Paróquia Sagrado Coração de Jesus

 

Cruzada Santo Antônio

 

Reflexão N.º 10

 

OS DONS DE SANTIFICAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO

1º Dom: O Temor de Deus

 

  1. Acolhida:

  2. O presente círculo de Evangelização fala do Dom do "Temor" de Deus. É importante entender em que consiste o "Temor" de Deus e receber, do Espírito Santo essa graça.

  3. Momento de estudo:
  4. A - Natureza do Dom do Temor de Deus

    Já aprendemos que os dons do Espírito Santo aperfeiçoam as virtudes. As virtudes abandonadas a si mesma não podem chegar a grandes alturas. A nossa razão, mesmo iluminada pela fé, é ainda imperfeita para perceber toda a realidade espiritual. Só os dons do Espírito Santo elevam o homem às alturas da própria dignidade.

    O Dom do "Temor de Deus" aperfeiçoa a virtude da Esperança.

    Há várias espécies de temores: o temor mundano, o temor servil a Deus e o temor filial a Deus. Destes, só o último é o Temor de Deus.

    1) O temor humano é o medo que se sente com relação a criaturas ou situações mundanas. São temores humanos o medo de pessoas, como a mulher que teme o marido ou o marido que teme a esposa, os filhos que temem o pai ou a mãe, os alunos que temem os professores... São temores às situações mundanas, por exemplo, o medo de andar de elevador, o medo do escuro, o medo de tempestades, etc. Incluem-se ainda nesta classe os medos supersticiosos, como o medo de passar embaixo de uma escada, o medo de ver um gato preto cruzar o caminho, o medo do dia 13... Os temores ou medos mundanos originam-se de traumas. Podem desaparecer pela oração de cura interior ou por tratamentos psicológicos adequados.

    2) O temor servil é principalmente o medo de ser castigado por Deus, de ir para o inferno. Esse temor é gerado pela idéia de um Deus que nos vigia constantemente, pronto a nos castigar pelas nossas faltas. E isso nos inquieta, agita, deprime. O temor servil pode afastar-nos do pecado, mas é um temor imperfeito, porque não se baseia no amor de Deus.

    3) O temor de Deus é filial. É o temor de nos afastar do Pai que nos criou e que nos ama, de ofender a Deus que, por amor, sempre nos perdoa. O filho que ama o pai não quer ficar longe dele nem fazer algo que o possa magoar. É um temor nobre que brota do amor. Um temor filial, perfeito e amoroso.

    O temor de Deus é um dom do Espírito Santo que nos inclina ao respeito filial a Deus e nos afasta do pecado. Este compreende três atitudes principais:

    1 - O vivo sentimento da grandeza de Deus e extremo horror a tudo o que ofenda sua infinita majestade;
    2 - Uma viva contrição das menores faltas cometidas, por haverem ofendido a um Deus infinito e infinitamente bom, do que nasce um desejo ardente e sincero de as reparar;
    3 - Um cuidado constante para evitar ocasiões de pecado.

     

    B- Como Receber esse Dom

    O primeiro passo para se receber o dom do temor de Deus é cultivar a virtude sobrenatural da temperança, virtude pela qual se moderam os prazeres sensíveis. Uma das formas de temperança, provavelmente a principal delas, é a humildade. Esta é a moderação da própria excelência. Jó nos diz: "Pois Deus abaixa o altivo e o orgulhoso, mas socorre aquele que abaixa os olhos." (Jó 22,29). No Novo Testamento, Maria diz no Magnifica: "Manifestou o poder do seu braço, desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes." (Lc 1,51-52). Paulo, escrevendo aos cristãos de Éfeso, diz: "Exorto-vos, pois, que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda a humildade e amabilidade, com grandeza de alma, suportando-vos mutuamente com caridade." (Ef 4,1-2).

     

    C - O Temor de Deus como Abertura aos Outros Dons de Santificação

    "Aqueles que temem o Senhor não são incrédulos à sua palavra, e os que o amam permanecem em sua vereda. Aqueles que temem o Senhor procuram agradá-lo, aqueles que o amam satisfazem-se na sua lei. Aqueles que temem o Senhor preparam o coração, santificam suas almas na presença dele. Aqueles que temem o Senhor guardam os seus mandamentos." (Eclo 2,18-21a)

    D - Dom que nos Aproxima de Deus

    "E agora, ó Israel, o que pede de ti o Senhor, teu Deus, senão que o temas, andando nos seus caminhos, amando-o e servindo-o de todo o teu coração e de toda a tua alma, observando os mandamentos do Senhor e suas leis, que hoje te prescrevo, para que sejas feliz?" (Deu 10,12-13).

    "Esteja em vós o temor do Senhor, para o servirdes, e obedecerdes a sua voz e não vos rebelardes contra as suas vontades! Que vós sejais, vós e vosso rei, dóceis ao Senhor, vosso Deus!"(ISam12,14).

