
Ringue:Maconha: Legalizar ou não
Descriminalizou geral! (continuação)
Danos do álcool e do tabaco - A maconha causa menos danos à saúde do que o tabaco ou o álcool. Esta foi a conclusão de matéria publicada pela revista Isto é, de 25 de fevereiro de 1998. A reportagem mostra que um relatório publicado pela OMS decreta que os males que a maconha faz à saúde são menores que os causados pelo tabaco e pelo álcool.
O uso medicinal é antigo e eficiente. As sementes, em infusão, já foram usadas para combater vermes. O óleo era indicado contra caspa e o suco das folhas aplicado contra picadas de aranhas e escorpiões. Com a ilegalidade, entretanto, o uso medicinal ficou esquecido, só vindo a ser recuperado em 1960. Hoje, medicamentos à base de THC são usados em alguns países para amenizar náuseas e vômitos de pacientes com câncer submetidos à quimioterapia. O uso da Cannabis também ajuda a diminuir esses sintomas em pacientes com AIDS, e pode melhorar o apetite do doente.
É a tolerância do organismo aos efeitos da droga, que implica a necessidade de aumentar a dose para continuar obtendo resultados iguais. Entretanto, esse aumento gradual da dose raramente vai provocar a morte do usuário (overdose). Especialistas afirmam que são necessários 3800 cigarros de maconha para que o usuário tenha uma overdose.
Dados da Agência Norte americana anti-drogas (DEA) mostram que cerca de 400 mil pessoas morreram só nos Estados Unidos devido aos efeitos diretos e indiretos do consumo de álcool. O levantamento aponta ainda que não houve nenhuma vítima fatal devido a eventuais males causados pelo consumo da Cannabis sativa.
Estes números ocorrem porque a maconha, ao contrário principalmente do álcool, não provoca a síndrome de abstinência. A maconha pode, no máximo, causar dependência psíquica, que é o uso compulsivo de uma droga.
Outra constatação da OMS é que é mais difícil parar de beber do que parar de fumar maconha. A abstinência de Cannabis sativa pode gerar, na pior das hipóteses, insônia, ansiedade e sintomas semelhantes aos de um resfriado.
Outra conclusão do relatório elaborado pela OMS é que a maconha não vicia mais do que cigarro e álcool. 90% das pessoas que usam maconha na juventude param de fumar por volta dos 30 anos.
Os males causados pelo consumo da maconha, são portanto, menores ou mais fáceis de ser administrados do que os causados pela indústria do tráfico, em que os prejudicados sempre são o usuário e quem passa o produto para o consumidor final. Os maiores beneficiados são, e pretendem continuar sendo, os grandes traficantes que detêm o controle da produção e distribuição da maconha, as grandes potências, principalmente os Estados Unidos que não têm capacidade de suprir o próprio mercado interno (se o comércio fosse legal e controlado pelos Estados nacionais, o Tio Sam teria de pagar para ter o produto. Por via ilegal, não pagam um tostão legal aos produtores latino americanos) e os fabricantes de armamentos que lucram cada vez mais com a industria do tráfico.
O consumo da maconha, portanto, faz mal, mas os males são mais amenos que os causados pelo álcool e pelo tabaco. Por que, então, só a maconha é proibida e ilegal? O cerne da questão é que as pessoas deveriam ter liberdade de decidir sobre o próprio corpo. A proposta não é liberar ou descriminalizar geral, mas discutir a possibilidade de descriminalização, sem pré-conceitos e sem defesa de interesses políticos e econômicos.
Fernando Rocha
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