros
sefirot pelo nome do Arcanjo. Por exemplo, o Arcanjo de Yesod é Gabriel.
Yetzirah: É o terceiro mundo. Seus
sefirot principais são: Netzach, Hod e Yesod. É o plano astral, conhecido
como Mundo da Formação . É representado nos outros sefirot pelo Coro
Angélico. Por exemplo, o Coro Angélico de Yesod é o dos Kerubins.
Assiah: É o último mundo. Sua única
sefirah principal é Malkuth. É o plano físico e é conhecido como Mundo
da Ação . É representado nos outros
sefirot pelo Centro Cósmico. Por exemplo, o Centro Cósmico de Yesod é a
Lua.
Na Árvore da Vida podemos encontrar ainda ligações
entre os sefirot. Segundo os cabalistas existem 32 caminhos de chegar à
sabedoria. Éliphas Lévi ensina que os 32 caminhos abrem 50 portas
misteriosas; onde os 32 caminhos são os 10 números mais as 22 letras
hebraicas. No diagrama da Árvore da Vida, os 10 números são os sefirot, e
as 22 letras suas 22 ligações.
A Árvore da Vida forma 3 pilares:
Pilar da Severidade : Compreende os
sefirot da esquerda, Binah, Geburah e Hod; corresponde ao feminino.
Pilar da Misericórdia : Compreende os
sefirot da direita, Chokmah, Chesed e Netzach; corresponde ao masculino.
Pilar da Suavidade : Compreende os sefirot
centrais, Keter, Tipharet, Yesod e Malkuth; corresponde ao neutro.
VOLTAR