    "Vale mais o pouco com o temor do Senhor, que um grande tesouro com a inquietação." (Prov. 15,16).

     

    E- Efeitos do Temor de Deus

    "O temor do Senhor expulsa o pecado." (Eclo 1,27).

    "Nada falta aquele que tem o temor do Senhor. E com ele não há necessidade de outro auxílio." (Eclo 40,27).

    Diante da Majestade Divina, sentimo-nos no dever de obedecer, evitando atos que poriam em risco nossa vida espiritual, moral e física. Sentimo-nos compelidos não só a fazer o bem para agradar a Deus, mas também a purificar-nos, tornando-nos cada vez mais santos.

    "O grande, o justo e o poderoso recebem homenagens, mas ninguém é maior do que aquele que teme a Deus." (Eclo 10,27).

     

    F - Promessas de Deus Àqueles que o Temem

    Deus manifesta piedade e compaixão aos filhos que têm o temor do Senhor. "É ele que perdoa as tuas faltas e sara as tuas enfermidades. É ele que salva tua vida da morte e te coroa de bondade ede misericórdia." (Salm 102,3-4).

    "Aquele que teme o Senhor não será surpreendido por nenhuma desgraça. Mas Deus o protegerá na provação e o livrará de todo o mal." (Eclo 33,1).

    No Magnifica, Maria canta a misericórdia de Deus para os que o temem: "Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem." (Lc 1,50).

     

    G - O Temor de Deus na Vida dos Santos

    São Luiz Gonzaga chorava e se afligia quando constatava que havia cometido alguma falha, por menor que fosse. As faltas, sob a ação do dom do temor de Deus, indicavam-lhe uma separação de Deus.

    Santa Teresinha de Jesus escreveu no seu livro "Caminho da Perfeição": "Devemos encher nossas almas com o santo temor de Deus. É uma questão de vida ou morte. Enquanto não se abrirem a esse dom, tenham sempre muito cuidado. Fujam das conversas que não sejam de Deus. É bom saber que haverão algumas quedas, devido a nossas fraqueza. Não podemos confiar em nós mesmos, mas somente de Deus há de vir nossa confiança".

    Jesus disse à Santa Catarina de Sena que todas as penas que a alma suporta ou possa suportar nessa vida não bastam para punir nem mesmo a menor falta. Disse ainda que a ofensa feita a ele, Bem Infinito, exige uma satisfação infinita.

    Essa verdade foi compreendida pelos santos, que se angustiavam amargamente pelas sua menores faltas e jamais achavam ter feito o bastante para as reparar.

     

  5. Partilhando:

 

4. Conclusão:

Temor de Deus é: uma força especial de Deus que nos dá docilidade especial para que nos submetamos à vontade de Deus, por reverência à majestade de Deus.

Não se trata de medo de Deus. Trata-se, pelo contrário, de uma especial reverência a Deus, nosso Pai.

Nós somos muito religiosos não só porque buscamos sempre a Deus, temos muita f'é, mas também porque buscamos sempre uma interpretação religiosa para todos os acontecimentos.

Gostamos de atribuir a Deus, de jogar para Deus, aquilo que é nossa exclusiva responsabilidade. Achamos que religião é somente busca de Deus para resolver os nossos problemas. A religião de muita gente é só isto: rezar para que Deus nos dê alguma coisa.

Teresa d'Avila disse que se fôssemos resumir as orações dos cristãos, poderíamos resumi-las assim: "Do mal, livrai-nos, Senhor". É uma pena que tenhamos reduzido o cristianismo a isso. Por este motivo o cristianismo se tornou para a maioria um devocionismo, isto é, prática de devoções. É claro que não condenamos as devoções. Elas são ótimas e necessárias. Mas condenamos o reducionismo de quem quer fazer da região, somente devoções.

Já aprendemos que a fé é obediência a Deus. Você tem fé na medida em que você obedece a Deus, se entrega a Ele, cumpre a sua vontade. Aí, você reza, pede o que deseja, mas pede principalmente o que Deus deseja. E o que é que Ele deseja? A vida santa, pura, misericordiosa, humilde, mansa. É o que Ele, principalmente, deseja.

Ora, a nossa insistência não é aí: a nossa insistência é pedir saúde, bens materiais, etc. Quando é que você insiste com Deus, na sua oração para que Deus lhe dê perseverança, caridade, castidade, etc? Quando é que você faz uma novena para pedir uma virtude? Acho que agora você vai entender o "Temor de Deus"...

5. Compromisso:

O nosso compromisso deve Ter dois elementos: algo que favoreça o crescimento pessoal e algo que proporcione o crescimento de outros.

6. Oração:

Credo

Creio em Deus Pai...

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