Nos últimos anos as noções de guerra e paz têm ocupado um espaço importante no nosso dia-a-dia. Nos mais diversos órgãos de comunicação social, nas nossas conversas, nas nossas preocupações.
Guerra de palavras, guerra táctica, guerra convencional, guerra psicológica, guerra química, guerra iminente, guerra regional, guerra santa, guerra atómica, guerra mundial, guerra. E paz, período de paz, desejo de paz, prémio nobel da paz, necessidade de paz, paz duradoura.
Curiosamente, as palavras que se têm dito ou escrito e as imagens que se têm visto, têm muito mais a ver com guerra, o que poderá revelar desejo, grande ou pequeno, ou receio, enorme ou diminuto. De qualquer modo, parece que a nossa atenção tem estado mais voltada para a guerra do que para a paz.
E deveria ser assim? Parece que não. Sabemos hoje que o nosso pensamento tem uma força enorme. Capaz de grandes realizações quando canalizado no sentido positivo, mas também capaz de provocar grandes catástrofes quando dirigido negativamente.
E, neste caso, temos sido milhões de pessoas a pensar um pouco por toda a parte na guerra, quando deveríamos concentrar a nossa atenção na paz.
É claro que muitos indivíduos têm dificuldade em perceber a ligação entre aquilo que eles próprios (simples cidadãos) pensam e o que se passa lá noutro canto do mundo; esquecendo-se que a humanidade se move por uma grande força, resultante de todas as pequenas forças que cada um de nós constitui.
Muitos de nós desejamos e exigimos que os governantes do nosso país e de todos os outros, saibam encontrar soluções pacíficas e democráticas para os seus países. E por vezes criticamos estes e outros líderes porque não conseguem encontrar os caminhos "óbvios" da paz.
Todavia, se nós, longe dos grandes problemas do mundo, não conseguirmos manter o nosso pensamento diária e permanentemente voltado para a paz, como poderemos exigir isso de quem vive assoberbado de questões de grande amplitude e, muitas vezes, de difícil solução?
Cada coisa em seu lugar. Isso mesmo. Não poderá cada um de nós (simples cidadãos) ter uma palavra decisiva na resolução das crises internacionais. Nem isso se espera. O que se poderá esperar e, sobretudo, desejar é que cada um contribua com a sua quota parte.
E, no caso da paz mundial, será com certeza importante que cada um saiba manter 24 horas por dia o seu desejo de paz. Por pensamentos, palavras e acções.
Começando pela paz interior. Pelo encontro de cada um consigo próprio, sintonizando com a Natureza e descobrindo a felicidade possível neste planeta.
Esforçando-nos pela paz no lar. Evitando guerrear com aqueles que mais amamos, permitindo-lhes a diferença e os defeitos antes mesmo de lhes solicitarmos (ou exigirmos!) que nos tolerem.
Buscando a convivência pacífica no nosso local de trabalho, nas associações a que aderimos, nos transportes, na via pública. Respeitando sempre e, assim, conquistando o direito ao respeito.
Se, um pouco por todo o mundo, todos, ou pelo
menos uma larga maioria, concentrar a sua atenção na paz,
procurando construí-la momento a momento, ela será obviamente
encontrada.